• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 12 Abril 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 22° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 24° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 23° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  23° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes

Opinião  »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

"Por que não devemos deixar Lisboa e o Porto para os lisboetas e os portuenses viverem um dia com mais paz e sossego nas suas terras?"

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.

Na realidade, em Santarém e outras cidades, logo se rasgaram as vestes pelo facto de a linha não passar onde todos (os autarcas) acham que deve passar, se possível fosse em todas as estações dessas cidades de Deus, todas elas ciosas dos seus “direitos” decorrentes de alvará divino.

Ninguém se lembrou de questionar a prioridade, utilidade ou necessidade de tal infraestrutura, ninguém se lembrou de perguntar em que é que meia hora a menos de uma viagem de comboio entre Lisboa e Porto beneficia o conjunto do país, a economia do país, a vida do país no prazo longo. Ninguém pergunta se as centenas de milhões de euros previstos para tal obra (os deuses a boicotem por muitos e bons), mais os astronómicos encargos permanentes de manutenção de vias e máquinas, são suportáveis pelo país e se, pelo menos, os tais benefícios, a existirem, justificam o empreendimento.

Mas, o mais grave que decorre da natureza dos protestos (do também queremos a linha ao pé da porta) reside no facto de, ao não questionar-se a própria ideia de um TGV Lisboa/Porto, estar a aceitar-se como definitiva a bipolarização centralista de Lisboa e Porto, como se tudo no país, economia, comunicações, vias, se cingisse a essa “estrada” já saturada de automóveis, comboios, aviões, estradas e auto-estradas, mais os aviões por cima, que liga as duas cidades e que exerce um efeito centrípeto que vai sugando o país para esse caos de “ruas da estrada” que é a estreita faixa litoral entre Lisboa e Porto.

Repare-se que, nesse corredor em que já tudo se atropela, temos a estrada nacional 1 e a auto-estrada A1. Praticamente paralela em grande parte, a A8. E ainda a linha ferroviária do Norte. Em paralelo entre Lisboa e a Figueira, a linha do Oeste, e do Mondego para cima uma confusão onde tudo se adensa ainda mais. Tudo isto numa estreita faixa entre o Tejo e o mar e, mais a norte, numa largueza semelhante. Um enorme parque de vias que exige, permanentemente, um monstruoso volume de recursos para obras de requalificação do que já existe, sempre prometidas, sempre adiadas ou atamancadas em anos eleitorais.

A posição estratégica dos autarcas da região, e de todo o país, deveria consistir em quebrar de vez esta espinha atravessada no geografia económica de Portugal, exigindo dos governos um fim à afirmação, sempre renovada e consolidada, de que todas as apostas estratégicas essenciais o são, sempre, para esta estreita língua de território. O TGV é a afirmação inequívoca do assumido centralismo bicéfalo Lisboa/Porto.

Não, não são precisas mais universidades e politécnicos: os que existem são de mais e uma parte vai ter de fechar a médio prazo. Não, não se pode ter aeródromos e “aeroportos” em todas esquinas (como vêm pedido pateticamente alguns), por falta de fluxos de gente e de produtos, e porque o futuro vai eliminar as rotas inferiores a 500Km por razões ecológicas, e ainda porque os três que existem vão revelar-se mais que suficientes num futuro próximo.

Não. Não é precisa a regionalização (o país é uma região peninsular por acaso independente), que iria replicar centralismos, aparelhos, corrupção e dar cabo do país de uma vez por todas, sugando uma brutalidade de recursos para alimento da estrutura. Bastam-nos as  “regiões-plano” que existem, mais a que falta há muito tempo, o Oeste e Ribatejo (dita assim em ordem alfabética, ou do Ribatejo e Oeste, se prevalecer a antiguidade geográfico-cultural dos termos, ou ainda Oeste e Vale do Tejo, se prevalecer uma terminologia geográfica), acrescidas de alguma legitimidade política e absorvendo os meios das CIM, extinguindo-as, para retirar também competências aos municípios, a quem se deve, por elevadas doses de vaidade, voluntarismo e desvario, a destruição de recursos financeiros, a multiplicação escandalosa de equipamentos e estruturas que não têm uso por falta de escala, de sentido e de utilizadores.

Retiro dourado para autarcas dinossauros fora da legalidade electiva, as CIM vêm-se transformando, pela calada, em “regiõezinhas” em que, sem escrutínio, se engrossam mapas de pessoal, assessorias e mordomias, atingindo a categoria de enormes plataformas de negócios e contratação pública. A roda livre no que toca aos limites das suas competências próprias permite que façam adjudicações de milhões de euros e ao mesmo tempo organizem torneios de sueca ou festivais de natação, duplicando actividades correntes dos municípios, calados que nem ratos já que os interesses partidários se alimentam e alimentam a mesma rede de contactos e relações.

Fiquemos pois com a desconcentração em vez da regionalização e já é bastante para o país que somos. Os autarcas deveriam exigir, isso sim, uma visão mais larga para o país, um pacto de deslocalização de funções do Estado Central (ministérios, institutos, agências) para as regiões onde algumas estruturas das funções centrais teriam, na verdade, efeitos multiplicadores, criando novas centralidades de valor acrescentado em regiões despovoadas e de baixa densidade do território. Sem isso, a economia não vai atrás.

E deveriam ser os eleitos a dar o exemplo e a contribuir para o equilíbrio e coesão do país. Num tempo em que quase tudo se faz em qualquer lugar, e tudo se gere e decide sem os constrangimentos do tempo e do espaço, digam-nos por que razão o governo de Portugal, a começar, os ministérios da presidência, não pode estar em Évora, o parlamento em Portalegre, o Tribunal Constitucional na Guarda?

Porque não devemos deixar Lisboa e o Porto para os lisboetas e os portuenses viverem um dia com mais paz e sossego nas suas terras, finalmente livres da desordem e do caos crescente de uma política de que são as primeiras vítimas?

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Os 2,36 euros extra…ordinários - miguel sentieiro »  2021-04-10  »  Miguel Sentieiro

Num momento em que o sentimento generalizado sobre os chineses é de alguma desconfiança, preparo-me aqui para contrapor e dar uma oportunidade aos tipos. Eu sei que nos foram mandando com a peste bubónica, a gripe asiática, a gripe das aves, o corona vírus.
(ler mais...)


#torresnovas@weshallover.com - josé ricardo costa »  2021-04-10  »  José Ricardo Costa

É muito bom viver em Torres Novas mas também se sente o peso de estar longe do que de verdadeiramente moderno se passa no mundo, enfim, nada de #Me Too, Je suis Charlie Hebdo, vetustas estátuas transformadas em anúncios da Benetton.
(ler mais...)


Rever a revisão, já! - josé mota pereira »  2021-04-10  »  José Mota Pereira

 

 Recuemos no tempo. Entremos numa máquina do tempo e cliquemos no botão que nos leve até ao ano de 2001. Recordemos vagamente que em 2001:

 - Caíram as Torres Gémeas em Nova Yorque em 11 setembro.
(ler mais...)


Na era do ad hominem - jorge carreira maia »  2021-04-10  »  Jorge Carreira Maia

Quando a internet surgiu e, posteriormente, com a emergência dos blogues e redes sociais pensou-se que a esfera pública tinha encontrado uma fonte de renovação. Mais pessoas poderiam trocar opiniões sobre os problemas que afectam a vida comum, sem estarem controladas pelos diversos poderes, contribuindo para uma crescente participação, racionalmente educada, nos assuntos públicos.
(ler mais...)


Equilíbrio - inês vidal »  2021-04-10 

É e sempre foi uma questão de equilíbrio. Tudo. E todos o sabemos. O difícil é chegar lá, encontrá-lo, ter a racionalidade e o bom senso suficientes para o ter e para o ser. E para saber que o equilíbrio de hoje não é obrigatoriamente o de amanhã, muito menos o que era ontem.
(ler mais...)


As árvores morrem de qualquer maneira e feitio - carlos paiva »  2021-04-10  »  Carlos Paiva

Comemorou-se a 21 de Março o dia da floresta. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) resolveu assinalar a data disponibilizando 50.000 árvores gratuitamente à população. Quem as quisesse plantar, teria de se identificar, inscrever, levantar a árvore (até um máximo de dez árvores por pessoa) e, num prazo de 48 horas, declarar o local onde plantou documentando com fotos.
(ler mais...)


Rejuvenescimento político - anabela santos »  2021-04-10  »  AnabelaSantos

Hoje, como acontece diariamente, no caminho de casa até à escola, lá se deu o habitual encontro matinal entre mim e o Ananias, o meu amigo ardina. Trocámos algumas palavras, comprei o jornal e seguimos por caminhos opostos que nos levam à nossa missão do dia, o trabalho.
(ler mais...)


O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes »  2021-04-08  »  João Carlos Lopes

Durante décadas, todos os torrejanos ajudaram no que puderam o CRIT, uma obra social que granjeou a estima de todos os cidadãos e empresários, e foram muitos, que sempre disseram sim a todas e quaisquer formas de ajuda em prol da aventura iniciada em 1975.
(ler mais...)


Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes »  2021-03-23  »  João Carlos Lopes

Dir-se-ia, de uma câmara socialista, esperar que se perseguissem os valores e ideais que aqui e ali, somados, vão concorrendo para um mundo melhor e para uma relação mais harmoniosa e avançada entre todos e tudo o que habita uma casa comum que é o território natural de um pequeno concelho.
(ler mais...)


Depois de casa roubada, trancas à porta - antónio gomes »  2021-03-20  »  António Gomes

Na política, ou se tem ideias, rasgo e capacidade de antecipação para marcar a diferença, ou andamos sempre no rengo-rengo.

As vítimas da pandemia estão aí, agora com maior visibilidade, mais desemprego, mais encerramentos de pequenas empresas, comércio, restauração, serviços, trabalhadores independentes sem rendimentos.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-04-08  »  João Carlos Lopes O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes
»  2021-03-23  »  João Carlos Lopes Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes
»  2021-03-20  »  José Ricardo Costa A Rosa do Nome - josé ricardo costa
»  2021-03-20  »  Jorge Carreira Maia A arte do possível - jorge carreira maia
»  2021-03-20  »  Carlos Paiva São rosas, senhor - carlos paiva