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A transparência das águas

Opinião  »  2019-04-20  »  António Gomes

"Este sobe e desce, no mínimo, deixa qualquer pessoa atenta na maior das confusões"

Neste novo ano entrou em vigor um novo tarifário: pode-se mesmo dizer um novo e radical tarifário da empresa “Águas do Ribatejo”. A Águas do Ribatejo é uma empresa pública detida a 100% por 7 municípios do Ribatejo e que tem vindo a reerguer os sistemas de abastecimento de água e de saneamento que se encontravam na generalidade dos casos em péssimas condições.

Dito isto, vamos ao tarifário: o aumento geral situou-se nos 6%. Na limpeza de fossas, tarifa variável, sem rede de saneamento o aumento é de 58%/m3 e nas zonas com rede de saneamento é de 25%. Para além destes desmesurados aumentos, os valores deveriam ser em sentido contrario, de forma a que quem tem acesso à rede seja coagido a fazer a respetiva ligação, que é para isso que se investe na rede de saneamento. Mas não, o maior aumento recaiu sobre quem não tem a alternativa da ligação à rede.

No preço da água, tarifa variável, o primeiro escalão subiu 4,3%, o segundo 10,6%, o terceiro 4,3 e o quarto 10%: deve ser dada uma explicação. Na tarifa fixa da água, domésticos, o 1º escalão subiu 19,8% 2º desceu 29%, o 3º desceu 64%, os três seguintes sobem entre 4 e 5% e o ultimo subiu 43%. Deve haver uma explicação para isto, mas nós, consumidores, não entendemos. Na tarifa fixa dos não domésticos, o 1º desce 15%, os três seguintes sobem entre 4 e 5%, o ultimo sobe 43% - deve haver uma explicação para isto. No saneamento, tarifa variável, os três primeiros escalões sobem entre 10 e 27% e o ultimo fica na mesma, porquê? No saneamento, quanto à tarifa fixa, domésticos, todos os escalões ficam com o mesmo valor, 2.8770 euros, para tal o 1º escalão, o dos mais pobres, sobe 14.3% e o último desce 1700%, (mil e setecentos, não é engano): deve haver uma explicação para isto. Saneamento, a tarifa fixa dos não domésticos, o 1º escalão desce quase 34%, os restantes sobem cerca de 10%, deve haver uma explicação para isto. No escalão único das autarquias, a subida é de 27%, assim como nas instituições sem fins lucrativos.

Este sobe e desce, no mínimo, deixa qualquer pessoa atenta na maior das confusões, quanto mais a generalidade dos consumidores. Esta alteração no tarifário, até hoje por explicar, é de facto uma revolução, e como tal, deveria ter levado os responsáveis da empresa a justificar o acontecido, a justificar aos autarcas e principalmente aos consumidores.

O rigor e a transparência devem sempre andar de mãos dadas e em particular nas empresas públicas. Com transparência, a democracia fica mais forte e as empresas públicas melhor defendidas.

 

 

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