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(des)esperança e lição da professora Natureza - maria augusta torcato

Opinião  »  2022-01-13  »  Maria Augusta Torcato

Cada ano novo traz consigo esperança e intenções. É talvez isso que contribui para que nós o sintamos como novo. É uma perceção, uma representação que está tão imbuída em nós e que, mesmo nos mais céticos e desesperançosos, alimenta uma pequenina, ténue e fugaz luz no nosso interior. Já não acredito, mas….

E é essa esperança que hoje, para assinalar mais um novo ano, eu quero ilustrar, mesmo que se sustente num olhar de desesperança.

Como boa intenção, retomei as minhas caminhadas. Duas em quatro dias é uma boa média. E desde que foi mensurado o percurso e descobri que o mesmo completava cinco mil metros, cinco quilómetros, veja-se, ainda fiquei mais satisfeita! Porém, mais do que exigir às pernas movimentos que conduzem um passo atrás do outro, passear a cabeça, como costumo dizer, é o que mais agrado me dá. E passear a cabeça não é apenas pô-la ao vento ou ao ar, é absorver pelos sentidos tudo o que me rodeia nesse caminho precioso de terra batida, às vezes enlameado, com poças de água que nos espelham, e ladeado por campos onde animais, de forma quase livre, se banqueteiam e as flores silvestres, as ervas e os arbustos crescem e aparecem para nos surpreender. Aliás, em cada ano, há novidades, parece que há espécies que só em determinadas condições, ou talvez quando querem mesmo, emergem e se mostram para espantar e prender a atenção dos transeuntes daquele caminho.

Neste percurso, que apenas descobri, apesar de tão próximo, há três estios, tenho-me apercebido que a natureza é a melhor professora que podemos ter, sempre presente e disposta a ajudar-nos na construção do nosso conhecimento e até sendo um modelo para o modo como devemos viver. Cada vez mais a natureza nos mostra que vai havendo uma diluição dos contrastes das estações que a regem e, apesar de estarmos no inverno, apenas com quatro dias do novo ano, parece que já é primavera. O alecrim, por exemplo, já está em flor, o orégão já rompeu bem a terra e já dança com a aragem, o tomilho já cobre, qual tapete, grandes espaços, os malmequeres amarelos já salpicam o verde rasteiro e por aí adiante.

E foi neste percurso que, na sequência de um estio mais forte e na exigência da limpeza de ervas secas, se revelou aquilo que, mais uma vez me entristeceu: vestígios de aparas, raspas ou “esgarra” de peles cobriam e entremeavam um murete de pedra solta que delimitava o caminho. Tanto o murete, como os restos de peles e o seu abandono resultaram de gestos humanos, não há qualquer dúvida. E a natureza, confrontada com esta realidade, mais não fez do que silenciosamente aceitar e agir perante tal ação. Assim, ao longo de um par de anos, em cada caminhada neste lugar, eu assisti ao evoluir da reação natural: da secura e exposição das pedras e resquícios de peles ao nascimento de musgos e ervas. Agora, quando olho, vejo uma obra de arte da natureza. Parece que uma cabeleira de matéria orgânica adorna e transforma as pedras do caminho. Perguntei-me se seria a oitava maravilha. A minha imaginação pode recriar qualquer história.

Terminamos o ano velho com uma cimeira do clima, acusada de ser mais um blá, blá, blá. Tudo o que diz respeito ao ambiente, e a muitas outras coisas, pode e deve ter intervenção global, mas se, cada um de nós não tiver vontade e não fizer o que deve fazer, nada se fará nem mudará. Será mesmo blá, blá, blá. Quero acreditar que os jovens e as gerações vindouras têm e terão uma sensibilidade e um conhecimento que farão a diferença e permitirão que o homem viva e usufrua do que a natureza tem sempre para lhe dar. Até porque já se percebeu que a burrice do homem, ou a sua malvadez, ou a sua ignorância, ou o seu materialismo, ou a sua ilusão não lhe perpetuarão a vida, apenas lha reduzirão e a tornarão insipiente, a sua e a dos outros. A natureza sempre encontrará forma de renascer, de se renovar, de se reinventar e de (re)criar. Algo que o ser humano não consegue. Aliás, às vezes, até parece o contrário, estando vivo, há tão pouca apreciação da vida, tão pouco respeito pela vida, sua e dos outros, que parece que morreu nele o que o faz humano. Estando vivo está morto. A natureza morta viverá. Por isso, era bom que nós, enquanto ainda temos algum tempo, possamos refletir e agir. Possamos ler a natureza e possamos aprender. A comunhão entre os homens e a natureza exige respeito e o Ser será sempre superior ao Ter.

 

 

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