• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 16 Junho 2024    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 22° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 23° / 16°
Períodos nublados com chuva moderada
Seg.
 27° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  26° / 13°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

25 de Abril e 25 de Novembro - jorge carreira maia

Opinião  »  2024-05-05  »  Jorge Carreira Maia

Por que razão a França só comemora o 14 de Julho, o início da Revolução Francesa, e não o 27 ou 28 de Julho? O que aconteceu a 27 ou 28 de Julho de tão importante? A 27 de Julho de 1794, Maximilien Robespierre foi preso e a 28, sem julgamento, foi executado. A França libertava-se do regime do Terror, um regime sangrento, onde muitos milhares de franceses (talvez entre 16 mil e 40 mil) foram guilhotinados. Os franceses, porém, não vêem a libertação no fim da deriva extremista da Revolução Francesa, mas no seu dia inaugural. Ora, em Portugal, sítio onde nada de semelhante se viveu, parece que uma parte das elites políticas de direita precisa do aconchego do 25 de Novembro para engolir a pílula amarga do 25 de Abril. Por que será?

Em França, tanto os jacobinos de Robespierre (os radicais) como os girondinos (os moderados) estiveram do lado da Revolução. Ambos se reconheciam no 14 de Julho. Em Portugal, em 1974, as coisas não foram assim. Com honrosas excepções, como as de Nuno Rodrigues dos Santos, Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e mais uns quantos velhos republicanos e ex-deputados da ala liberal da Assembleia Nacional ou, mais atrás, figuras como Cunha Leal, Jaime Cortesão, Azevedo Gomes e, por certo, Norton de Matos e Humberto Delgado, toda a direita estava com o regime caído a 25 de Abril. Não houve uma tradição consistente da direita democrática em oposição à ditadura. Quando se dá o 25 de Abril, a oposição era quase toda (mas não toda) de esquerda (com vários matizes), não havendo uma direita democrática organizada.

Parte da direita não se reconhece no 25 de Abril, não por causa da deriva revolucionária e do gonçalvismo, mas por aquilo que a data representa: o fim da ditadura e a abertura do caminho para uma autêntica democracia representativa. O 25 de Novembro é usado para tapar a grande decepção que foi o fim do regime do Estado Novo. O mais estranho é que mesmo o 25 de Novembro foi arquitectado e dirigido por militares e políticos de esquerda, a começar por Mário Soares e a acabar no General Costa Gomes, para não falar em Vasco Lourenço ou Melo Antunes. O 25 de Novembro teve dois derrotados. A extrema-esquerda militar e civil, mas também a extrema-direita que queria aproveitar o momento para ilegalizar o PCP e outros partidos à esquerda do PCP. O 25 de Novembro não pôs fim a nenhum regime de Terror nem a nenhuma ditadura, que não existiam. Serviu para baixar a elevada tensão política no país, eliminar a influência esquerdista nos militares e pôr ordem nos quartéis. Foi uma correcção e um ajustamento, não uma libertação. Dia da libertação só há um, o 25 de Abril e mais nenhum.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Lições da História - acácio gouveia »  2024-06-13  »  Acácio Gouveia

“A História não se repete, mas rima por vezes”, Mark Twain

 Vinte e sete meses após o início da guerra na Ucrânia, temos generais e comentadores nos meios de comunicação social portugueses: (I) a justificar a legitimidade da invasão; (II) a profetizar a total e inelutável vitória de Putin; (III) e tentar convencer-nos que este assunto tem pouco ou nada a ver com Portugal e com os demais países europeus.
(ler mais...)


Do rescaldo da festa à realidade da Europa - antómio mário santos »  2024-06-11  »  António Mário Santos

Vivemos, na Europa, tempos difíceis. As eleições europeias, que se desenrolarão no próximo domingo, podem apontar para o fim da União Europeia como hoje a conhecemos. O avanço da extrema direita, racista e xenófoba, na maioria dos países europeus, veio ressuscitar o velho problema das nacionalidades e das suas fronteiras, dos impérios coloniais arrumados nos armários da história, da milenária contenda entre a ciência e a fé, da economia neoliberal assente no conceito do Estado-Nação e nos direitos fundamentais da cidadania democrática.
(ler mais...)


Nascente do Almonda: há outro caminho - jorge salgado simões »  2024-06-11  »  Jorge Salgado Simões

Tem sido difícil assistir a tudo o que se tem passado em torno da nascente do Almonda nos últimos anos, um conflito exacerbado por dois lados com interesses legítimos, mas incapazes de construir qualquer benefício para um património que todos dizem querer valorizar.
(ler mais...)


Teixeira de Queiroz e o mundo português - jorge carreira maia »  2024-06-11  »  Jorge Carreira Maia

Hoje desconhecido do grande público, Francisco Teixeira de Queiroz foi um dos grandes escritores portugueses dos finais do século XIX e inícios do século XX. A Imprensa Nacional começou, em 2020, a republicar as obras do escritor nascido em Arcos-de-Valdevez, que chegou a ser deputado e Ministro dos Negócios Estrangeiros na Primeira República.
(ler mais...)


Feiras sem estórias - carlos paiva »  2024-06-11  »  Carlos Paiva

Segundo pesquisa da TSF, em Portugal no ano de 2015, ocorreram 40 eventos no contexto de "feira medieval", ou similar relacionado com esta temática. Após uma pesquisa online breve, não sistematizada, para o ano de 2023, contei 86.
(ler mais...)


Agora, também às cegas - antónio gomes »  2024-06-11  »  António Gomes

A Assembleia Municipal de Torres Novas inaugurou um novo método de decisão. Até agora, acontecia de quando em vez, sem debate ou contraditório, apenas decidia porque as maiorias absolutas assim votavam, assumindo-se como travão ao debate e à transparência.
(ler mais...)


Gerações de traidores - acácio gouveia »  2024-05-25  »  Acácio Gouveia

“Antigamente, quando o vale do Kusun estava coberto de floresta, havia ali muitas martas-zibelinas. Agora é desértico.”

Vladimir Arseniev in ´Dersu Uzala

 As acções dos jovens activistas que protestam contra as alterações climatéricas estão na ordem do dia.
(ler mais...)


Renova, que queres tu? - antónio gomes »  2024-05-25  »  António Gomes

Mais um ‘Dia da Espiga’, mais um dia de convívio na nascente do rio Almonda, mais um dia de intimidação e prepotência perpetrados pela empresa Renova.

O Ministério Público acabou de arquivar os processos movidos contra 12 cidadãos que o ano passado tiveram a “desfaçatez” de ir assinalar o Dia da Espiga, exactamente no mesmo local onde gerações anteriores sempre o fizeram.
(ler mais...)


Reflexões sobre a posse da água - antónio mário santos »  2024-05-25  »  António Mário Santos

 

Passadas as comemorações do 50.º Aniversário do 25 de Abril, sobreveio a festa pagã da enunciação da Primavera, que a religião cristã transformou na 5ª feira da Ascensão de Cristo ao céu que é, nas cidades e vilas urbanas de significativo peso rural, feriado municipal.
(ler mais...)


O desafio à ordem liberal - jorge carreira maia »  2024-05-25  »  Jorge Carreira Maia

Assistimos, nos dias de hoje, ao maior desafio que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi colocado à cosmovisão liberal. Esta visão do mundo não diz respeito apenas à economia. Ela é, fundamentalmente, uma perspectiva assente nos direitos individuais e em regimes pluralistas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2024-05-25  »  Acácio Gouveia Gerações de traidores - acácio gouveia
»  2024-05-25  »  José Ricardo Costa Todos os Nomes - josé ricardo costa
»  2024-05-25  »  Jorge Carreira Maia O desafio à ordem liberal - jorge carreira maia
»  2024-06-13  »  Acácio Gouveia Lições da História - acácio gouveia
»  2024-05-25  »  António Mário Santos Reflexões sobre a posse da água - antónio mário santos