A GRANDE ILUSÃO
Opinião
» 2015-06-12
» José Ricardo Costa
"A esmagadora maioria das pessoas a quem se dirige os políticos não tem o direito à verdade"
Defendia Kant que em nenhuma circunstância se deve mentir. Todavia, Benjamin Constant dizia que não é bem assim. A verdade não tem um um valor incondicional pois depende das circunstâncias. Dizer a verdade é um dever se as pessoas tiverem direito a ela. Se um assassino pergunta a alguém onde está a sua futura vítima, não tem o direito de saber e não merece saber.
Entretanto dei comigo a adaptar este divertido arrufo filosófico à relação entre políticos e o povo, ciclicamente conhecido por eleitorado. Os políticos mentem. Seja por astúcia premeditada, seja por entusiasmo paternalista de quem olha para o povo como um filho que deseja ver feliz. Mas pronto, mentem. A minha questão consiste em saber se têm ou não o direito de mentir. Na minha opinião, têm. E digo-o enquanto pessoa mais insuspeita do mundo, pois não estou nem nunca estarei envolvido em actos políticos. Têm esse direito pois a esmagadora maioria das pessoas a quem se dirige os políticos não tem o direito à verdade. O jogo entre políticos e eleitorado não é marcado por critérios de verdade mas de ilusão. Ainda para mais, uma ilusão livre. Os políticos manipulam pessoas que aceitam ser manipuladas, mentem a pessoas que se deleitam com mentiras. A relação entre políticos e eleitores não resulta de um contrato racional entre agentes racionais mas de uma relação entre actores e público que se deleitam com o jogo de ilusões que se estabelece entre eles. O homo politicus, tanto o que elege (homo stultus), como o que é eleito (homo loquens), é sobretudo um homo ludens.
Quem explica isso muito bem é um conhecido filósofo chamado Platão. Para ele, os políticos infantilizam pessoas que se deixam infantilizar, dizendo-lhes o que elas gostam de ouvir independentemente do valor racional do que estão a ouvir. É por isso que um acto eleitoral, em vez de nos fazer chorar, deve fazer rir. Tanto políticos como o povo a quem se dirigem são risíveis.
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A GRANDE ILUSÃO
Opinião
» 2015-06-12
» José Ricardo Costa
A esmagadora maioria das pessoas a quem se dirige os políticos não tem o direito à verdade
Defendia Kant que em nenhuma circunstância se deve mentir. Todavia, Benjamin Constant dizia que não é bem assim. A verdade não tem um um valor incondicional pois depende das circunstâncias. Dizer a verdade é um dever se as pessoas tiverem direito a ela. Se um assassino pergunta a alguém onde está a sua futura vítima, não tem o direito de saber e não merece saber.
Entretanto dei comigo a adaptar este divertido arrufo filosófico à relação entre políticos e o povo, ciclicamente conhecido por eleitorado. Os políticos mentem. Seja por astúcia premeditada, seja por entusiasmo paternalista de quem olha para o povo como um filho que deseja ver feliz. Mas pronto, mentem. A minha questão consiste em saber se têm ou não o direito de mentir. Na minha opinião, têm. E digo-o enquanto pessoa mais insuspeita do mundo, pois não estou nem nunca estarei envolvido em actos políticos. Têm esse direito pois a esmagadora maioria das pessoas a quem se dirige os políticos não tem o direito à verdade. O jogo entre políticos e eleitorado não é marcado por critérios de verdade mas de ilusão. Ainda para mais, uma ilusão livre. Os políticos manipulam pessoas que aceitam ser manipuladas, mentem a pessoas que se deleitam com mentiras. A relação entre políticos e eleitores não resulta de um contrato racional entre agentes racionais mas de uma relação entre actores e público que se deleitam com o jogo de ilusões que se estabelece entre eles. O homo politicus, tanto o que elege (homo stultus), como o que é eleito (homo loquens), é sobretudo um homo ludens.
Quem explica isso muito bem é um conhecido filósofo chamado Platão. Para ele, os políticos infantilizam pessoas que se deixam infantilizar, dizendo-lhes o que elas gostam de ouvir independentemente do valor racional do que estão a ouvir. É por isso que um acto eleitoral, em vez de nos fazer chorar, deve fazer rir. Tanto políticos como o povo a quem se dirigem são risíveis.
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
» 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. |
Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer. |
Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia. |
É só fazer as contas - antónio gomes
» 2025-11-09
» António Gomes
Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos. A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos. |
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |
Se me for permitido - antónio mário santos
» 2025-10-18
» António Mário Santos
Em democracia, o voto do povo é soberano. Tanto os vencedores, como os vencidos, devem reflectir no resultado das opções populares, como na consequência para os projectos com que se apresentaram na campanha. Sou um dos perdedores. |
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» 2025-11-09
Os três salazares - jorge carreira maia |
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» 2025-11-09
» António Gomes
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» 2025-11-09
» Carlos Paiva
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» António Mário Santos
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