• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 12 Abril 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 22° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 24° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 23° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  23° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva

Opinião  »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

"A mesma matéria-prima e os mesmos processos resultam sempre no mesmo produto"

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado. Por vezes, o contrário também acontece. Um objecto artístico nascido na arte comercial pode eventualmente deixar a sua marca na arte não comercial por mérito próprio, ou seja, por se evidenciar obedecendo aos mesmos parâmetros. Mesmo que seja um flop de vendas (habitualmente, é). Não são universos estanques. A criação pura e livre, verdadeiramente independente, isenta de objectivos financeiros, também precisa de pôr pão na mesa, daí a necessidade de mecenato. Ou acontecem os diversos exemplos históricos de génios que morreram na miséria por ousarem criar como actividade exclusiva, sem qualquer apoio. Para junto de uma gravitam as mentes curiosas, irrequietas e muitas vezes irreverentes, para junto da outra o consumo descartável, superficial e frívolo. Mas ambas constituem cultura. E a cultura, por definição, tem de ser cultivada.

Um sistema fechado produz sempre os mesmos resultados. A mesma matéria-prima e os mesmos processos resultam sempre no mesmo produto. Para um resultado diferente, ou se altera a matéria-prima ou se alteram os processos. Uma sociedade ou civilização que não incorpora o novo, o diferente, não evolui e está condenada a perecer. Quanto mais não seja, de tédio. Apostar tudo na arte comercial, dar ao povo aquilo que o povo quer, em detrimento do novo, diferente, mesmo que estranho e desconfortável à primeira vista, é o mesmo paradigma. É fechar o sistema. No imediato é imensamente popular, é a zona de conforto da maioria, mas, no longo prazo conduz à asfixia intelectual generalizada. Tirando algumas raras e honrosas excepções que exibem um amor enorme à camisola e um sentido admirável de dever cívico, é aqui que a oferta cultural torrejana está. Os critérios de selecção são claramente simples. Resumem-se a escolher qualquer coisa que tenha aparecido num qualquer programa da manhã na TV, apresentando-o como conteúdo de elevado valor cultural à populaça que o engole sem ser preciso mastigar. Viva a festarola.

Na mesa ao lado, um grupo de fans de Stockhausen, após devorar uma sandes de porco no espeto e vários jarros de sangria, fica trinta minutos em silêncio com um sorriso nos lábios. No fim, batem palmas que nem loucos. Lá mais ao fundo noutra mesa, seis imperiais em copo de plástico e dois pães com chouriço quentinhos animam uma acalorada discussão acerca de Vertov e a influência do construtivismo soviético nas técnicas de montagem e edição actuais. No tabuleiro da praça, alguém já bastante alcoolizado tenta reproduzir um Basquiat com cálices de chocolate da ginginha de Óbidos. Ébrios da cultura que têm, desdenham a cultura que não têm, sem reflectir sobre a cultura que querem ter.

É frequente ouvir dizer que “em equipa que vence, não se mexe”. Pois… Mas o problema é que o campeonato onde esta equipa vence é o campeonato da aldeola. E Torres Novas já é cidade há uns anitos.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Os 2,36 euros extra…ordinários - miguel sentieiro »  2021-04-10  »  Miguel Sentieiro

Num momento em que o sentimento generalizado sobre os chineses é de alguma desconfiança, preparo-me aqui para contrapor e dar uma oportunidade aos tipos. Eu sei que nos foram mandando com a peste bubónica, a gripe asiática, a gripe das aves, o corona vírus.
(ler mais...)


#torresnovas@weshallover.com - josé ricardo costa »  2021-04-10  »  José Ricardo Costa

É muito bom viver em Torres Novas mas também se sente o peso de estar longe do que de verdadeiramente moderno se passa no mundo, enfim, nada de #Me Too, Je suis Charlie Hebdo, vetustas estátuas transformadas em anúncios da Benetton.
(ler mais...)


Rever a revisão, já! - josé mota pereira »  2021-04-10  »  José Mota Pereira

 

 Recuemos no tempo. Entremos numa máquina do tempo e cliquemos no botão que nos leve até ao ano de 2001. Recordemos vagamente que em 2001:

 - Caíram as Torres Gémeas em Nova Yorque em 11 setembro.
(ler mais...)


Na era do ad hominem - jorge carreira maia »  2021-04-10  »  Jorge Carreira Maia

Quando a internet surgiu e, posteriormente, com a emergência dos blogues e redes sociais pensou-se que a esfera pública tinha encontrado uma fonte de renovação. Mais pessoas poderiam trocar opiniões sobre os problemas que afectam a vida comum, sem estarem controladas pelos diversos poderes, contribuindo para uma crescente participação, racionalmente educada, nos assuntos públicos.
(ler mais...)


Equilíbrio - inês vidal »  2021-04-10 

É e sempre foi uma questão de equilíbrio. Tudo. E todos o sabemos. O difícil é chegar lá, encontrá-lo, ter a racionalidade e o bom senso suficientes para o ter e para o ser. E para saber que o equilíbrio de hoje não é obrigatoriamente o de amanhã, muito menos o que era ontem.
(ler mais...)


As árvores morrem de qualquer maneira e feitio - carlos paiva »  2021-04-10  »  Carlos Paiva

Comemorou-se a 21 de Março o dia da floresta. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) resolveu assinalar a data disponibilizando 50.000 árvores gratuitamente à população. Quem as quisesse plantar, teria de se identificar, inscrever, levantar a árvore (até um máximo de dez árvores por pessoa) e, num prazo de 48 horas, declarar o local onde plantou documentando com fotos.
(ler mais...)


Rejuvenescimento político - anabela santos »  2021-04-10  »  AnabelaSantos

Hoje, como acontece diariamente, no caminho de casa até à escola, lá se deu o habitual encontro matinal entre mim e o Ananias, o meu amigo ardina. Trocámos algumas palavras, comprei o jornal e seguimos por caminhos opostos que nos levam à nossa missão do dia, o trabalho.
(ler mais...)


O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes »  2021-04-08  »  João Carlos Lopes

Durante décadas, todos os torrejanos ajudaram no que puderam o CRIT, uma obra social que granjeou a estima de todos os cidadãos e empresários, e foram muitos, que sempre disseram sim a todas e quaisquer formas de ajuda em prol da aventura iniciada em 1975.
(ler mais...)


Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes »  2021-03-23  »  João Carlos Lopes

Dir-se-ia, de uma câmara socialista, esperar que se perseguissem os valores e ideais que aqui e ali, somados, vão concorrendo para um mundo melhor e para uma relação mais harmoniosa e avançada entre todos e tudo o que habita uma casa comum que é o território natural de um pequeno concelho.
(ler mais...)


Depois de casa roubada, trancas à porta - antónio gomes »  2021-03-20  »  António Gomes

Na política, ou se tem ideias, rasgo e capacidade de antecipação para marcar a diferença, ou andamos sempre no rengo-rengo.

As vítimas da pandemia estão aí, agora com maior visibilidade, mais desemprego, mais encerramentos de pequenas empresas, comércio, restauração, serviços, trabalhadores independentes sem rendimentos.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-04-08  »  João Carlos Lopes O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes
»  2021-03-23  »  João Carlos Lopes Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes
»  2021-03-20  »  José Ricardo Costa A Rosa do Nome - josé ricardo costa
»  2021-03-20  »  Jorge Carreira Maia A arte do possível - jorge carreira maia
»  2021-03-20  »  Carlos Paiva São rosas, senhor - carlos paiva