Eu avisei, mas riram-se de mim
Opinião
» 2015-01-22
» Ricardo Jorge Rodrigues
Invadir a Europa não começa numa ofensiva a cavalo como se fosse uma qualquer batalha da Idade Média. Invadir a Europa começa por ganhar Kobani, na Síria – batalha que se disputa há quase meio ano e que motivou as forças internacionais a apoiar os Curdos que aí resistem – e, daí, poder entrar na Turquia; invadir a Europa pode ser conquistando forças de apoio numerosas entre os jovens que se sentem traídos por taxas de desemprego elevadíssimas no mundo ocidental; invadir a Europa pode ser atacar o coração de Paris. O nosso coração.
O mais assustador é que este pode não ter sido o ataque final. Este pode apenas ser o primeiro de muitos. Sinto-me, confesso, assustado. Mais do que em 2001 porque os objectivos do Estado Islâmico estão, como já referi, mais bem sustentados e são mais ambiciosos: um mundo sob a sua égide. Estamos a falar de um grupo constituído por elementos que foram expulsos da Al-Qaeda por serem ”demasiado cruéis”. A forma como matam, degolam e promovem a barbárie e o sangue mostram-nos que o nome de qualquer Deus é apenas uma máscara para uma pandilha do terror. Que tem de ser neutralizada, rapidamente.
O mundo nem sempre foi como o conhecemos e as várias mutações que já sofreu começaram, invariavelmente, em pequenos movimentos que agiam em nome de um qualquer Deus ou de um povo oprimido. Prometem, sempre, uma vida melhor a uma facção minoritária. Claro que, como me irão alertar, nem todos os muçulmanos são terroristas ou extremistas: claro que não. Mas não é com essa maioria que temos que nos preocupar: é com a minoria que ataca a redacção de um jornal a sangue-frio, pegando em armas para combater lápis de cor, que temos que nos preocupar.
É certo que muitos dirão que tudo foi ensaiado pelos governos ocidentais como forma de justificar ataques discriminados sobre o Estado Islâmico. Disso não tenho qualquer dúvida. Compete a cada um saber o limite da informação que recolhe e daquela que vê. São coisas diferentes e o ver implica a reflexão própria de quem pode pensar por si. De quem, no fundo, não vive na alçada do Estado Islâmico.
O último cartoon de Stephane Charbonnier, director do Charlie Hebdo, retratava um jihadista que dizia: ”Ainda não houve atentados em França. Esperem! Temos até ao fim de Janeiro para apresentar os nossos votos [de Ano Novo]”. Que crime sanguinário este, não é? Charb, como era conhecido, morreu por fazer o que mais amava e isso esbarrou na tirania da cegueira. Este atentado cobarde, que opôs o melhor e o pior deste mundo, irá eternizar apenas a memória dos que morreram. E, no fundo, é essa a liçã a força do amor será sempre mais forte que a do terror. Por mais balas que disparem.
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Eu avisei, mas riram-se de mim
Opinião
» 2015-01-22
» Ricardo Jorge Rodrigues
Invadir a Europa não começa numa ofensiva a cavalo como se fosse uma qualquer batalha da Idade Média. Invadir a Europa começa por ganhar Kobani, na Síria – batalha que se disputa há quase meio ano e que motivou as forças internacionais a apoiar os Curdos que aí resistem – e, daí, poder entrar na Turquia; invadir a Europa pode ser conquistando forças de apoio numerosas entre os jovens que se sentem traídos por taxas de desemprego elevadíssimas no mundo ocidental; invadir a Europa pode ser atacar o coração de Paris. O nosso coração.
O mais assustador é que este pode não ter sido o ataque final. Este pode apenas ser o primeiro de muitos. Sinto-me, confesso, assustado. Mais do que em 2001 porque os objectivos do Estado Islâmico estão, como já referi, mais bem sustentados e são mais ambiciosos: um mundo sob a sua égide. Estamos a falar de um grupo constituído por elementos que foram expulsos da Al-Qaeda por serem ”demasiado cruéis”. A forma como matam, degolam e promovem a barbárie e o sangue mostram-nos que o nome de qualquer Deus é apenas uma máscara para uma pandilha do terror. Que tem de ser neutralizada, rapidamente.
O mundo nem sempre foi como o conhecemos e as várias mutações que já sofreu começaram, invariavelmente, em pequenos movimentos que agiam em nome de um qualquer Deus ou de um povo oprimido. Prometem, sempre, uma vida melhor a uma facção minoritária. Claro que, como me irão alertar, nem todos os muçulmanos são terroristas ou extremistas: claro que não. Mas não é com essa maioria que temos que nos preocupar: é com a minoria que ataca a redacção de um jornal a sangue-frio, pegando em armas para combater lápis de cor, que temos que nos preocupar.
É certo que muitos dirão que tudo foi ensaiado pelos governos ocidentais como forma de justificar ataques discriminados sobre o Estado Islâmico. Disso não tenho qualquer dúvida. Compete a cada um saber o limite da informação que recolhe e daquela que vê. São coisas diferentes e o ver implica a reflexão própria de quem pode pensar por si. De quem, no fundo, não vive na alçada do Estado Islâmico.
O último cartoon de Stephane Charbonnier, director do Charlie Hebdo, retratava um jihadista que dizia: ”Ainda não houve atentados em França. Esperem! Temos até ao fim de Janeiro para apresentar os nossos votos [de Ano Novo]”. Que crime sanguinário este, não é? Charb, como era conhecido, morreu por fazer o que mais amava e isso esbarrou na tirania da cegueira. Este atentado cobarde, que opôs o melhor e o pior deste mundo, irá eternizar apenas a memória dos que morreram. E, no fundo, é essa a liçã a força do amor será sempre mais forte que a do terror. Por mais balas que disparem.
Candidato à altura…
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» Hélder Dias
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Foi em legítima defesa!
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Heil Trump
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Não há volta a dar. Não há volta a dar? - antónio mário santos
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Não há volta a dar. Trump aplicou a doutrina Monroe e mais do que ela, segundo afirmou na conferência de imprensa sobre a captura de Maduro e de quem é quem no governo venezuelano. Os Estados Unidos da América irão governar, até haver uma transição, quando a considerarem, a seu interesse, possível. |
A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. |
Silvester - carlos paiva
» 2026-01-14
» Carlos Paiva
A primeira corrida de S. Silvestre aconteceu no Brasil, em 1925. Assinala a data do falecimento de S. Silvestre, o trigésimo terceiro Papa, em 31 de Dezembro de 335. Foi durante o seu pontificado que terminou a perseguição romana aos cristãos. |
O primeiro orçamento deste novo ciclo autárquico é a prova dos nove - antónio gomes
» 2026-01-14
» António Gomes
Veremos o que aí vem, uma coisa é certa, orçamento que não olhe para o TUT e para o futuro da mobilidade urbana sustentável no território concelhio, assegurando um serviço de qualidade que passa, necessariamente, pelo aumento de autocarros a circular e alargando o seu âmbito territorial, não é um orçamento para o povo. |
Piratas!...
» 2026-01-04
» Hélder Dias
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Greve vitoriosa, esquerda derrotada - jorga carreira maia
» 2025-12-22
» Jorge Carreira Maia
Não foram os sindicatos, tanto os da UGT como os da CGTP, acusados, pelo governo, de estarem, com a greve-geral de dia 11, a fazer o jogo dos partidos de esquerda? E não foram os sindicatos os vencedores, pela forma como tornaram visível o perigo para os trabalhadores que as propostas do governo representavam? Foram. |
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» 2026-01-04
» Hélder Dias
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
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» Hélder Dias
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