• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sábado, 06 Junho 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Ter.
 27° / 13°
Céu limpo
Seg.
 26° / 12°
Céu limpo
Dom.
 22° / 14°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  25° / 13°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Como dantes não se falava, também não se dava por ela.

Opinião  »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.

Um homem que bate na mulher não é um homem violento: é um ogre com um cérebro reptiliano, uma besta quadrada, troglodita, brutamontes, grunho, alarve, javardo, bronco, cão raivoso, labrego, jagunço, cavalgadura, matarruano, monte de esterco humano, o que tudo somado dá um irrecomendável psicopata do qual nada se aproveita.
O grande jornalista Karl Kraus, que viveu em Viena num dos períodos culturalmente mais férteis da Europa, dizia que a linguagem é a mãe do pensamento, não a sua criada. Por isso temos de passar a chamar os verdadeiros nomes às coisas, evitando chavões que repetidos à exaustão nos jornais televisões, redes sociais, vão perdendo o seu significado.

É verdade que foi um passo importante ter-se passado a falar de violência doméstica. Como dantes não se falava, também não se dava por ela. Claro que não era por não se falar que deixava de existir, tendo razão o historiador francês Lucien Febvre que considerava que as coisas existem antes das palavras para elas serem inventadas. Mas o que acontecia era os homens darem e as mulheres apanharem, que não é violência doméstica mas apenas um homem a dar e a mulher a apanhar. Hoje, uma mulher que apanha diz-se vítima de violência doméstica mas quando a avó ou mãe apanharam do avô ou do pai, não se diziam vítimas de violência doméstica, apenas apanhavam ou levavam de um homem com “mau feitio”, “maus fígados”, “mau vinho”, com o qual casaram. Passar a dizer “violência doméstica” foi assim um passo civilizacional importante para perceber que um homem “a dar na mulher” é muito mais do que um homem “a dar na mulher”.

Mas ainda está longe de traduzir a realidade. Eu gosto de expressões antigas como “enxerto de porrada” ou “carga de cachaporra”, para neste caso me referir um homem que, um dia, de sorriso nos lábios, jurou amor eterno a uma jovem com um raminho de flores na mão. São expressões vernáculas que, infelizmente, estão a cair em desuso, consideradas demasiado grosseiras para os depurados padrões linguísticos de agora. Mas aí é que está! Sendo, de facto, expressões grosseiras, traduzem muito melhor do que qualquer etiqueta sociológica, o mais primário e grosseiro dos comportamentos. A besta, o ogre, até pode ser bom benfiquista e sentar-se a meu lado no Estádio da Luz. Mas a partir do momento em que chega a casa para dar cachaporra ou porrada, sejam ou não fúteis os seus motivos, deixa de fazer parte da espécie à qual pertenço, devendo o seu destino não ser a prisão mas o jardim zoológico para fazer companhia a animais cuja agressividade, todavia, está em perfeita consonância com a sua natureza selvagem.
Bater, bate leve, levemente, a neve, como quem chama por nós. O que um homem faz à mulher não é bater mas dar porrada ou cachaporra, palavras que baixam ao nível de quem a dá, envergonhando a espécie humana. Por isso, deixemos de falar em violências domésticas, chamando de uma vez por todas os bois pelos nomes: matarruanos que se comprazem a dar cachaporra ou valentes cargas de porrada nas mulheres só porque não se limitam a ser umas bonequinhas insufláveis que não respondem à vontade, necessidades e desejos do ogre de olhos vidrados e baba de ódio a escorrer pela boca. Para além de primário e grosseiro, animal mais fraco, inseguro, sem personalidade e dignidade é difícil conceber.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Serviço público »  2020-05-27  »  Jorge Carreira Maia

Há acontecimentos que têm um efeito revelador da natureza de certas posições políticas. A actual pandemia é um desses casos. O que teria acontecido aos portugueses se o país tivesse seguido aquilo que certos grupos sociais e políticos advogam relativamente à privatização da saúde e da educação? Esta pergunta deveria assombrar, como se fora um fantasma, cada um de nós.
(ler mais...)


Uma oportunidade aos mercados locais - antónio gomes »  2020-05-26  »  António Gomes

A actual situação de pandemia veio alterar em muitos aspectos o nosso modo de vida, na escola, no trabalho, na ocupação do tempo, no relacionamento social, nas compras, etc.
Vamos esperar que o combate ao corona vírus tenha sucesso e que voltemos a uma certa normalidade.
(ler mais...)


Agora era a cores - joão carlos lopes »  2020-05-25  »  João Carlos Lopes

A tabacaria Central era uma grande casa, três andares com centenas de produtos: papeis, livros, canetas, brinquedos, jogos, carrinhos de miniatura, um nunca mais acabar de coisas que nos enchiam os olhos em tantas salas, escadarias e corredores forrados de novidades.
(ler mais...)


NÃO DEIXEMOS CONFINAR A LIBERDADE! - josé alves pereira »  2020-05-25  »  José Alves Pereira


Em política, os homens foram sempre e serão sempre ingenuamente enganados pelos outros e por si próprios, enquanto não aprenderem a discernir, por detrás das frases, das declarações e das promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses destas ou daquelas classes.
(ler mais...)


FOTO (QUASE COMO O CINEMA) PARAÍSO - josé mota pereira »  2020-05-25  »  José Mota Pereira

A notícia surgiu pelo facebook.
Cumprindo o ciclo da vida, noticiou-se o encerramento da Fotocor. Quem é de Torres Novas, sabe do que falo. Em Torres Novas, toda a gente conhece a Fotocor. Porque a Fotocor foi mais que um estabelecimento comercial.
(ler mais...)


Sinais de Fogo - rui anastácio »  2020-05-25  »  Rui Anastácio

Por vezes, penso que Portugal é uma obra-prima inacabada, tal como o romance “Sinais de Fogo”, de Jorge de Sena.
Portugal é um país maravilhoso com um povo também, razoavelmente maravilhoso. Um povo com uma enorme sabedoria, mas desconfiado e invejoso por natureza.
(ler mais...)


A Igreja e a pandemia em Portugal »  2020-05-09  »  Jorge Carreira Maia

Em todo o processo ligado à pandemia provocada pelo coronavírus, a Igreja Católica em geral, e a portuguesa em particular, teve uma atitude que merece louvor. A Igreja portuguesa, e é nela que centro este artigo, mostrou que não é apenas uma instituição guardiã da fé e tradição apostólicas, mas ainda um factor de razoabilidade dos comportamentos sociais, exercendo uma influência muito importante na atitude de muitos portugueses, o que ajudou a minimizar os efeitos da pandemia.
(ler mais...)


Pela janela, por Inês Vidal »  2020-05-09  »  Inês Vidal

Comprei um bilhete de avião para ir visitar o meu primo João, que está na Suécia, por alturas do casamento dele, em Abril. Crescemos juntos, apesar da diferença de idades. Queria dar-lhe um abraço, desejar-lhe que fosse feliz - comigo aqui relativamente perto, de preferência - ao mesmo tempo que nos perguntaria como é que era possível estarmos ali, se ainda no outro dia andei com ele ao colo.
(ler mais...)


2 beijos »  2020-05-09  »  Rui Anastácio

Peúgas escuras, peúgas brancas, peúgas escuras. Um beijo, 2 beijos, um beijo vs 2 beijos.
Tinha três anos no dia 25 de Abril de 1974.

Sou um amante da liberdade e um amante incondicional da liberdade de expressão.
(ler mais...)


25 de Abril Nunca Mais! »  2020-05-09  »  José Ricardo Costa

Sempre que o calendário faz regressar o 25 de Abril, é também o clássico “25 de Abril sempre!” que regressa. A frase é bonita e voluntariosa mas tem um problema: não dá que o 25 de Abril seja para sempre.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-05-09  »  Rui Anastácio 2 beijos
»  2020-05-25  »  João Carlos Lopes Agora era a cores - joão carlos lopes
»  2020-05-09  »  Inês Vidal Pela janela, por Inês Vidal
»  2020-05-09  »  Jorge Carreira Maia A Igreja e a pandemia em Portugal
»  2020-05-27  »  Jorge Carreira Maia Serviço público