• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 17 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 15° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 2°
Céu muito nublado com chuva fraca
Seg.
 14° / 1°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  15° / 1°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Onde pára o PS? - josé mota pereira

Opinião  »  2020-11-21  »  José Mota Pereira

"Este PS limita-se a existir ligado à máquina da câmara municipal"

Vivi algum tempo nos Açores, onde contactei com uma realidade social e política muito diversa daquela a que estava habituado por estas paragens. Nesse período, a transição do poder político passava de Carlos César para o seu sucessor, Vasco Cordeiro, de forma absolutamente tranquila, com o PS exercendo uma maioria eleitoral que a toda a gente parecia vir a ser eterna.

Só vivendo naquelas ilhas, nesse período, se pode perceber o peso que o PS detinha na vida social. Embora a democracia decorresse de forma normal no plano formal, era bem evidente a promiscuidade existente entre a administração pública regional, os municípios e a restante sociedade, numa rede onde o silêncio e a cumplicidade eram regras de ouro para a obtenção de favores.

Esta democracia diminuída parecia eternizar o PS no poder regional. Este ano, porém, a conjugação de diversos fatores, alguns deles improváveis, fez com que o PS, embora ganhando as eleições, tenha sido apeado do poder. Ainda hoje há-de haver muito boa gente sem perceber o que sucedeu e a fazer contas à vidinha. De repente, a velha promiscuidade entre o poder regional e a sociedade açoriana, construída sobre favores e prendas, deixou de ser o seguro de vida desta governação. Infelizmente, a nova maioria “alternativa” que resultou destas eleições é assente numa coligação suportada com o acordo e o apoio de uma organização partidária que assume propostas xenófobas, discriminatórias e contra o Estado Social. Foi este o brilhante resultado da cultura democrática exercida desde 1996 nos Açores pelo PS.

Em Torres Novas, o PS governa a Câmara desde 1993 e desde 1997 fá-lo em maioria absoluta na câmara, na assembleia municipal e na maioria das juntas de freguesia. Nas votações para a Assembleia da República é o partido mais votado desde 1995, com a excepção de 2011 com a Troyka em Portugal, em que aqui também o PSD venceu o PS de Sócrates. É portanto, neste quadro o PS, um partido com especiais responsabilidades na vida local de Torres Novas.

No entanto, aquilo que se sabe da vida do PS local é muito pouco ou nada. A sua existência é absolutamente clandestina. Estranhamente, são inexistentes os seus sinais de vida. Não há registo público de qualquer atividade ou tomada de posição seja sobre o que for, praticamente não são conhecidos os seus dirigentes locais, não há registo de presença nas redes sociais e numa busca pelo google as últimas noticias referem-se à demissão de António Rodrigues da presidência da comissão concelhia em 2016. Onde pára o PS em Torres Novas?
Em contraponto, a oposição local, nos seus diferentes quadrantes, de diversas formas promove regularmente atividades diversas, toma posições públicas, visita freguesias, promove debates, assume propostas alternativas (e não estou obviamente a qualificar os seus conteúdos ou oportunidade) e apresenta-as publicamente, quer à comunicação social, quer através dos seus meios próprios de divulgação na Internet.
A tudo isto o PS local faz orelhas moucas.

De um partido político com as responsabilidades que o PS tem no governo do município, na região e no governo do país, esperava-se que se soubesse um pouco do que pensa e defende sobre: a saúde na região, a mobilidade e transportes, ambiente, políticas culturais, estratégias inter-municipais de desenvolvimento, Plano Nacional de Investimentos, propostas de âmbito local e regional na discussão em especialidade dos Orçamentos de Estado. E por aí fora.
O que se sabe? Nada. Infelizmente para o PS local, nada disto parece ser importante. Não se conhece uma ideia, uma que seja, para além do que emite a câmara através da presidência ou dos seus vereadores.
A voz do PS é a voz da câmara ou vice-versa.

Ainda mal. Porque este PS limita-se a existir ligado à máquina da câmara municipal para, de forma legal e legítima, se perpetuar no poder. Uma estratégia que conta com dirigentes e militantes disciplinarmente emudecidos. Uma estratégia que conta nas freguesias com presidentes de junta silenciosamente agradecidos pelo alcatrão que aqui e ali se vai espalhando. Uma municipalização da atividade partidária que conta com uma teia de interesses colaborantes, onde à cabeça se encontra o apoio mais ou menos explícito de alguns órgãos de comunicação social dispostos a cooperar na propaganda conveniente. Simultaneamente, desvalorizam-se e ignoram-se as propostas da oposição, vendendo barata a ideia de que se trata de apenas jogadas de politiquice, colocando-se de uma forma superior sobre todos os outros intervenientes da discussão democrática.

A demissão democrática do PS em Torres Novas poderia ser apenas uma questão interna dos seus militantes e apoiantes. Se o fosse, abster-me-ia da escrita destas linhas. Mas não é. A municipalização da atividade partidária, como estratégia de um partido político, é grave e merece denúncia pública. A agenda de um município não pode nunca ser a agenda do partido que o governa, por maior e mais antiga que seja a sua maioria. Assistimos a um empobrecimento geral da democracia local que poderá vir a custar-nos muito caro. O PS com o seu silêncio, a sua dependência e submissão ao pensamento e acção únicos da meia dúzia de protagonistas do poder municipal, está a contribuir para uma degradação cívica que se vai instalando e está a abrir caminhos perigosos.

Tal como sucedeu nos Açores, nada é imutável. A alternativa política há-de chegar. O PS local e os seus militantes serão responsáveis se ela vier a assentar numa mal amanhada alternância construída sobre tristes, vergonhosos e lamentáveis apoios. Dessa responsabilidade nunca se libertarão. Estaremos cá para os lembrar do seu silêncio conveniente de hoje. Um a um, todos.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia