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Mais rápido que a própria sombra - carlos paiva

Opinião  »  2020-11-21  »  Carlos Paiva

" Cortaram-se faias porque sujavam muito as ruas e causavam rinite a muitos torrejanos."

As árvores, além de produzirem oxigénio e servirem de lar para uma série de bicharada, têm num dos efeitos colaterais à sua existência, o arrefecimento do ar. Onde há árvores, fica mais fresquinho. Seria de esperar que, numa localidade onde o calor no verão ultrapassa os 40 graus com frequência, as árvores fossem estimadas e prioritárias. Não. Na cidade sem Dalton mas com muitos Ran-Tan-Plan, corta-se primeiro e pergunta-se depois. Em caso de dúvida ou empate, corta-se.
Senão vejamos: arrancaram-se os castanheiros da avenida porque as raízes estragavam o piso. Depois de matarem os castanheiros, o piso da avenida ficou lisinho e nivelado? Não.
Cortaram-se faias porque sujavam muito as ruas e causavam rinite a muitos torrejanos. No fim de matarem as faias, as ruas ficaram limpas? Não. Deixou de haver casos de rinite em Torres Novas? Também não.
Cortaram-se as árvores que ladeavam o planalto, porque eram desadequadas, não serviam para nada e tinham custos de manutenção. Ficou uma área que alguém teimosamente insiste em classificar como privilegiada para lazer e desporto. Exposto à torreira do sol desde que nasce até que se põe. Alguém usa, alguém lá vai? Não. Os custos de manutenção baixaram? Também não. A muito custo lá plantaram três ou quatro árvores para disfarçar, ao longo de várias intervenções. Aliás, pelo dinheiro que se enterra ali, deve lá haver petróleo, desconfio.
Os chorões prejudicavam as margens do rio, removeram-se. O rio ficou mais protegido? Não. O rio vai castanho. Como não é poluição, são sedimentos arrastados pela chuva, a malta relaxa. Erosão não é mediático. Mas, havendo árvores, são esses os sedimentos que as raízes retêm, outro efeito colateral da sua existência, prevenir a erosão dos solos.
Plantou-se um pequeno espaço verde, vizinho a um monumento histórico, com visibilidade turística, alegadamente. Alguém regou, aparou, cuidou? Não. Morreram as árvores e o resto é mato. Lindo de se ver, atrai excursões de muito longe. Se por um devaneio qualquer resolvessem fazer hoje um pequeno bosque de plátanos, lá para 2120 quando se usufruísse plenamente da sua presença, alguém na câmara ficaria a coçar a cabeça acerca de como teria o descalabro chegado àquele ponto, já que nunca ninguém tinha regado aquilo. Chegavam rapidamente à conclusão que as folhas secas sujam muito as ruas e o fresquinho faz mal à sinusite. Intolerável, portanto.
Ouvem-se motosserras. Motosserras laser, porque é 2120. Uma avaria-se, a Câmara não tem contrato de manutenção, obrigando a intervenção, planeada ao detalhe com muita antecedência, a resvalar em prazo e em custo, para o triplo. Um fulano magrinho da Rua J expõe a entropia do sistema e forma o movimento “Irra Nabasta Já?”, convoca manifs, sensibiliza a malta e salva os plátanos. Tudo isto antes do processo de aquisição por ajuste directo para a reparação da motosserra ser lançado, sequer. Há que aproveitar as falhas do sistema.
De volta ao presente, um antepassado daquele activista vê-se envolto num cheiro nauseabundo para chamar a atenção da malta. Porque a malta anda distraída. Não Basta ser entidade altamente poluidora, um tribunal mandou-a encerrar. A poluição cessou? Não. O que fazem as entidades competentes? Nada. Estão atentas, dizem. Logo que se produza ali alguma árvore, caem-lhes em cima. Mais rápido que a própria sombra.

 

 

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