• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 17 Agosto 2022    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 39° / 21°
Céu limpo
Sex.
 38° / 21°
Céu limpo
Qui.
 34° / 15°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  27° / 16°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Astrazeneca: não me peçam a decisão - inês vidal

Opinião  »  2021-05-30  »  Inês Vidal

"“Sou apenas uma cidadã que, consciente de que todos os medicamentos têm riscos, quer ser vacinada, já que essa é a única forma de sairmos deste estado, mas que espera fazê-lo confiante de que não é um"

Somos, desde muito cedo, chamados à responsabilidade pelo tanto que fazemos. Se somos obesos é porque comemos de mais, se temos cancro de pulmão deve-se aos maus hábitos que promovemos, se somos presos, foi porque cometemos um crime. Simples como isso: há uma causa, há um efeito e somos chamados a responder por ele. Há até um ditado popular para isso: “Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar”.

Somos formatados para isso. Treinamos durante anos, desde que nascemos, para ser a pessoa perfeita, com aquele livre arbítrio de que Jorge Maia tanto me falou enquanto meu professor de filosofia. As escolhas somos nós que as fazemos, aliadas à responsabilidade que nos é incutida e as respectivas consequências haveremos de as acarretar. Somos criados entre limites, que nos ditam as normas pelas quais deveremos ter de nos reger, na tentativa de atingir aquela normalidade que alguém decidiu que o é, seja lá o que isso for...

Mas esse livre arbítrio, essa relação causal justificada, só o poderá efectivamente ser quando plenamente conscientes do que fazemos, quando na posse de todos os dados, recheados de uma sabedoria que nos permita sustentar uma decisão, seja ela aquela que esperam de nós, ou a outra, a que realmente temos vontade de tomar. Nunca o princípio poderá ser decidir sem ter em conta peso e medida. Nunca, especialmente se esse pedido vier exactamente de quem mais espera que sejamos sempre perfeitos, correctos, exemplos...

 Sou mulher nascida, sou menor de 40 anos por acaso, sou jornalista de formação académica, directora de jornal por amor, técnica auxiliar de farmácia de profissão porque a vida (e minhas pensadas e consertadas decisões) aí me levaram. Foi ao abrigo deste meu último papel que fui uma das primeiras contempladas com uma vacina contra a Covid-19. Como não poderia deixar de ser, com a famosa vacina da Astrazeneca. E aqui estou eu: viva, bem de saúde, sem reacções de maior e desejando fervorosamente a segunda dose que, em primeira análise, me dotará de uma maior protecção contra esse vírus que nos veio fazer ver quão feio ou quão belo pode o mundo ser.

A sensivelmente duas semanas dessa eventual segunda dose, restam-me dúvidas sobre o que vai sobrar para mim (se me permitem a ironia desta frase). De acordo com estudos mais recentes (posteriores à minha primeira dose), esta vacina deverá ser idealmente atribuída apenas a pessoas com idade superior à minha, ficando eu à partida - caso se colocasse o estudo na prática - excluída dessa segunda fase.

Muito bem. A teoria é essa, mas o que acontece a seguir efectivamente? Terei de repetir todo o processo de vacinação? Ser-me-á dada uma vacina diferente? Ou, de acordo com zunzuns que correm para aí, serei eu, Maria Inês, mulher nascida, menos de 40 anos, jornalista de formação académica, directora de jornal por amor, técnica auxiliar de farmácia de profissão porque sim, chamada a decidir sobre o que é melhor para mim?

A mim, que como tantos outros na mesma situação, não sou especialista em vacinas, vai-me ser dito qualquer coisa como: “Se quiser a segunda dose é sua, sabendo à partida que poderá não ser indicada para a sua faixa etária. Se não quiser, espere até que percebamos o que vamos fazer consigo”.

Vamos lá ver se nos entendemos? Se eu fosse assim tão entendida em vacinas e saúde pública a ponto de decidir se deveria ou não dar continuidade à minha vacinação, marcava lugar nas reuniões de especialistas no Infarmed, o espaço mais indicado para explanar o meu ponto de vista. Mas todos sabemos que não é o caso. Sou apenas uma cidadã que, consciente de que todos os medicamentos têm riscos, quer ser vacinada, já que essa é a única forma de sairmos deste estado, mas que espera fazê-lo confiante de que não é um mero pontapé na sorte, mas sim de que os benefícios continuam a superar os riscos. E isso, não posso nunca ser eu a avaliar. Para isso existem comissões, task forces e direcções-geral de saúde.  

Quero o meu passaporte verde. Se quero... Quero as vacinas que me conferirão protecção contra esse vírus que, ao que parece, mata. Mas não me perguntem que vacina vou levar. Decida quem sabe, em plena consciência do que isso me poderá, ou não, fazer. A mesma consciência previamente informada que eu levarei ao esticar o braço, confiando plenamente em quem tomar essa decisão. Desde que a tome. E alguém que saiba do assunto. Não eu, jornalista de formação, directora de jornal por amor, técnica auxiliar de farmácia de profissão, porque a vida assim quis.

 

 

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Não é coisa pouca! - antónio gomes »  2022-08-16  »  António Gomes

A cidadania fez-se ao caminho, recolheu mais de 900 assinaturas, entregou-as na Assembleia Municipal e colocou-a a reflectir sobre o assunto.

Os peticionários e a Assembleia Municipal de Torres Novas tomaram posição e decidiram sobre o futuro do território que envolve a nascente do rio Almonda e sobre a pertença da água que ali brota.
(ler mais...)


CRÓNICA PARA UM TEMPO ESTIVAL - -josé alves pereira »  2022-08-16  »  José Alves Pereira

Neste verão canicular de dias adormentados, cercados pelas chamas televisivas e pela (des)informação da guerra na Ucrânia e outras menos visíveis, que escrever para alguns distraídos momentos de leitura ?  Nesta indecisão, veio-me à memória um episódio insólito presenciado num outro escaldante Agosto, no final dos anos 80, numa praia de Marbelha, ao sul de Espanha.
(ler mais...)


Três notas sobre o mês de Agosto - josé mota pereira »  2022-08-16  »  José Mota Pereira

1.

“Primeiro dia de inverno”, assim ouvia ao avô de verão, mestre Zé Viola, velho  pescador de Peniche, onde na sua pequena casa  passávamos as férias de verão nos anos iniciais da existência.
(ler mais...)


Não (h)à crise - carlos paiva »  2022-08-16  »  Carlos Paiva

Conto com mais de meio século de existência e não conheço Portugal sem estar em crise. Este estado perpétuo instalou-se no subconsciente colectivo, sendo aceite como a normalidade. Curioso como regularmente o governo nos educa para novas normalidades.
(ler mais...)


Trve - carlos paiva »  2022-07-15  »  Carlos Paiva

Quem se interessa por música, em jovem e no caminho para a maturidade, é comum acontecer um sentido de propriedade, totalmente deslocado, acerca de algo que não nos pertence, nem por sombras está dentro da nossa esfera de influência.
(ler mais...)


Os rankings e escolas públicas e privadas - jorge carreira maia »  2022-07-15  »  Jorge Carreira Maia

Já com o calor de Julho saíram os rankings dos exames nacionais do ano anterior. Sempre que são publicados, geram uma árdua batalha entre os defensores da sua não publicação, argumentando que não se pode comparar o incomparável, como os que defendem que se deve tornar manifesto quais as escolas que tem mérito e aquelas que não o têm e, numa perspectiva liberal, argumentar sobre a superioridade do ensino privado sobre o ensino público.
(ler mais...)


A NASCENTE QUE NUNCA MORRE - ana domingos »  2022-07-15  »  Ana Domingos

 

No dia em que as fontes secarem, depois no norte e sul se fundirem, já estarei longe deste lugar. Depois, para lá de tudo, do tacto, da cor, um miudinho templo apreciará, insistentemente, a ousadia desafiante de nunca, mas nunca morrer.
(ler mais...)


É tempo de dignificar a Assembleia Municipal de Torres Novas - antónio gomes »  2022-07-05  »  António Gomes

 

A última sessão da Assembleia Municipal (AM) aprovou, por unanimidade, a gratuitidade dos TUT a partir de 2023, por proposta do BE. Logo no início deste século, a Agência Europeia do Ambiente tinha colocado como uma das condições principais em defesa do ambiente que os transportes públicos fossem gratuitos.
(ler mais...)


A ANEMIA - josé mota pereira »  2022-07-05  »  José Mota Pereira

Num canto de página d` O Almonda, na sequência de mais uma reorganização do jornal nestes últimos anos, vem o anúncio: O Almonda deixará de se publicar semanalmente, passando a quinzenário.

 Na sua longa história, esta é uma mudança significativa e que ultrapassa as fronteiras do jornal.
(ler mais...)


Um problema irresolúvel - jorge carreira maia »  2022-07-05  »  Jorge Carreira Maia

 


1. A solidão de Macron. A coligação de apoio a Macron ganhou as eleições legislativas francesas, mas o governo ficou sem maioria no parlamento. O pior é que este reflecte a polarização política existente em França, onde as forças radicais e populistas, à esquerda e à direita, têm uma enorme influência, e o centro-direita não parece inclinado a estender a mão à maioria.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2022-08-16  »  António Gomes Não é coisa pouca! - antónio gomes
»  2022-08-16  »  José Alves Pereira CRÓNICA PARA UM TEMPO ESTIVAL - -josé alves pereira
»  2022-08-16  »  Carlos Paiva Não (h)à crise - carlos paiva
»  2022-08-16  »  José Mota Pereira Três notas sobre o mês de Agosto - josé mota pereira