Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=www.jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-bcf525c2): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 12 Junho 2026    •      Directora: Inês Vidal    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 32° / 17°
Céu limpo
Dom.
 33° / 18°
Céu limpo
Sáb.
 38° / 19°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  38° / 23°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Êxodos de ontem e de hoje

Opinião  »  2015-09-11  »  Maria Augusta Torcato

"Os tempos que foram e os tempos que são têm marcas gravadas em si que perdurarão. Entre essas marcas estão os êxodos."

Os tempos que foram e os tempos que são têm marcas gravadas em si que perdurarão. Entre essas marcas estão os êxodos. Os tempos que virão, porventura, continuarão a tatuar no seu corpo o que representa qualquer êxodo: a fuga à pobreza; a fuga à guerra; a fuga aos extremismos religiosos ou políticos; a fuga às ditaduras e opressões; a fuga à miséria; a fuga à morte física ou psicológica.

Olha-se para o passado e para o presente e o paralelismo que se lhes encontra é tão acentuado que quase magoa. Os refugiados e migrantes que atravessam agora o mar Mediterrâneo lembram a fuga dos hebreus do Egito. O mar, porém, para aqueles, não se abre, para lhes permitir a passagem e a libertação, antes, enrola-os nos seus braços e adormece-os, como a precaver o sofrimento que ainda advirá. Todos os que chegam ou desejam chegar à Europa, na busca de uma vida, lembram os judeus durante a segunda guerra mundial, os que conseguiram escapar, os que morreram e os que foram enviados para os campos de concentração nazis. Revivem-se as fugas ou as tentativas de fuga; a restrição a espaços, aparentemente, de ninguém; o depósito em campos; a construção de muros e barreiras de arame farpado; os comboios apinhados; os acantonamentos, os magotes de gente cansada, suja, com fome e sede que traz a vida em sacos de plástico ou mochilas. Revivem-se os polícias armados, algumas vozes compassivas, mas que não têm eco, a indiferença, o alheamento e a incapacidade de decisão dos que, tendo responsabilidades políticas, sociais e humanas, receosos da alteração à ordem estabelecida, adiam as ações, como se uma vida humana, seja de um adulto ou de uma criança, se compadecesse com esperas.

Por muita pena que se tenha, por muito solidário que se seja, o que se percebe é que, para a maioria das pessoas, o melhor era fazer-se alguma coisa, mas longe, quanto mais longe melhor. Longe da vista, longe do coração. O grande problema é que só não vê quem não quer mesmo.

Toda a estrutura social que nós conhecemos e integramos terá, inevitavelmente, de ser reformulada. As divisões, as desigualdades, as discriminações, o ódio por povos, culturas e religiões diferentes são inaceitáveis e não contribuem, de todo, para a melhoria da vida humana. Muito pelo contrário, confluem, precisamente, para os êxodos, logo, são responsáveis pelas suas causas.

Diz-se que os perigos são reais, mas o medo é uma escolha. Quem arrisca a vida, dispondo-a para a morte, aparentemente de modo tão fácil, na travessia de um mar num bote inseguro, no salto para um comboio em movimento, num rastejar sob arame farpado, num esconderijo sem ar, na confiança depositada num criminoso, parece ter escolhido não ter medo. Resta perceber o quanto lhe custou chegar a esse estado em que a morte parece ser melhor do que a vida. Paradoxalmente, é a ânsia, desejo e busca de uma outra vida que parece justificar o risco e perigo de morte. Tudo valerá a pena se…se se chegar a um espaço que permita ser pessoa. Paradoxalmente, qualquer pessoa tem direito a um espaço onde possa ser pessoa. Paradoxalmente, nem todas as pessoas conseguem ser pessoas, ou reconhecidas como tal, mesmo num espaço de pessoas.

O pior êxodo é o que o ser humano faz de si próprio, quando faz emigrar de si toda a empatia e humanismo. E este tipo de êxodo, curiosamente, parece estar a assolar aqueles que não cumprem os requisitos de integração num êxodo e que são os arquétipos dos que personificam os êxodos.

Quanto vale, para cada um de nós, uma vida humana? Será que há vidas e vidas? E nós? Em quais vidas nos incluímos?

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia »  2026-06-07  »  Jorge Carreira Maia

 

A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano.
(ler mais...)


Minudências que consomem - carlos paiva »  2026-06-07  »  Carlos Paiva

A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas.
(ler mais...)


O precipício ao virar da esquina - antónio mário »  2026-06-07  »  António Mário Santos

Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político.

O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita.
(ler mais...)


A verdade dos números - antónio gomes »  2026-06-07  »  António Gomes

Realizou-se recentemente um debate sobre segurança e criminalidade em Torres Novas, promovido pela respectiva Assembleia Municipal e que contou com um conjunto de entidades oficiais – Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, comandante do Destacamento territorial da GNR, subcomissário da esquadra da PSP de Torres Novas, do coordenador da protecção Civil concelhia e ainda da procuradora da República e coordenadora da Comarca de Santarém.
(ler mais...)


Labregos & rufiões - acácio gouveia »  2026-06-07  »  Acácio Gouveia

(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1

Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira.
(ler mais...)


O rio que maltratamos mata-nos a sede »  2026-05-18  »  António Mário Santos

Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo.
(ler mais...)


Da importância da redenção »  2026-05-18  »  Jorge Carreira Maia

Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo.
(ler mais...)


Obras públicas concelhias »  2026-05-18  »  António Gomes

Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário.

Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar.
(ler mais...)


Todo bem vestido e sem sítio para ir »  2026-05-18  »  Carlos Paiva

Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório.
(ler mais...)


A aposta na mobilidade não pode parar »  2026-05-04  »  António Gomes

Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-05-18  »  Jorge Carreira Maia Da importância da redenção
»  2026-05-18  »  Carlos Paiva Todo bem vestido e sem sítio para ir
»  2026-05-18  »  António Gomes Obras públicas concelhias
»  2026-05-18  »  António Mário Santos O rio que maltratamos mata-nos a sede
»  2026-06-07  »  Jorge Carreira Maia A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia