É um banco, talvez, feliz! - maria augusta torcato
Opinião
» 2024-11-14
» Maria Augusta Torcato
É um banco, talvez, feliz!
Era uma vez um banco. Não. É um banco e um banco, talvez, feliz!
E não. Não é um banco dos que nos desassossegam pelo que nos custam e cobram, mas dos que nos permitem sossegar, descansar.
Ao longo dos tempos, durante um século ou mais, este banco cumpriu a função para que nasceu. Se um barco só é barco se navegar, então, um banco só será banco se cumprir a sua função e nele se sentarem pessoas, procurando nele o alívio do cansaço e o retemperar de forças. Ou apenas o estar, o olhar à volta, numa de contemplação quando o tempo se esquece que é tempo.
Eu tenho este banco na memória. Ali, mesmo ao atravessar a estrada principal da vila, coladinho, como parte integrante da casa da D. Maria da Luz, a quem eu ia pagar a renda, quando era jovem e, depois, quando trabalhava na cooperativa, também ali encostadinha. Junto deste banco havia sempre gente. Gente que vinha da Raposeira, do São Pedro ou dos Chões, a pé. Vinha e ia, a pé. Principalmente mulheres que pousavam no banco ou junto dele os seus carregos, aliviando a cabeça do peso e da rigidez, para, depois, retomarem o seu caminho e a sua vida.
Ao fim do dia havia também uma ou duas figuras masculinas, entre elas lembro o Alfredo, que faziam daquele assento e daquele lugar o seu lugar social.
Porém, ao longo dos anos, e como tudo, o banco foi, aparentemente, perdendo interesse, talvez, utilidade. Há menos pessoas. Há menos pessoas a andar a pé. Há menos pessoas a quem o banco diz coisas, como a mim. Imagino as histórias que este banco tem para contar. Nunca lhe perguntei se alguma vez as crianças, os rapazes, que faziam rali em carrinhos de rolamentos e desciam em velocidade estonteante e perigosa, a rua da Praça do Peixe, ali foram partir a cabeça ou ganhar umas boas e belas nódoas negras. Nunca lhe perguntei nada, mas acho que conversamos bastante, apenas eu passando ali.
Ora, quando as paredes da casa a que o banco se encostava estavam a ser demolidas, para dar lugar a espaços mais amplos e necessários aos dias de hoje, mostrando que nem sempre o que é preciso hoje era preciso ontem, ou o seu contrário, numa espécie de telepatia, dirigi-me a ele, ao banco, como ia ser. Teria a sua história chegado ao fim? Como se sentiria?
Mas eis que, renascido o espaço, o banco foi reposto tal como antes existia, resgatando, na rua - avenida, nos nossos corações e nas nossas memórias, o seu papel.
Por isso, é, talvez, um banco feliz!
Quantos de nós poderemos dizer isso mesmo de nós mesmos? Eu, sinceramente, fiquei feliz e não consigo deixar de sorrir sempre que, em cada dia, junto dele passo. Acho que nos compreendemos mutuamente, reciprocamente!
E já percebi que , agora, muita gente o olha de maneira diferente, talvez o tenha visto agora e antes apenas olhado. Agora, vão-se multiplicando fotografias ao pé banco, sentados no banco e até só do banco. É justo! E merecido! O banco é uma entidade. É uma parte do nosso passado, em que assentam, neste caso se sentam, as memórias. E, sem elas, não existimos. Não há presente, nem haverá futuro, sem memória e sem memórias.
Este banco é, certamente, um banco feliz!
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É um banco, talvez, feliz! - maria augusta torcato
Opinião
» 2024-11-14
» Maria Augusta Torcato
É um banco, talvez, feliz!
Era uma vez um banco. Não. É um banco e um banco, talvez, feliz!
E não. Não é um banco dos que nos desassossegam pelo que nos custam e cobram, mas dos que nos permitem sossegar, descansar.
Ao longo dos tempos, durante um século ou mais, este banco cumpriu a função para que nasceu. Se um barco só é barco se navegar, então, um banco só será banco se cumprir a sua função e nele se sentarem pessoas, procurando nele o alívio do cansaço e o retemperar de forças. Ou apenas o estar, o olhar à volta, numa de contemplação quando o tempo se esquece que é tempo.
Eu tenho este banco na memória. Ali, mesmo ao atravessar a estrada principal da vila, coladinho, como parte integrante da casa da D. Maria da Luz, a quem eu ia pagar a renda, quando era jovem e, depois, quando trabalhava na cooperativa, também ali encostadinha. Junto deste banco havia sempre gente. Gente que vinha da Raposeira, do São Pedro ou dos Chões, a pé. Vinha e ia, a pé. Principalmente mulheres que pousavam no banco ou junto dele os seus carregos, aliviando a cabeça do peso e da rigidez, para, depois, retomarem o seu caminho e a sua vida.
Ao fim do dia havia também uma ou duas figuras masculinas, entre elas lembro o Alfredo, que faziam daquele assento e daquele lugar o seu lugar social.
Porém, ao longo dos anos, e como tudo, o banco foi, aparentemente, perdendo interesse, talvez, utilidade. Há menos pessoas. Há menos pessoas a andar a pé. Há menos pessoas a quem o banco diz coisas, como a mim. Imagino as histórias que este banco tem para contar. Nunca lhe perguntei se alguma vez as crianças, os rapazes, que faziam rali em carrinhos de rolamentos e desciam em velocidade estonteante e perigosa, a rua da Praça do Peixe, ali foram partir a cabeça ou ganhar umas boas e belas nódoas negras. Nunca lhe perguntei nada, mas acho que conversamos bastante, apenas eu passando ali.
Ora, quando as paredes da casa a que o banco se encostava estavam a ser demolidas, para dar lugar a espaços mais amplos e necessários aos dias de hoje, mostrando que nem sempre o que é preciso hoje era preciso ontem, ou o seu contrário, numa espécie de telepatia, dirigi-me a ele, ao banco, como ia ser. Teria a sua história chegado ao fim? Como se sentiria?
Mas eis que, renascido o espaço, o banco foi reposto tal como antes existia, resgatando, na rua - avenida, nos nossos corações e nas nossas memórias, o seu papel.
Por isso, é, talvez, um banco feliz!
Quantos de nós poderemos dizer isso mesmo de nós mesmos? Eu, sinceramente, fiquei feliz e não consigo deixar de sorrir sempre que, em cada dia, junto dele passo. Acho que nos compreendemos mutuamente, reciprocamente!
E já percebi que , agora, muita gente o olha de maneira diferente, talvez o tenha visto agora e antes apenas olhado. Agora, vão-se multiplicando fotografias ao pé banco, sentados no banco e até só do banco. É justo! E merecido! O banco é uma entidade. É uma parte do nosso passado, em que assentam, neste caso se sentam, as memórias. E, sem elas, não existimos. Não há presente, nem haverá futuro, sem memória e sem memórias.
Este banco é, certamente, um banco feliz!
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
» 2026-10-05
Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
“Forja a língua numa bigorna livre de mentiras”, Píndaro Causou algum burburinho uma espécie de workshop organizado recentemente por um conhecido infuencer antivacinas em Santarém. Dum lado, os adversários da iniciativa e críticos da passividade da autarquia, coproprietária das instalações onde teve lugar a tal sessão; do outro, os que acham que não se pode tolher a liberdade de opinião e que é contraproducente dar palco a um movimento sem expressão, onde se prega para pequena comunidade fechada de convertidos. |
Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
» 2026-10-05
» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
» 2026-10-05
Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista. |
Salve-se quem puder
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". |
O Princípio da Realidade
» 2026-09-19
» José Ricardo Costa
Na anterior edição do JT, não pude deixar de notar com júbilo a notícia sobre a formação de um núcleo intermunicipal Entroncamento-Torres Novas, do partido Livre. Declaração de desinteresse: não tenho partido e, para o caso, é irrelevante o partido em questão. |
Educação, PISA e cultura escolar
» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. |
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» 2026-10-05
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem! |
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