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O som do silêncio - carlos paiva

Opinião  »  2021-12-10  »  Carlos Paiva

"O som do silêncio No âmbito do som, uma iniciativa louvável aconteceu em Torres Novas."

Poucos de nós têm a perceção da importância que o som tem nas nossas vidas. Não me refiro só à música, mas também. Os ouvidos não têm pálpebras que bloqueiem o som mediante comando, não têm íris que ajuste a intensidade mediante conveniência, o som está presente de forma permanente, quer queiramos quer não. O cérebro é o responsável por filtrar aquilo que (supostamente) interessa, da amálgama sonora que faz vibrar os tímpanos vinte e quatro horas por dia.

Na vanguarda da exploração do som, a diversos níveis, destacam-se nomes maioritariamente canadianos que, estão na origem de conceitos como “paisagem sonora”, “escultura sonora”, “instalação sonora”, “biblioteca sonora”. Os ramos que deste tronco partem alcançam áreas tão distintas como a arte, a ciência, a filosofia. O som cruza e agrega. Graças a práticas de registo sonoro, apercebemo-nos que os sons naturais são cada vez mais escassos e os sons urbanos ocupam quase todo o espaço. O impacto do homem no planeta é também um impacto sonoro. No nosso quotidiano somos amestrados pelo som: saltamos da cama ao som do despertador. Notamos um problema no carro porque faz um som esquisito, fora do normal. Quando ocorre um som desconhecido em casa, levantamos o rabo do sofá e vamos ver o que se passa. Sabemos perfeitamente separar o choro de birra do choro de dor no som que as nossas crianças emitem. Reagimos com movimentos automáticos ao toque do nosso telefone móvel. O som rege a nossa vida, muito para além da importância que lhe atribuímos. O som é fundamental.

No âmbito do som, uma iniciativa louvável aconteceu em Torres Novas. Executou-se a recolha e armazenamento do som ambiente, da paisagem sonora, de locais específicos predeterminados. Aplaudo a iniciativa mas é apenas um começo. E tardio. É preciso fazer mais. Tanto quantitativamente como qualitativamente, organizar, catalogar, datar, repetir ciclicamente e… disponibilizar ao público. Em Portugal, várias instituições públicas disponibilizam, on-line e presencialmente, sonotecas, fototecas, videotecas. Várias câmaras municipais, museus, bibliotecas, cumprem um papel de registo armazenamento e divulgação da história para os mais diversos fins.

O percurso da história de Torres Novas é rico na diversidade, no contraste. Partindo de uma realidade agrícola, passou por um período altamente industrializado, expandiram-se os serviços e o comércio e, hoje, uma mistura desequilibrada de todas as realidades anteriores. Diversos ambientes ficaram irremediavelmente perdidos, por não existirem registos. Ou existem, mas em mãos privadas que, eventualmente os instrumentalizam para fins… privados. A ideia arrancou tarde, mas arrancou. E isso é importante.

É de igual importância que se dê continuidade e se expanda o âmbito. Seria lamentável definhar numa gaveta e extinguir-se algo relevante, só porque não dá prémios nem traz protagonismo mediático. Se calhar é ousado demais pensar que os nossos netos possam visitar o museu ou a biblioteca e escutar (cronologicamente ou não) as várias existências ou fases, da Banda Operária Torrejana, do Choral Phydellius, até mesmo das bandas Rock que brotaram como cogumelos na primeira metade dos anos noventa em Torres Novas. Se pensar isto é ousado, como adjectivar a expectativa de ouvir novamente o apito da Fiação e Tecidos, ou poder comparar, por época, as diferentes sirenes dos Bombeiros? Comparar o marulhar da água do rio Almonda entre inverno e verão, identificar as aves pelo seu trinado? Tudo isto é importante. Constitui identidade. Constitui cultura. Haja sensibilidade para tal.

 

 

 

 

 

 

 

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