• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 25 Abril 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 26° / 10°
Períodos nublados
Sáb.
 23° / 8°
Céu limpo
Sex.
 17° / 9°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  16° / 10°
Períodos nublados com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O Cacetete

Opinião  »  2018-12-19  »  Miguel Sentieiro

Neste momento de convulsão social, com inúmeras classes profissionais em greve, existe uma em particular que não me consegue deixar indiferente. A greve dos guardas prisionais acontece por uma clara falta de diálogo e de desconhecimento por parte dos sindicatos do plano estratégico mais profundo que se trata da criação de um novo super herói tuga chamado “Guarda Prisional numa cadeia portuguesa” ou GPCP. De facto, longe dos holofotes da comunicação social, foi criado um protocolo com a Marvel Comics para a substituição de personagens já algo desgastadas como o Homem Aranha, Capitão América, Hulk, Thor, Tocha Humana e afins.

Fartos de fazerem sequelas com o tipo a lançar teias de aranha pelos pulsos e a vestir fatos de licra esquisitos, a Marvel descobriu em Portugal um terreno fértil para o surgimento de um novo Herói: o GPCP ou na versão Hollywoodesca “The Jail Man”. Conseguimos, com recurso ao método Correio da Manhã, interceptar algumas conversas da discussão na fase embrionária do projeto entre responsáveis da Marvel e alguém do ministério da Justiça, para percebermos como tudo começou.

Apesar de cientes da importância que um herói lusitano poderia ter na imagem do país lá fora, percebemos que os responsáveis portugueses não abdicariam de princípios chave nas negociações: O fato de licra é que não! Quanto ao resto, tudo poderia ser arrojado, mesmo a puxar para o inverosímil. O enredo começaria assim: “Um indivíduo que parece normal, sai de casa com a lancheira debaixo do braço e prepara-se para entrar dentro de uma prisão de alta segurança com 20 bandidos… 20?… 20 é pouco,… metemos 50 (diz o tipo da Marvel),… eu avançava logo para os 100,… mas para estarmos aqui a falar de Heróis, mandamos-lhe com 200 e não ficam dúvidas sobre o seu desempenho (contrapõe o responsável político).”

E assim surge a notícia “Na prisão de Santa Cruz do Bispo um guarda prisional consegue dar conta de 200 reclusos no refeitório”. Percebendo que estão no bom caminho na construção do Super Guarda, foram ainda mais longe e decidiram que tinham de dar ferramentas extra aos vilões para que o Jail Man brilhasse ao mais alto nível. Se o Homem Aranha se debateu contra o Duende Verde que voava com recurso a jactos acopolados nos pés, o Capitão América aniquilou o Caveira Vermelha munido de super poderes aterradores, também o nosso Super Guarda teria de ter vilões à altura. “Mas o facto de serem 200 bandidos não chega? Não. Para isso temos o John Rambo, que deu cabo de 90 mauzões armados até aos dentes em menos de um fósforo. Temos de facultar aos bandidos armas para tornarem a acção do Guarda solitário ainda mais estóica.

”Dar salas de musculação aos bandidos para estes poderem ficar mais fortes e robustos na hora de andarem à lambada, dar telemóveis com internet aos bandidos para estes poderem comunicar com os bandidos lá de fora na hora de precisarem de mais “armamento” pesado e dar um cacetete muito duro ao Guarda para ele se fazer respeitar na hora em que fica sozinho em frente de 200 musculados e rudes bandidos. Tudo estava a correr às mil maravilhas nesta construção do super personagem, quando entraram os picuinhas representantes sindicais a reivindicarem mais guardas nas cadeias. “Shiuuu ó chato! O rácio de 200 para 1 compatível com um super herói está feito!… deixa-te disso!” A ministra da Justiça, tentando salvar o acordo com a Comics (nome sugestivo), ainda veio dizer que este não seria o momento adequado para a greve. Que os reclusos precisavam de receber as famílias num espaço de tempo inferior a 5 dias (parece que alguns não passariam sem o bolo rei da sogra feito com brindes escondidos).

Tentou mendigar junto dos responsáveis da Marvel que adiassem a estreia mundial da sequela “Os Vingadores” garantindo que o Super Guarda iria entrar em breve numa acção espectacular com recurso a bonés, canivetes suíços e panelas de cozinha, mas eles mostraram pouca vontade de esperar. Numa acção desesperada, os reclusos fizeram um motim com palavras de ordem “queremos um super-guarda… só, para nós!!!” E começaram a pegar fogo aos colchões que tinham à mão. Ainda chamaram o Jail Man para ver se o podiam imolar ao que ele respondeu: “Caros reclusos deixem-se disso que o Tocha Humana é personagem de outra história! Vejam lá se não querem que eu vista o meu fato de super herói e aplique de forma algo agressiva um duro cacetete na vossa frágil moleirinha…; assim, à falta de melhor, sempre posso fazer parte da sequela “os vingadores”…”

 

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame »  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia

AS SONDAGENS E AS FAMÍLIAS. As sondagens reflectem já o desgaste que os socialistas estão a sofrer devido à trapalhada em que se meteram com as ligações familiares na governação.
(ler mais...)


O porco »  2019-04-20  »  Inês Vidal

Sentei-me no café a tentar escrever este “vinte”. Erro. A ideia que trazia, rapidamente se confundiu com a voz que esganiçada me ecoava repetidamente ao ouvido, vinda de uma televisão em altos berros, a história do terror – muito terror – de um jovem, um homem e um cão.
(ler mais...)


A FALTA DE ÉTICA QUE ANDA POR AÍ »  2019-04-20  »  João Lérias

Com os recentes casos das nomeações de pais e filhas, maridos e mulheres, primos e sei lá que mais, o país parece ter acordado para uma nova realidade que, não sendo nova, desta vez, sobretudo pela sua dimensão, é censurável.
(ler mais...)


A vitória do Chile »  2019-04-20  »  José Ricardo Costa

Torres Novas é uma terra cheia de ruínas, o que dá uma enorme tristeza e uma espécie de infelicidade urbana para a qual não conheço palavra. Ruínas não deveriam ser onde vivem pessoas mas em Pompeia, castelos na Escócia, abadias em Inglaterra ou anfiteatros na Grécia, onde apenas vivem fantasmas pacificamente misturados com turistas que chegam e logo partem.
(ler mais...)


A transparência das águas »  2019-04-20  »  António Gomes

Neste novo ano entrou em vigor um novo tarifário: pode-se mesmo dizer um novo e radical tarifário da empresa “Águas do Ribatejo”. A Águas do Ribatejo é uma empresa pública detida a 100% por 7 municípios do Ribatejo e que tem vindo a reerguer os sistemas de abastecimento de água e de saneamento que se encontravam na generalidade dos casos em péssimas condições.
(ler mais...)


Amor, vamos dar um tempo »  2019-04-20  »  Ana Sentieiro

Puberdade, temo que interpretes as minhas palavras de modo leviano, mas penso que chegámos àquele momento da relação em que já não faz sentido continuar. Desculpa, não tenciono desvalorizar o teu impacto em mim ou na minha vida nestes últimos anos que tivemos juntos, aliás, qualquer pessoa perceberia, ao olhar para a minha cara, iluminada por um tímido sorriso, que a tua presença era constante, quase como se fossemos um só.
(ler mais...)


Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia »  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS. Ainda há que passar pelas eleições para o Parlamento Europeu, mas o acto político decisivo só chega com as legislativas. Aquilo que até aqui parecia inevitável, uma vitória com maioria relativa do PS e uma derrota da direita, não estará completamente seguro.
(ler mais...)


A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo »  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia

A FAMÍLIA SOCIALISTA. O governo parece um lugar de convívio de famílias amigas. Não bastava já haver um casal de ministros e um ministro pai e uma ministra filha desse pai, agora a mulher de um outro ministro foi nomeada chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, cargo ocupado anteriormente pelo marido.
(ler mais...)


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)


O Nhonhinhas »  2019-03-22  »  Miguel Sentieiro

A nonhinhisse como fenómeno social surgiu para nos pôr à prova. Entrou nas nossas vidas sem se dar por isso, mas percebemos o efeito corrosivo que tem no nosso bem estar. Um indivíduo coloca-se na fila de uma repartição comercial.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia
»  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame
»  2019-04-20  »  José Ricardo Costa A vitória do Chile
»  2019-04-20  »  António Gomes A transparência das águas
»  2019-04-20  »  Ana Sentieiro Amor, vamos dar um tempo