Papel higiénico: a que preço? - inês vidal
Opinião
» 2025-02-14
» Inês Vidal
Enquanto penso em como arrancar com este texto, só consigo imaginar o fartote que Joana Marques, humorista, faria com esta notícia. Tivesse eu jeito para piadas e poderia alvitrar já aqui duas ou três larachas, envolvendo papel higiénico e lavagem de honra, que a responsável pelo podcast Extremamente Desagradável faria com este assunto.
A Renova, empresa sediada na freguesia da Zibreira e, sem sombra de dúvidas, uma das mais afamadas do concelho e que faz situar Torres Novas no mapa, quer fazer um protocolo com a Câmara Municipal com vista a mecenato de papel higiénico. Exacto. Ouviram bem...
Na prática é mais ou menos isto: a empresa oferece alguns dos produtos que fabrica à Câmara e esta compromete-se a oferecê-los num cabaz de boas-vindas a quem visita o concelho. Papel higiénico sexy, lenços de papel com elétricos lisboetas e guardanapos com motivos florais. Uma prenda bonita, de facto, mas que nos deixa a questionar a pertinência da coisa.
A Renova, que nos persegue em tudo o que é outdoor e casa-de-banho por esse país fora, viveu vários anos em estado de graça no concelho. Por um lado, dá emprego a muita gente (o que não faz dela, entenda-se, um grande empregador, já que muitas das pessoas que ali trabalham respondem perante empresas de trabalho temporário), por outro era a única das “nossas” empresas que tinha honras de televisão, de exportação e de visibilidade fora dos limites do concelho. Claro que isso, para provincianos como nós, era suficiente para fazer encher o olho.
Felizmente, gente há que não se deslumbra com tão pouco e que percebeu que há muito de podre, no meio de tanta graça.
A Renova tem estado ultimamente na boca do povo, mas desta vez não pelas melhores razões. Pelo contrário. “A nascente do rio pertence-nos”, dizem, como se a água do rio pertencesse a alguém, que não a todos nós. Não bastasse tamanha aberração e falta de noção, a empresa do Almonda esqueceu-se de como ser humilde, tal o ego conquistado por voos mais altos. Sentido-se intocável e acima da lei, rei no meio de pacóvios, não só não reconhece o erro, como reincide nele, vez após vez, ignorando o desconforto que tem causado nas populações a quem – a esses sim - pertence o rio e indo além das regras do bom senso. Já para não falar das outras.
Além de cegamente reiterar a convicção de que a nascente do rio é propriedade sua, e de insistir, baixando agora uns centímetros, com a manutenção de uma rede medonha a tapar um cenário realmente bonito, a empresa foi inclusive capaz de colocar câmaras de vigilância a apontar para o espaço público, como forma de vigiar quem da nascente se aproxima. Foi, aliás, com recurso a essas câmaras, que há dois anos apresentou uma queixa-crime contra alguns munícipes que, em dia de apanhar a espiga, acorreram ao local. Ao nosso local, portanto. E não somos só nós que achamos essas câmaras viradas para propriedade comum, um abuso. Não o fosse e a empresa não teria sido já obrigada a desviar as câmaras da via pública. Se o fez em duas, uma há que deixa dúvidas. Alguém de direito que o confirme.
Já diz a frase que podemos tirar a Renova da província, mas não conseguiremos nunca tirar a província da Renova. Prova disso é a gestão que a empresa tem feito desta situação. Cheia de pretensões cosmopolitas, esquece facilmente quem primeiro a alimentou e não reconhece essa herança. Humildade e sapiência não devem ser disciplinas leccionadas nos muitos MBA feitos por quem toma as rédeas de uma empresa que reage com tamanha casmurrice e bater do pé, qual criança mimada a quem roubam um brinquedo que, afinal, nem lhe pertence.
Esta oferenda em jeito de cachimbo da paz ao município levanta-me algumas questões. Qual será o objectivo da medida? Tapar o sol com a peneira? Fazer efeito biombo sobre questões realmente importantes? Comprar o silêncio do executivo camarário ou agradecer a passividade que tem tido até agora nesta questão?
Perante tal cenário, fica a pergunta: quer a Câmara Municipal de Torres Novas tapar os olhos a toda esta trapalhada por meia dúzia de lenços de papel? Todos nós temos um preço, é certo. Mas o preço do executivo municipal que decide será assim tão baixo?
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Papel higiénico: a que preço? - inês vidal
Opinião
» 2025-02-14
» Inês Vidal
Enquanto penso em como arrancar com este texto, só consigo imaginar o fartote que Joana Marques, humorista, faria com esta notícia. Tivesse eu jeito para piadas e poderia alvitrar já aqui duas ou três larachas, envolvendo papel higiénico e lavagem de honra, que a responsável pelo podcast Extremamente Desagradável faria com este assunto.
A Renova, empresa sediada na freguesia da Zibreira e, sem sombra de dúvidas, uma das mais afamadas do concelho e que faz situar Torres Novas no mapa, quer fazer um protocolo com a Câmara Municipal com vista a mecenato de papel higiénico. Exacto. Ouviram bem...
Na prática é mais ou menos isto: a empresa oferece alguns dos produtos que fabrica à Câmara e esta compromete-se a oferecê-los num cabaz de boas-vindas a quem visita o concelho. Papel higiénico sexy, lenços de papel com elétricos lisboetas e guardanapos com motivos florais. Uma prenda bonita, de facto, mas que nos deixa a questionar a pertinência da coisa.
A Renova, que nos persegue em tudo o que é outdoor e casa-de-banho por esse país fora, viveu vários anos em estado de graça no concelho. Por um lado, dá emprego a muita gente (o que não faz dela, entenda-se, um grande empregador, já que muitas das pessoas que ali trabalham respondem perante empresas de trabalho temporário), por outro era a única das “nossas” empresas que tinha honras de televisão, de exportação e de visibilidade fora dos limites do concelho. Claro que isso, para provincianos como nós, era suficiente para fazer encher o olho.
Felizmente, gente há que não se deslumbra com tão pouco e que percebeu que há muito de podre, no meio de tanta graça.
A Renova tem estado ultimamente na boca do povo, mas desta vez não pelas melhores razões. Pelo contrário. “A nascente do rio pertence-nos”, dizem, como se a água do rio pertencesse a alguém, que não a todos nós. Não bastasse tamanha aberração e falta de noção, a empresa do Almonda esqueceu-se de como ser humilde, tal o ego conquistado por voos mais altos. Sentido-se intocável e acima da lei, rei no meio de pacóvios, não só não reconhece o erro, como reincide nele, vez após vez, ignorando o desconforto que tem causado nas populações a quem – a esses sim - pertence o rio e indo além das regras do bom senso. Já para não falar das outras.
Além de cegamente reiterar a convicção de que a nascente do rio é propriedade sua, e de insistir, baixando agora uns centímetros, com a manutenção de uma rede medonha a tapar um cenário realmente bonito, a empresa foi inclusive capaz de colocar câmaras de vigilância a apontar para o espaço público, como forma de vigiar quem da nascente se aproxima. Foi, aliás, com recurso a essas câmaras, que há dois anos apresentou uma queixa-crime contra alguns munícipes que, em dia de apanhar a espiga, acorreram ao local. Ao nosso local, portanto. E não somos só nós que achamos essas câmaras viradas para propriedade comum, um abuso. Não o fosse e a empresa não teria sido já obrigada a desviar as câmaras da via pública. Se o fez em duas, uma há que deixa dúvidas. Alguém de direito que o confirme.
Já diz a frase que podemos tirar a Renova da província, mas não conseguiremos nunca tirar a província da Renova. Prova disso é a gestão que a empresa tem feito desta situação. Cheia de pretensões cosmopolitas, esquece facilmente quem primeiro a alimentou e não reconhece essa herança. Humildade e sapiência não devem ser disciplinas leccionadas nos muitos MBA feitos por quem toma as rédeas de uma empresa que reage com tamanha casmurrice e bater do pé, qual criança mimada a quem roubam um brinquedo que, afinal, nem lhe pertence.
Esta oferenda em jeito de cachimbo da paz ao município levanta-me algumas questões. Qual será o objectivo da medida? Tapar o sol com a peneira? Fazer efeito biombo sobre questões realmente importantes? Comprar o silêncio do executivo camarário ou agradecer a passividade que tem tido até agora nesta questão?
Perante tal cenário, fica a pergunta: quer a Câmara Municipal de Torres Novas tapar os olhos a toda esta trapalhada por meia dúzia de lenços de papel? Todos nós temos um preço, é certo. Mas o preço do executivo municipal que decide será assim tão baixo?
Democracia ou totalitarismo, eis a questão! - antónio mário santos
» 2026-02-02
O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. |
Primeira volta das Presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-02-02
» Jorge Carreira Maia
As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores: António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. |
Candidato à altura…
» 2026-01-15
» Hélder Dias
|
Foi em legítima defesa!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
|
Heil Trump
» 2026-01-15
» Hélder Dias
|
O teu petróleo ou a tua vida!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
|
Não há volta a dar. Não há volta a dar? - antónio mário santos
» 2026-01-14
» António Mário Santos
Não há volta a dar. Trump aplicou a doutrina Monroe e mais do que ela, segundo afirmou na conferência de imprensa sobre a captura de Maduro e de quem é quem no governo venezuelano. Os Estados Unidos da América irão governar, até haver uma transição, quando a considerarem, a seu interesse, possível. |
A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. |
Silvester - carlos paiva
» 2026-01-14
» Carlos Paiva
A primeira corrida de S. Silvestre aconteceu no Brasil, em 1925. Assinala a data do falecimento de S. Silvestre, o trigésimo terceiro Papa, em 31 de Dezembro de 335. Foi durante o seu pontificado que terminou a perseguição romana aos cristãos. |
O primeiro orçamento deste novo ciclo autárquico é a prova dos nove - antónio gomes
» 2026-01-14
» António Gomes
Veremos o que aí vem, uma coisa é certa, orçamento que não olhe para o TUT e para o futuro da mobilidade urbana sustentável no território concelhio, assegurando um serviço de qualidade que passa, necessariamente, pelo aumento de autocarros a circular e alargando o seu âmbito territorial, não é um orçamento para o povo. |
|
» 2026-01-15
» Hélder Dias
Candidato à altura… |
|
» 2026-01-15
» Hélder Dias
O teu petróleo ou a tua vida! |
|
» 2026-01-15
» Hélder Dias
Heil Trump |
|
» 2026-01-15
» Hélder Dias
Foi em legítima defesa! |
|
» 2026-02-02
» Jorge Carreira Maia
Primeira volta das Presidenciais - jorge carreira maia |