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Do “Fique em casa – seja um agente de saúde pública” ao “Saia de casa – seja um agente de recuperação da economia”

Opinião  »  2020-04-17  »  Ana Lúcia Cláudio

"E se foi mais ou menos fácil convencer as pessoas a ficarem em casa, vai ser provavelmente mais difícil convencer algumas delas a sair"

A acrescer ao receio de ficar doente, uma das coisas que mais ansiedade causa nestes tempos sombrios de Covid 19 é não sabermos quando é que tudo isto acaba e quando é que poderemos voltar ao normal. Quanto tempo vai demorar até nos aproximarmos, minimamente, dessa normalidade que existia antes.

Depois da crise sanitária é fácil antever-se a crise económica que se vai seguir. “Lay offs” moratórias, subvenções, linhas de crédito e todas as estratégias para fazer face a quem se viu financeiramente afectado pelos efeitos da pandemia, ocupam já os noticiários e as páginas dos jornais. Algumas pessoas, talvez famílias inteiras, vão passar mal com o desemprego e a consequente falta de rendimentos. Muitas pessoas não voltarão, facilmente, à tal vida que tinham antes e enfrentarão grandes dificuldades.

E os outros? Aqueles que por terem trabalhos mais estáveis e que de certa forma permaneceram incólumes a esta crise? Será que esses vão voltar a fazer o que faziam antes? Será que pelo facto de terem sido financeiramente pouco afectados, o impacto emocional não irá condicionar o seu “modus operandi” no regresso à desejada normalidade? Será que uma vez abertas as portas, vamos sair com vontade de comer o mundo ou vamos retrair-nos com receio que o mundo nos coma a nós outra vez?

Neste momento, estamos numa situação em que para taparmos a cabeça, destapamos os pés. Em se, por um lado nos regozijamos pelo planalto que afastou o cenário de tragédia dos picos exponenciais que outros países viveram, isso significa, por outro, que estamos longe de uma percentagem razoável de imunização. Ou seja, a maior parte das pessoas não contraiu o vírus, continuando por isso a ser um alvo potencial da doença.

E se foi mais ou menos fácil convencer as pessoas a ficarem em casa, vai ser provavelmente mais difícil convencer algumas delas a sair, com o receio de que se deite tudo a perder. Porque o vírus vai continuar a andar nas ruas e a ameaçar as nossas vidas.
Um assunto tratado com pinças pelos responsáveis políticos que colocam, permanentemente, as duas coisas nos pratos da balança e tentam encontrar um equilíbrio entre o risco de uma economia parada e o perigo de um novo golpe na saúde pública.

E será que, depois deste período que nos pareceu tão longo, vamos regressar logo às rotinas habituais e aos pequenos luxos do quotidiano? Ou percebemos que até podemos viver bem sem eles? Como aquela história que me contavam em criança sobre um primo afastado que a mãe colocou de castigo no quarto, sem poder sair durante um período de tempo, e quando finalmente achou que ele podia ir à sua vida, o petiz, orgulhoso, respondeu: “Agora não quero. Estou aqui tão bem!” Esta atitude algo caricatural pode caracterizar os dias imediatamente a seguir. Mas, aos poucos, desconfio que vamos recuperar a tal normalidade. Até porque a nossa memória é curta e rapidamente voltaremos aos restaurantes, aos cafés, aos cabeleireiros, aos cinemas e às discotecas, às férias cá dentro e no estrangeiro. E, no fundo, isso revestir-se-á (para quem pode) de um espírito de missão para revitalizarmos a economia e com isso ajudarmos também quem de momento não pode voltar, rapidamente, a poder.
Dentro de dias, o slogan: “Fique em casa – seja um agente de saúde pública”, terá de dar lugar a um novo “Saia de casa – seja um agente de recuperação da economia”.

 

 

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