• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 06 Dezembro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 14° / 9°
Céu nublado
Ter.
 17° / 11°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  17° / 8°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Apedeuta, insipiente, mentecapto, néscio - carlos paiva

Opinião  »  2021-09-16  »  Carlos Paiva

"A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência"

Por altura do lançamento do programa “Novas Oportunidades” (em 2007), recordo-me de ver uma entrevista na televisão em que a jornalista na rua perguntava a um cidadão jovem se ele achava importante estudar. Respondeu qualquer coisa como: “Sim, é bastante importante. Com estudos, podemos chegar longe. Até, quem sabe um dia, ser funcionário público”.

Hoje, a percentagem de analfabetismo ronda os 5%. Um dos piores números da Europa. Considerando que ali por volta da revolução de Abril, a taxa de analfabetos em Portugal estava algures entre os 25 e os 30%, ou seja, para mais de um quarto dos portugueses, quem sabia ler e escrever, era doutor. Quem era doutor, estava próximo de divindade. E acima disso, só o senhor padre. Os horizontes tão estreitos do fulano entrevistado, são o reflexo, o ripple effect, do número de analfabetos e iletrados que teimam em se fazer sentir acentuadamente no século 21. Olhando para o enquadramento social, percebemos que a formação académica, só por si, não introduz valores e princípios à construção do individuo. Como é tão vulgar ouvir: Isso tem de vir de casa. É berço.

As disciplinas de “Religião e Moral”, agora substituídas pelas polémicas disciplinas de “Cidadania”, foram remendos prenhes de bafios que tresandavam e ainda tresandam a engenharia social. Inúteis no sentido da solução, portanto. Em muitos casos, estas aspirações à terra prometida do funcionalismo público foram concretizadas. São facilmente identificáveis pelas posturas e comportamentos anti-éticos, alguns episódios de aproveitamento, outros de incompetência, desaguando tudo isto em redes de interesses e favorezinhos, enquanto assobiam para o lado fingindo que corrupção é outra coisa qualquer, totalmente diferente.

Somos todos coniventes no jogo do lodo. Uma das vias possíveis para minimizar esta realidade seria uma estruturação de carreira, com salários decentes, numa mecânica por objetivos e reconhecimento por mérito. Em conversa entre amigos, abordámos um tema algo semelhante nalgumas áreas do desporto. Resultou em certa medida. Atenuou injustiças e desmotivou ganâncias. Comparando unicamente pelo prisma financeiro, o patamar salarial de um presidente de câmara está ao mesmo nível de um cargo de direcção numa pequena-média empresa. Descendo na pirâmide, torna-se evidente o porquê das permeabilidades. Horizontes estreitos, fracas competências, falta de estímulo na vida profissional, ingredientes para a disfuncionalidade institucional que fomos amestrados a tolerar, a aceitar como normal até.

A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência. Porque somos sensíveis ao seu calvário. Coitadinhos. É perfeitamente natural que estes indivíduos procurem uma segunda ocupação para pôr pão na mesa, ou até mesmo só como colete de salvação para a sua sanidade mental. Um complemento relacionado com a necessidade e não com a ambição. Olhando para o boom das empresas imobiliárias, não me espantava de os ver a vender uns apartamentozinhos, por exemplo.

 


A estes indivíduos perdoamos que usurpem trabalho e património alheio, perdoamos que insultem os seus constituintes, perdoamos a falta de carácter e a incompetência.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Resiliências, Rui Rio/PSD, BE e Futebol »  2021-12-03  »  Jorge Carreira Maia

Resiliências. Ser ministra da Saúde em Portugal não é tarefa fácil. Ser ministra da Saúde em Portugal e em tempos de pandemia é tarefa hercúlea. O sector é atravessado por múltiplos, poderosos e discordantes interesses, que têm tanto ou mais poder que qualquer ministro.
(ler mais...)


Pedinchice - inês vidal »  2021-11-25  »  Inês Vidal

Habituámo-nos à pedinchice. Já não a estranhamos nem questionamos, antes a integrámos na nossa rotina, no nosso dicionário mental, assumindo-a como parte integrante e inerente à solidariedade de que somos tão adeptos.
(ler mais...)


Violência na família - mariana varela »  2021-11-25  »  Mariana Varela

A evolução do estado de coisas, a nível sócio-cultural, é quase sempre gradual e lenta, repleta de avanços e recuos constantes. Se é certo que em vários domínios da vida em comunidade alcançámos, sim, objectivos muito valiosos, outras situações continuam a destoar profundamente do ideal que possamos ter de uma sociedade mais justa.
(ler mais...)


Desesperança 1, ou o Novembro do nosso descontentamento - maria augusta torcato »  2021-11-25  »  Maria Augusta Torcato

Às vezes, lembro-me das personagens de Sancho Pança e D. Quixote, evocadas no capítulo III de “Viagens na minha terra”, de Garrett.

Não sei, todavia, se a lembrança dessas personagens, neste contexto, vem por boas razões.
(ler mais...)


Dos fracos não reza a história - carlos paiva »  2021-11-25 

 

É uma realidade: dos fracos não reza a história. A prerrogativa fica do lado dos fortes, dos vitoriosos que, nessa condição, escrevem a história. A versão dos factos para a posteridade é invariavelmente simpática para os vencedores e vincadamente penalizadora para os vencidos.
(ler mais...)


SEMPRE É UMA COMPANHIA - josé alves pereira »  2021-11-25  »  José Alves Pereira

Num destes dias, ocorreu-me passar os olhos pelo Fogo e as Cinzas, livro de contos do Manuel da Fonseca. Acabei relendo o que me serve para título desta crónica e pretexto para uma incursão por algumas recordações ligadas ao aparelho de rádio que um dia, pelos anos 50, entrou lá em casa.
(ler mais...)


Vírus, clima, PSD e futebol - jorge carreira maia »  2021-11-25  »  Jorge Carreira Maia

1. O vírus resiste. Depois de uns meses de acalmia, volta o espectro do confinamento. Isto apesar da vacinação em Portugal ter corrido muito bem. O problema é que a vacinação, embora sendo uma condição necessária para combate à COVID-19, não é suficiente.
(ler mais...)


Sem pinga… »  2021-11-18  »  Hélder Dias

Perigo! PS e Presidente da República em manobras - josé alves pereira »  2021-11-09  »  José Alves Pereira

A rejeição do O.E. e o seu desmedido empolamento, arrastaram na ventania da pressão mediática gente, mesmo de esquerda, que perdeu o bom senso e a serenidade. Importa, pois, voltar a 2015, relembrando factos. Para fazer face ao retrocesso da governação PSD/CDS de ir além da troika na retirada de direitos e rendimentos, formou-se um governo minoritário do PS.
(ler mais...)


Quem paga a conta do chumbo do orçamento? - jorge carreira maia »  2021-11-09  »  Jorge Carreira Maia

Julgo que os eleitores tanto do BE como do PCP não compreendem as razões que levaram ao chumbo do Orçamento de Estado. Quando falo em eleitores desses partidos não me estou a referir aos militantes e simpatizantes partidários que rodeiam esses militantes, mas às pessoas que votam nesses partidos não por fé ideológica, mas porque acham que eles são instrumentos para a defesa dos seus interesses e do bem comum.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-11-25  »  Inês Vidal Pedinchice - inês vidal
»  2021-11-18  »  Hélder Dias Sem pinga…
»  2021-11-09  »  Carlos Paiva Bizarro - carlos paiva
»  2021-11-09  »  Jorge Carreira Maia Quem paga a conta do chumbo do orçamento? - jorge carreira maia
»  2021-11-25  »  Jorge Carreira Maia Vírus, clima, PSD e futebol - jorge carreira maia