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Muro

Opinião  »  2011-08-18  »  Élio Batista

As memórias que a Alemanha conserva da história recente não ocorrem apenas porque sim. Os factos marcantes que se desencadearam no centro da Europa, a partir de meados do século XX, não são, como é óbvio, relatados com orgulho e, as referências à Alemanha nazi nas diversas exposições que visíveis nas ruas e museus de Berlim são, indirectamente, contadas na terceira pessoa. E com uma distância tão profunda que até parece ficção, por exemplo, a questão dos seis milhões de judeus assassinados pelo regime de Hitler.

Em 1961, 15 anos depois de se ter vivido um dos momentos mais negros na história da humanidade, foi erguido o muro que dividiu a Alemanha, a Europa e o mundo, instituindo uma nova ordem internacional. Ao longo de 28 anos, muitas famílias viram aquela barreira física interferir nas suas relações e 136 pessoas, homens, mulheres e crianças, foram mortos por guardas fronteiriços ao tentarem passá-lo. Assinalaram-se, agora, os cinquenta anos desde que o muro foi erguido. O que existe, hoje, são apenas memórias de um passado não muito distante e a grande atracção de Berlim centra-se em torno do muro e do que resta dele.

O muro de Berlim é, nos dias que correm, uma marca que atrai turistas e que vende muito bem. Em cada esquina há um motivo que leva os turistas a deixarem uma moeda a troco de uma simples recordação. No ”Check Point Charlie”, importante local de transição entre o domínio político americano e soviético no período do muro, um homem, com uma farda a rigor, cobra uma moeda por uma ”flashada” à trincheira. Mais à frente, nas Portas de Brandemburgo, um outro militar carimba réplicas de passaportes que eram necessários quando havia movimento de pessoas entre as zonas divididas.

Actualmente, dos mais de 40 quilómetros de muro que existiu, restam alguns pedaços que hão-de ficar de pé até que o tempo o permita. O muro, que durante décadas dividiu aquele país, o paredão a que muitos chamaram o ”muro da vergonha”, foi tão eficazmente transformado numa marca que hoje tudo gira à sua volta.

 

 

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