• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 17 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 15° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 2°
Céu muito nublado com chuva fraca
Seg.
 14° / 1°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  15° / 1°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Paul do Boquilobo - Inês Vidal

Opinião  »  2020-12-19  »  Inês Vidal

A globalização, um maior conhecimento do outro, que afinal é igual a nós e está ali ao lado, a uma distância reduzida no tempo pela democratização dos meios de transporte, tornou-nos verdadeiros aprendizes de viajantes. É cada vez mais fácil chegar a qualquer ponto do globo, percorrer milhas, cantos e recantos, provar aqui, esmiuçar ali. Entrar na vida alheia, culturas distantes, outras cores, novos cheiros, jeitos diferentes de sentir. Subir montanhas afamadas, mergulhar num qualquer oceano, comer animais que cá não fazem parte do cardápio. Todo um mundo novo ao nosso alcance. Em dez horas chegamos ao Brasil, em menos do que isso entramos no Dubai, Marrocos é ali tão perto e até a Austrália parece fácil, apesar de estar no outro lado do mundo. Há cada vez menos impossíveis. E há cada vez mais vontade de ver mundo. Há cada vez mais vontade de o mostrar.
Com pouco tempo para tanta volta ao globo, acontece inúmeras vezes acabarmos por nos esquecer do que está mais perto. Mas este ano fantástico que vivemos - fantástico, como quem diz do outro mundo - trouxe-nos, pelo menos, isso de bom. Limitados no espaço, sobrou-nos o tempo, e impedidos de ir mais longe, fomos obrigados a criar alternativas, dar oportunidade ao que antes desvalorizávamos, já que a galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha, e muitas vezes dávamos por garantido. Descobrimos a nossa casa, o nosso quarteirão, o nosso concelho. Arranjámos novos destinos e demos vida ao verdadeiro “vá para fora cá dentro”.
Moro há 39 anos no concelho de Torres Novas. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes que visitei a Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Algumas delas graças à escola e aos escuteiros, enquanto miúda, outras pelo jornal. Duas delas, só no último mês.
Entre garças, zarros e marrequinhas, muita água e salgueiros, descobri o meu mundo “covid free”, onde mal nos cruzamos com pessoas e a natureza nos dá espaço para respirar sem mordaças. Um cenário onde a vida nunca parou, onde o confinamento se faz sob um gigante céu azul sobrevoado de garças esguias e elegantes e o tempo corre mais lento, a uma velocidade que nos permite sair do ritmo frenético em que nos deixámos enrolar ao aceitar esta vida, que nos querem fazer acreditar não poder ser outra. Na reserva natural do Paul do Boquilobo há um caminho que nos recebe sem medos, não se afasta ou sustém a respiração e há um silêncio que nos leva para longe deste ruído em que se tornaram os nossos dias.
Moro no concelho de Torres Novas há 39 anos. Os mesmos desde que a UNESCO considerou a nossa reserva como Reserva Mundial da Biosfera. Foi, à data, a primeira área protegida portuguesa a integrar a rede mundial de reservas da biosfera, dada a sua importância enquanto local de abrigo para um grande número de aves e seu local de reprodução, alimentação e repouso nas rotas de migração. 39 anos. E contam-se pelos dedos das mãos as vezes que me perdi nos seus braços.
Se a pandemia tem um lado bom, é este: dar valor ao que temos e fazê-lo a um ritmo só nosso, reaprendendo a respirar conscientemente e simplesmente fruir o que o mundo nos dá. Hoje é o nosso dia e nunca sabemos o que o amanhã nos trará.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia