• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 24 Janeiro 2022    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 17° / 6°
Céu limpo
Qua.
 16° / 6°
Céu limpo
Ter.
 16° / 5°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  15° / 4°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Torres Novas somos nós - inês vidal

Opinião  »  2021-06-04  »  Inês Vidal

"Em Outubro há eleições, mas sentimo-nos nas eleições de há vinte. Os mesmos bigodes, as mesmas caras, as mesmas linhas de pensamento."

Avançamos por aí adentro para um ano de eleições autárquicas. Decidimos o futuro da nossa porta, aquele que está logo ali, mais perto, no imediato, que dita a nossa qualidade de vida assim que colocamos o pé fora da nossa casa. Ou mesmo ainda dentro dela. Decidimos o futuro que, simultânea e estranhamente, menos parece interessar à maioria dos eleitores.

Num ano como o que vivemos, 2021, depois do que a vida nos fez crescer, esperávamos mais da nossa terra, das nossas gentes, se é que em Torres Novas conhecemos esse conceito de comunidade, de unidade, de sermos nós por todos, porque uns somos os outros.

À entrada do meio desse mesmo ano, já conhecemos grande parte dos candidatos para o nosso concelho. Resta-nos apenas descobrir se os novos partidos avançam e uma ou duas caras que já nos habituámos a ver na luta pela autarquia. Temos os da esquerda, os de direita, os do costume e os que tanto ameaçaram que acabaram mesmo por vir. Ainda faltam alguns. Mas até ver, os mesmos nomes, as caras de sempre.

Torres Novas desistiu há muito. Deitou-se à sombra de um eucalipto que tudo secou - parafraseando alguém que por aqui andou muito e há muito - e não apresentou mais ninguém às corridas. As caras novas, se as há - uma pessoa já começa a desconfiar que não - não se juntam à vida política, não se comprometem, não entregam a vida pessoal a uma causa que sentem perdida. Têm outros interesses, vivem para si sem perceber que a coisa pública também são eles, desacreditaram-se, desinteressaram-se e muitas vezes nem sequer querem saber quem vai na voz deles, por eles. Os únicos rostos diferentes que aparecem dizem-se independentes e mesmo esses dependem da sombra de quem já todos conhecem.

Como no ano que passou, percebemos da pior forma que só damos real valor às coisas quando elas fogem das nossas mãos. O mesmo acontece aqui: e se deixássemos um dia de poder escolher quem decide os nossos destinos, se deixássemos um dia de efectivamente poder decidir os nossos dias, se se extinguisse um dia o poder local, aquele da proximidade, que nos deveria conhecer melhor do que ninguém e realmente defender os nossos interessentes, perante um poder que nem sabe que existimos. Como nos arriscamos a entregar-nos assim, sem uma palavra a dizer?

Os partidos vão-se deixando morrer em Torres Novas, não se renovam. As pessoas vivem sozinhas e para si. Já ninguém se assume ou compromete. Há uma corrida a arrancar e a nós só nos dá vontade de fugir dela. A garantia que temos é apenas uma: ou quem já lá esteve vinte ou quem já lá está há trinta. A nossa maior esperança é uma oposição que, seja ela qual for, será sempre o nosso único e último suspiro de democracia. O fim de uma maioria absoluta que se esquece da vontade comum e se sente tentada à vontade do seu próprio umbigo. Um executivo partido, uma divisão de ideais e de interesses, a partilha de decisões, a vigilância de quem não alinha.

Em Outubro há eleições, mas sentimo-nos nas eleições de há vinte. Os mesmos bigodes, as mesmas caras, as mesmas linhas de pensamento. Uma Torres Novas que se mantém pequenina, à espera de que as novas gerações, as que viram mundo, ganhem consciência de que há uma terra que precisa delas e que as chama à obrigação de dar continuidade a um projecto que começou há muito.

A vida pública somos nós e chegámos a um limite. Precisamos que olhem por nós, precisamos também nós de olhar pelos outros. Não basta dizer que ninguém faz nada. Já percebemos que temos de ser nós a fazer parte da coisa. Uma mudança que pode começar com o nosso voto, passar pela nossa intervenção, pela exposição das nossas ideias. Torres Novas não é propriedade de ninguém. Torres Novas é de quem que cá vive, de quem cá nasceu, de quem gosta dela. Torres Novas somos todos nós e não nos podemos entregar ao vento.

 



 

 

 Outras notícias - Opinião


(des)esperança e lição da professora Natureza - maria augusta torcato »  2022-01-13  »  Maria Augusta Torcato

Cada ano novo traz consigo esperança e intenções. É talvez isso que contribui para que nós o sintamos como novo. É uma perceção, uma representação que está tão imbuída em nós e que, mesmo nos mais céticos e desesperançosos, alimenta uma pequenina, ténue e fugaz luz no nosso interior.
(ler mais...)


Que orçamentos, que políticas municipais para as exigências de hoje? - antónio gomes »  2022-01-13  »  António Gomes

Bem o sabemos, os orçamentos materializam políticas e estas devem reflectir as exigências das pessoas e reflectir os desafios do futuro mais ou menos próximo.

Se os orçamentos e os planos a quatro anos não responderem ao grande desafio das alterações climáticas, onde se inclui naturalmente, a menor disponibilidade de água ou a saturação de CO2 na atmosfera…

Se não responderem à falta de habitação digna, em particular para os mais jovens, se não tentarem pelo menos responder ao decréscimo de população, contrariando a grave crise demográfica…

Se o foco continuar a ser o apoio ao grande comércio em detrimento de toda uma rede de pequenos comerciantes por onde passa a base da vivência nos centros das cidades ou, se em termos de apoio à economia e ao emprego, se continuar a olhar apenas para o nosso umbigo em detrimento de um plano muito mais vasto que integre os concelhos vizinhos e tenha capacidade de atracção de investimentos….
(ler mais...)


LINDO, LINDO, É IR AO CURRAL DAS FREIRAS - josé alves pereira »  2022-01-13  »  José Alves Pereira

Na segunda metade dos anos 70 do pretérito século, comecei a ir à Madeira com alguma regularidade. Maior rigor será dizer ao Funchal. Estava em construção o conjunto designado por Casino Park Hotel, obra emblemática com os esboços e o traço inicial do arq.
(ler mais...)


De sua graça - carlos paiva »  2022-01-13  »  Carlos Paiva

Destacado ou disfarçado, por mais de uma vez incluí nestas crónicas a noção de que a medição do sucesso pelo número de aderentes significa zero na balança das boas decisões. O discernimento com maior profundidade raramente acontece dentro das maiorias.
(ler mais...)


O equívoco dos homens fortes - jorge carreira maia »  2022-01-13  »  Jorge Carreira Maia

A sociedade portuguesa, pouca habituada a uma conduta disciplinada, embasbacou com o Vice-Almirante Gouveia e Melo. Até aqui não vem mal ao mundo. Contudo, algumas declarações do novo chefe da Armada abrindo a possibilidade de se candidatar à Presidência da República podem trazer consigo um equívoco.
(ler mais...)


O que aí vem - inês vidal »  2021-12-26  »  Inês Vidal

Passámos o ano, festejámos em família, vivemos mais uma vaga, fechámo-nos em casa, voltámos ao estudo em casa, às síncronas e assíncronas. Vacinámos Portugal. Com o bom tempo largámos as máscaras, acreditámos que o sol teria voltado a brilhar.
(ler mais...)


Regionalização, Espírito do Tempo e a bílis de Rui Rio - jorge carreira maia »  2021-12-26  »  Jorge Carreira Maia

 

Regionalização. A regionalização é uma excelente ideia. O problema, porém, é que estamos em Portugal – e no sul da Europa – o que pode transformar uma coisa boa, num grande problema.
(ler mais...)


A um melhor ano. Eventualmente. - carlos paiva »  2021-12-26  »  Carlos Paiva

Típico da época, os balanços, as listas, as contas feitas. E, contas feitas, é demasiado deprimente picar a checkbox da desilusão. Os problemas que havia, são os que há, somando os que surgiram entretanto.
(ler mais...)


Os donos disto - pedro ferreira »  2021-12-10  »  Pedro Ferreira

Começo esta crónica por lembrar que ninguém diz algo apenas porque sim ou porque calhou. O nosso tempo é limitado e a atenção dos outros também. Sempre que falamos sobre algo, fazemo-lo pela necessidade de dizer x em vez de y ou do silêncio.
(ler mais...)


O som do silêncio - carlos paiva »  2021-12-10  »  Carlos Paiva

Poucos de nós têm a perceção da importância que o som tem nas nossas vidas. Não me refiro só à música, mas também. Os ouvidos não têm pálpebras que bloqueiem o som mediante comando, não têm íris que ajuste a intensidade mediante conveniência, o som está presente de forma permanente, quer queiramos quer não.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-12-26  »  Inês Vidal O que aí vem - inês vidal
»  2021-12-26  »  Jorge Carreira Maia Regionalização, Espírito do Tempo e a bílis de Rui Rio - jorge carreira maia
»  2022-01-13  »  Jorge Carreira Maia O equívoco dos homens fortes - jorge carreira maia
»  2022-01-13  »  José Alves Pereira LINDO, LINDO, É IR AO CURRAL DAS FREIRAS - josé alves pereira
»  2022-01-13  »  Carlos Paiva De sua graça - carlos paiva