A Ignorância estimulada ~jorge cordeiro simões
Opinião
» 2023-10-08
» Jorge Cordeiro Simões
A noite passada a insónia atacou-me e depois da meia-noite saí para mais uma passeata nocturna que uma vez mais me levou até junto da ponte da Levada onde se encontram a tarambola e a estátua de D. Afonso Henriques, personagens com quem gosto de dialogar, tendo desta vez estranhado muito o quase silêncio que, dado o muito reduzido caudal do rio ditando a total imobilização da tarambola. Dei as boas-noites a D. Afonso e disse em tom pesaroso que isto assim era uma tristeza.
D. Afonso respondeu-me que era tudo por causa da seca e resultado das alterações climáticas causadas pela nefasta ação das últimas gerações dos seres humanos. Acrescentou que por causa disso, já desde algumas semanas a tarambola mal tem mexido e quando se mexe, limita os sons que produz a queixumes em tom tão baixo que mal se conseguem ouvir. Terminou dizendo que desde que ali estava nunca vira coisa tão triste.
Respondi que realmente as coisas podem estar piores, mas que sempre houve períodos de grandes secas.
D. Afonso respondeu que pelo que muito tem ouvido, o problema tem a ver com o grande aumento da quantidade de gases do chamado efeito de estufa na atmosfera, com destaque para o dióxido de carbono, o que levou os governos a criar impostos sobre actividades emissoras deste gás, mas também jovens activistas a atirar tinta verde a um ministro, sujando-lhe a roupa toda.
Respondi que por um lado para os governos os impostos são sempre oportunos por ficarem com mais dinheiro para esbanjar, designadamente em carros novos, jantaradas e passeatas poluidoras e inúteis, e disse também que quanto aos meninos e meninas ignorantes e mal educados que se prestam a tais papeis, de facto eles seriam capazes de muito mais só para terem algum tempo de antena nas televisões, as quais em nome das audiências lhes dão o imerecido protagonismo.
A estátua do Rei em voz baixa disse que eu parecia estar zangado.
Respondi que se trata de assunto ao qual tenho dedicado muitas horas de estudo e que quanto mais vou aprendendo, mais me convenço de que a ignorância das nossas crianças e das novas gerações anda a ser estimulada, como quase sempre acontece em defesa de discutíveis interesses e talvez projetos de poder. Para começar e quanto ao dióxido de carbono de tão má fama, lembro que ele é o “gás da vida” pois é a ele que devemos a existência de vida no planeta, pois que como antigamente se ensinava nas escolas, através da função fotossíntese e sob a acção do Sol e na presença de água e nutrientes no solo, ele promove o crescimento das plantas e florestas fixando o carbono e libertando oxigénio indispensável á vida e vapor de água.
D. Afonso referiu que mesmo que seja certo o que eu dizia, é preciso estabelecer e respeitar limites para a produção deste gás, pois “tudo o que é demais faz mal”.
Respondi que assim devia ser de facto. Mas é preciso que as sumidades que estão por detrás dos movimentos anti-dióxido de carbono, baseando-se na ciência e não em “achismos” sejam capazes de o fazer. Sabe-se que a quantidade deste gás na atmosfera é atualmente de 420 partes por milhão (p.p.m.) ou seja 0,004% e que cerca de 180 anos atrás seria só de 250 p.p.m. Mas sabe-se que o limite mínimo abaixo do qual a vida tenderá irremediavelmente a extinguir-se, é de cerca de 150 p.p.m. e também se sabe que nas eras de maior pujança de vida no planeta, que aconteceram entre cerca de 580 e 350 milhões de anos atrás, a sua quantidade andou em média acima de 4 000 p.p.m. e que foi nesse período que a vegetação prosperou e de tal modo que permitiu que fossem mais tarde criadas as grandes reservas de combustíveis fósseis, as quais vieram a tornar possível não só a Revolução Industrial como com a ajuda do aumento da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, a obtenção de alimentos para os cerca de 8 000 milhões de seres humanos agora existentes no planeta.
D. Afonso respondeu que o que eu estava a dizer era novo, estranho e para ele muito complicado.
E perante isto eu disse que poderíamos voltar a falar destes assuntos, mas que por agora ficaria por ali. Dei as boas noites e segui o meu caminho.
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A Ignorância estimulada ~jorge cordeiro simões
Opinião
» 2023-10-08
» Jorge Cordeiro Simões
A noite passada a insónia atacou-me e depois da meia-noite saí para mais uma passeata nocturna que uma vez mais me levou até junto da ponte da Levada onde se encontram a tarambola e a estátua de D. Afonso Henriques, personagens com quem gosto de dialogar, tendo desta vez estranhado muito o quase silêncio que, dado o muito reduzido caudal do rio ditando a total imobilização da tarambola. Dei as boas-noites a D. Afonso e disse em tom pesaroso que isto assim era uma tristeza.
D. Afonso respondeu-me que era tudo por causa da seca e resultado das alterações climáticas causadas pela nefasta ação das últimas gerações dos seres humanos. Acrescentou que por causa disso, já desde algumas semanas a tarambola mal tem mexido e quando se mexe, limita os sons que produz a queixumes em tom tão baixo que mal se conseguem ouvir. Terminou dizendo que desde que ali estava nunca vira coisa tão triste.
Respondi que realmente as coisas podem estar piores, mas que sempre houve períodos de grandes secas.
D. Afonso respondeu que pelo que muito tem ouvido, o problema tem a ver com o grande aumento da quantidade de gases do chamado efeito de estufa na atmosfera, com destaque para o dióxido de carbono, o que levou os governos a criar impostos sobre actividades emissoras deste gás, mas também jovens activistas a atirar tinta verde a um ministro, sujando-lhe a roupa toda.
Respondi que por um lado para os governos os impostos são sempre oportunos por ficarem com mais dinheiro para esbanjar, designadamente em carros novos, jantaradas e passeatas poluidoras e inúteis, e disse também que quanto aos meninos e meninas ignorantes e mal educados que se prestam a tais papeis, de facto eles seriam capazes de muito mais só para terem algum tempo de antena nas televisões, as quais em nome das audiências lhes dão o imerecido protagonismo.
A estátua do Rei em voz baixa disse que eu parecia estar zangado.
Respondi que se trata de assunto ao qual tenho dedicado muitas horas de estudo e que quanto mais vou aprendendo, mais me convenço de que a ignorância das nossas crianças e das novas gerações anda a ser estimulada, como quase sempre acontece em defesa de discutíveis interesses e talvez projetos de poder. Para começar e quanto ao dióxido de carbono de tão má fama, lembro que ele é o “gás da vida” pois é a ele que devemos a existência de vida no planeta, pois que como antigamente se ensinava nas escolas, através da função fotossíntese e sob a acção do Sol e na presença de água e nutrientes no solo, ele promove o crescimento das plantas e florestas fixando o carbono e libertando oxigénio indispensável á vida e vapor de água.
D. Afonso referiu que mesmo que seja certo o que eu dizia, é preciso estabelecer e respeitar limites para a produção deste gás, pois “tudo o que é demais faz mal”.
Respondi que assim devia ser de facto. Mas é preciso que as sumidades que estão por detrás dos movimentos anti-dióxido de carbono, baseando-se na ciência e não em “achismos” sejam capazes de o fazer. Sabe-se que a quantidade deste gás na atmosfera é atualmente de 420 partes por milhão (p.p.m.) ou seja 0,004% e que cerca de 180 anos atrás seria só de 250 p.p.m. Mas sabe-se que o limite mínimo abaixo do qual a vida tenderá irremediavelmente a extinguir-se, é de cerca de 150 p.p.m. e também se sabe que nas eras de maior pujança de vida no planeta, que aconteceram entre cerca de 580 e 350 milhões de anos atrás, a sua quantidade andou em média acima de 4 000 p.p.m. e que foi nesse período que a vegetação prosperou e de tal modo que permitiu que fossem mais tarde criadas as grandes reservas de combustíveis fósseis, as quais vieram a tornar possível não só a Revolução Industrial como com a ajuda do aumento da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, a obtenção de alimentos para os cerca de 8 000 milhões de seres humanos agora existentes no planeta.
D. Afonso respondeu que o que eu estava a dizer era novo, estranho e para ele muito complicado.
E perante isto eu disse que poderíamos voltar a falar destes assuntos, mas que por agora ficaria por ali. Dei as boas noites e segui o meu caminho.
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