“Kanimambo!”
Opinião
» 2016-08-24
» Ricardo Jorge Rodrigues
Acabou. É muito raro eu começar um texto sem saber o que vou escrever. Mas, neste momento, não sei qual vai ser a próxima linha desta crónica. Enquanto escrevo estas linhas, estou a sobrevoar já o hemisfério norte e deixo Maputo cada vez mais longe. A ideia de nunca mais voltar a esta terra deixa-me, inexplicavelmente, um aperto forte no coração.
Foi uma verdadeira epopeia. Partir, sem saber o que me esperar, e viver tantos momentos inesquecíveis, enriqueceu-me para o resto da vida. Toda a gente deveria viver em África para compreender perfeitamente o que estou a escrever neste momento. As pessoas são o melhor que levo de Moçambique: a simpatia, o sorriso, aquele olhar doce de quem não sabe viver sem ser com o coração a comandar o cérebro.
E, depois, tudo o resto: a oportunidade de viajar e conhecer paisagens maravilhosas por Moçambique, pela Suazilândia e pela África do Sul; a experiência profissional que acumulei pela fantástica aventura que foi trabalhar em Moçambique; a oportunidade de fazer algo de bom numa terra que nos diz tanto, ficará para sempre.
O futuro em Moçambique é bastante incerto. E isso deixa-me triste, porque este povo não merece mais guerra. Merece paz. No entanto, passaram 41 anos desde a independência e os conflitos político-militares ameaçam de novo a estabilidade do país. A taxa de conversão da moeda desvaloriza o metical de forma galopante, as empresas estrangeiras fogem do país e os governantes continuam a agir como se nada fosse responsabilidade deles. O homem, mais uma vez, a destruir tudo o que a natureza deu a este pedaço de terra.
Custou bastante dizer adeus aos que ficam. À Laura, que me disse um dia, depois de me despedir dela, “você foi um bom patrão, ainda nem acredito que foi embora”; ao Vasco, o segurança do prédio onde vivi, que se despediu de mim e fez mais de 100 metros a olhar para trás a acenar com os braços; à Marlene, directora de uma empresa parceira da instituição onde trabalhei, que me disse “tenho tanta pena que vás embora”. É isto que fica.
No entanto, a ansiedade de voltar a ver os que mais amo fala mais alto. E a vida é isso mesmo: assumir riscos. Foi essa postura que me levou a sair da minha zona de conforto e é essa vontade de arriscar que me devolve agora a Portugal. Muito mais rico do que quando embarquei rumo a Maputo.
Termina aqui esta aventura. Muitas outras se seguirão, certamente. E terei sempre Maputo, ainda que à distância. Porque posso sair de Moçambique, mas Moçambique nunca sairá de mim. A todos aqueles que se cruzaram comigo nesta aventura, aos que sempre me apoiaram e a esta terra que me acolheu e para sempre amarei, fica uma palavra: kanimambo (obrigado).
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
“Kanimambo!”
Opinião
» 2016-08-24
» Ricardo Jorge Rodrigues
Acabou. É muito raro eu começar um texto sem saber o que vou escrever. Mas, neste momento, não sei qual vai ser a próxima linha desta crónica. Enquanto escrevo estas linhas, estou a sobrevoar já o hemisfério norte e deixo Maputo cada vez mais longe. A ideia de nunca mais voltar a esta terra deixa-me, inexplicavelmente, um aperto forte no coração.
Foi uma verdadeira epopeia. Partir, sem saber o que me esperar, e viver tantos momentos inesquecíveis, enriqueceu-me para o resto da vida. Toda a gente deveria viver em África para compreender perfeitamente o que estou a escrever neste momento. As pessoas são o melhor que levo de Moçambique: a simpatia, o sorriso, aquele olhar doce de quem não sabe viver sem ser com o coração a comandar o cérebro.
E, depois, tudo o resto: a oportunidade de viajar e conhecer paisagens maravilhosas por Moçambique, pela Suazilândia e pela África do Sul; a experiência profissional que acumulei pela fantástica aventura que foi trabalhar em Moçambique; a oportunidade de fazer algo de bom numa terra que nos diz tanto, ficará para sempre.
O futuro em Moçambique é bastante incerto. E isso deixa-me triste, porque este povo não merece mais guerra. Merece paz. No entanto, passaram 41 anos desde a independência e os conflitos político-militares ameaçam de novo a estabilidade do país. A taxa de conversão da moeda desvaloriza o metical de forma galopante, as empresas estrangeiras fogem do país e os governantes continuam a agir como se nada fosse responsabilidade deles. O homem, mais uma vez, a destruir tudo o que a natureza deu a este pedaço de terra.
Custou bastante dizer adeus aos que ficam. À Laura, que me disse um dia, depois de me despedir dela, “você foi um bom patrão, ainda nem acredito que foi embora”; ao Vasco, o segurança do prédio onde vivi, que se despediu de mim e fez mais de 100 metros a olhar para trás a acenar com os braços; à Marlene, directora de uma empresa parceira da instituição onde trabalhei, que me disse “tenho tanta pena que vás embora”. É isto que fica.
No entanto, a ansiedade de voltar a ver os que mais amo fala mais alto. E a vida é isso mesmo: assumir riscos. Foi essa postura que me levou a sair da minha zona de conforto e é essa vontade de arriscar que me devolve agora a Portugal. Muito mais rico do que quando embarquei rumo a Maputo.
Termina aqui esta aventura. Muitas outras se seguirão, certamente. E terei sempre Maputo, ainda que à distância. Porque posso sair de Moçambique, mas Moçambique nunca sairá de mim. A todos aqueles que se cruzaram comigo nesta aventura, aos que sempre me apoiaram e a esta terra que me acolheu e para sempre amarei, fica uma palavra: kanimambo (obrigado).
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