• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sábado, 23 Fevereiro 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Ter.
 22° / 6°
Céu limpo
Seg.
 22° / 6°
Céu limpo
Dom.
 22° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  21° / 7°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

F

Opinião  »  2018-07-12  »  José Ricardo Costa

"O futebol pode ter sido uma espécie de bengala do regime fascista. Mas o que temos hoje é o próprio regime democrático a ser uma bengala do futebol"

Admito ser um bocadinho conservador, sobretudo naqueles dias em que acordo com uma certa vontade de lavar os dentes com pasta medicinal Couto e de ter um mordomo chamado Jeeves para me trazer o fato às riscas enquanto faz o resumo do Financial Times. Mas reaccionário não sou. Um reaccionário é alguém que vê a sua atitude consubstanciada no popular Ó Tempo Volta para Trás de António Mourão. Dizia o filósofo Anthony Quiton, um conservador de Oxford, que um reaccionário é um “revolucionário do avesso”, quer dizer, em vez de salivar por um futuro que ainda não existe, saliva por um passado que já não existe. Quer isto dizer que há tanta parvoíce em ser reacionário como em ser revolucionário pois se é para salivar, que se salive, por pouco saboroso que seja, pelo que se tem no prato em vez do que já foi comido ou do que nunca se virá a comer.

Daí, ao contrário daqueles taxistas rabugentos que imploram três salazares para pôr ordem na nação, eu não ter arrebatamentos nostálgicos em relação ao fascismo, até porque só vivi os seus últimos 13 anos, que para mim foram os primeiros, isto é, ainda sem sexo, droga e rock n’roll, o que implica tirar à vida duas partes importantes da sua piada, já que a do meio é dispensável. Mas também não sou ingrato para desprezar o que o nosso fascismo tinha de simpático. Uma das coisas boas eram os míticos três éfes: Fátima, futebol e fado. Serei insuspeito nesta matéria. De futebol continuo a gostar mas, por muito excelente que seja o caldo verde com chouriço, não troco um animado concerto de pós-punk por uma noite de fados à luz da vela em que está tudo com aquele ar de quem já está há 10 minutos a ver um filme de Manoel de Oliveira enquanto uma voz esganiçada desabafa umas mágoas. Depois, tirando alguns santuários gastronómicos, nada me faz ter vontade de ir a Fátima, nem de carro e muito menos a pé pois para isso já me bastam as voltas à avenida depois de jantar e não tem a subida do Pafarrão.

Mas isso não me impede de reconhecer durante o fascismo uma mais democrática, racional e justa distribuição da alienação popular. Eusébio era um ídolo mas acompanhado de Amália, Marceneiro, Hermínia Silva, Nossa Senhora, pastorinhos, santinhos e priores em geral, dividindo-se assim o mal pelas aldeias, tão caras à paroquialidade salazarista. Hoje, pelo contrário, já não existem aldeias de alienação pois o fado deixou de esganiçar as gargantas do povo que agora esganiça os dedos pelas redes sociais, e a religião já não é o que era, estando tudo concentrado na megametrópole do futebol. A brilhante aura de um Eusébio, de um Hilário, de um Rolando ou de um Jacinto João seria anulada pelos potentes e prepotentes holofotes de Bruno de Carvalho, mulher de Bruno de Carvalho, ex-mulher de Bruno de Carvalho, filha de Bruno de Carvalho, 3652 psiquiatras de Bruno de carvalho, Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa e suas mulheres, Francisco J. Marques, Nuno Saraiva, Pedro Guerra, Dias Ferreira, Dolores Aveiro e netos, Octávio Machado e seus clones, o bombeiro Marta, André Ventura, emails, escutas, fruta, apito dourado, túnel, esquemas, sistema, arbitragens, VAR, mão na bola ou bola na mão, estatutos, providências cautelares, assembleias gerais, conferências de imprensa em directo antes dos jogos, depois dos jogos e quando não há jogos ou só mesmo um solitário microfone em cima da mesa.

O futebol pode ter sido uma espécie de bengala do regime fascista. Mas o que temos hoje é o próprio regime democrático a ser uma bengala do futebol, a criatura tornada monstro que com as suas garras esganiça a democracia. De um futebol na era fascista passámos assim à era do futebol fascista: totalitário, despótico e concentracionário. Inconformado com este fado e esta nova e única religião, serei pois reacionário, preferindo honrar a memória de um tempo em que o futebol só luzia graças a jogadores, sua única e verdadeira casta, que apenas jogavam para nos darem alegrias e tristezas.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Remodelação, Bloco, Greves e Exames »  2019-02-22  »  Jorge Carreira Maia

1. REMODELAÇÃO DO GOVERNO. A importância da remodelação do governo ocorrida no início da semana é, do ponto de vista da orientação política, tendencialmente nula.
(ler mais...)


Mulher »  2019-02-21  »  Margarida Oliveira

Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer.
(ler mais...)


Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar. »  2019-02-21  »  José Ricardo Costa

Por estranho que pareça, houve um tempo em que se ia ao restaurante sobretudo para comer. Sim, também para conviver, comemorar, fazer negócios, mas sempre com o prazer da boa mesa como alvo. Nós, portugueses, para além de comer adoramos falar sobre o que comemos, nem que seja para lembrar, com a expressão lúbrica do lobo dos desenhos animados, o maravilhoso cabrito com grelos que comemos há 20 anos.
(ler mais...)


Aero… coisa, mas muito séria »  2019-02-21  »  António Gomes

A noticia teve origem na informação prestada em reunião de câmara pelo vice-presidente da mesma: aeroporto internacional, 4 Kms de pista, 160 voos/dia, 200 milhões de investimento, etc..

E foi apresentada com pompa e circunstância, uma grande mais valia para Torres Novas e arredores.
(ler mais...)


Opções »  2019-02-21  »  Anabela Santos

E de repente, quando somos agradavelmente surpreendidos por um montante razoável em euros de que não estávamos à espera, a reação é de espanto e de alegria. Faz falta, é sempre bem vindo.

A partir do momento em que recebemos tão agradável notícia, impõe-se um pensamento … o que fazer com todo o dinheiro recebido?
O mais correto e consciente seria poupar, mas como há tantas coisas pendentes que nunca foram resolvidas por não haver essa tal quantia, a hipótese da poupança põe-se logo de parte.
(ler mais...)


Para quê tanto vermelho? »  2019-02-21  »  Ana Sentieiro

O Dia de São Valentim é, à semelhança do Carnaval, do Dia da Mulher, do Dia da Aproximação do Pi ou do próprio Dia do Pi, uma celebração à qual não foi atribuída o estatuto de feriado e, como tal, não é respeitada no agregado de festividades.
(ler mais...)


Beija o chão e abraça a humilhação »  2019-02-15  »  Ana Sentieiro

Olá! O meu nome é Ana, mas podes tratar-me por “caloira” num tom agressivo e um tanto incomodativo ou, se preferires, “besta”, acompanhado com “Enche vinte!” entoado de um modo pouco sugestivo.
Desde miúdos que somos inevitavelmente encurralados, durante um almoço com amigos dos nossos pais, no meio de breves golos de cerveja e rápidas trincas no papo-seco com patê de atum, na conversa dos “áureos tempos de faculdade”… Esta conversa consiste na partilha de histórias que remontam ao tempo em que todos eles possuíam um farfalhudo cabelo e conseguiam apertar o cinto das calças, bem como subir ao segundo andar sem se agarrarem ao corrimão com a língua de fora e a respiração acelerada.
(ler mais...)


Caixa, Marcelo, Venezuela e Papa »  2019-02-08  »  Jorge Carreira Maia

1. CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS. O que se tem vindo a saber da Caixa Geral de Depósitos dá razão aos que, na União Europeia, julgam ser necessário impor uma espécie de protectorado aos países do sul da Europa.
(ler mais...)


Lisboetas? »  2019-02-07  »  Inês Vidal

Tento fazer este exercício: o que é que as pessoas que não conhecem Torres Novas ficaram a saber sobre o nosso concelho, depois de lerem o artigo publicitário disfarçado de reportagem, que saiu no sábado numa alegada revista, de um honrado semanário nacional? Ora bem.
(ler mais...)


Caminhamos para o abismo »  2019-02-07  »  António Gomes

Foi recentemente colocado em discussão pública (já terminada) o Plano Estratégico Educativo Municipal para os próximos 4 anos. Este plano é da responsabilidade da autarquia, que o encomendou a um centro de estudos da Universidade Nova de Lisboa coordenado pelo professor David Justino.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-01-28  »  Inês Vidal Quim
»  2019-01-25  »  Jorge Carreira Maia Lições de História
»  2019-01-30  »  Gabriel Feitor O Ribatejo foi, mais uma vez, adiado
»  2019-02-07  »  Inês Vidal Lisboetas?
»  2019-02-08  »  Jorge Carreira Maia Caixa, Marcelo, Venezuela e Papa