• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 26 Junho 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 29° / 15°
Períodos nublados
Sex.
 29° / 14°
Céu limpo
Qui.
 27° / 13°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  26° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O papel dos cidadãos

Opinião  »  2018-09-27  »  Jorge Carreira Maia

"Quanto menos conscientes forem os cidadãos, mais facilmente quem ocupa o poder pode abusar. Quanto mais conscientes os cidadãos, maiores são os limites que impõem a quem os governa."

No início do ano lectivo, costumo explicar aos meus alunos de Ciência Política que a política é o lugar do mal. No seguimento da lição de Thomas Hobbes, tento mostrar-lhes que a política existe porque nós não somos moralmente irrepreensíveis e, movidos por interesses egoístas, fazemos mal uns aos outros. Sublinho, também, que a forma como o poder limita e castiga o mal é também ela uma figura do mal. O poder reprime o mal através do mal, a chamada violência legítima. Por fim, saliento que a política, vista como exercício do poder, contém em si uma possibilidade de mal ainda mais terrível que as anteriores. Trata-se da hipótese daqueles que governam o fazerem em proveito próprio, enriquecendo ilicitamente, promovendo os seus amigos, perseguindo os opositores e oprimindo a população em geral.

Refiro-lhes, depois, que apesar da política estar intrinsecamente ligada à existência do mal, o seu exercício é fundamental e nobre. Evitar que o mal se propague, destrua a paz pública e desarticule a comunidade, mesmo que isso seja feito através da violência legítima, é uma tarefa digna e que merece grande louvor. Por fim, chamo a atenção para a aparente contradição que cada um de nós, cidadãos, exibe perante o poder político. Por um lado, queremos que ele seja forte e, por outro, que seja fraco. Queremos que tenha força suficiente para defender a nossa segurança e os nossos direitos, mas, ao mesmo tempo, queremos que não tenha força para nos oprimir ou para usar o poder em proveito de quem o ocupa.

Aquilo que gosto de sublinhar é que não podemos, em democracia, olhar a política sem compreender o papel dos cidadãos na limitação do mal. A estes não cabe apenas respeitar a lei ou participar na vida política como actores políticos. Enquanto cidadãos, têm o dever de olhar para a política de forma a limitar o abuso do poder, restringir as possibilidades dos agentes políticos praticarem o mal ilegítimo. Quanto menos conscientes forem os cidadãos, mais facilmente quem ocupa o poder pode abusar. Quanto mais conscientes os cidadãos, maiores são os limites que impõem a quem os governa. E este é um dos problema da democracia portuguesa. A maioria dos cidadãos ou não se interessa pela política ou é fanática, transformando a política numa deplorável competição futebolística. Enquanto assim for, a nossa democracia será frágil, os governantes pouco respeitarão as populações e o abuso do poder será uma possibilidade real, a que dificilmente se porá travão.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Autarquias, professores, padres casados e futebol »  2019-06-20  »  Jorge Carreira Maia

PODER AUTÁRQUICO. Depois da operação Teia, uma nova operação contra detentores – ou ex-detentores – do poder autárquico. Não faço ideia o que pensam presidentes de câmara e vereadores sobre a reputação das autarquias.
(ler mais...)


Democracia, por Inês Vidal »  2019-06-19  »  Inês Vidal

Somos todos pela democracia. Menos quando ganha quem não queremos. Esta coisa da democracia tem que se lhe diga. Que o diga eu que, nunca falhando a umas eleições, nunca vi ganhar nenhumas. Fica sempre um sabor amargo na boca, uma angústia de não ver ganhar quem se quer.
(ler mais...)


O Tempo dos Gelados »  2019-06-19  »  José Ricardo Costa

Uma coisa que a natureza tem de bastante simpático, facilitando-nos a vida, é a sua circularidade. Por exemplo, as estações do ano. Fosse a natureza destrambelhada e nada poderíamos prever, deixando-nos à nora sobre o que fazer no dia seguinte.
(ler mais...)


Problemas de memória »  2019-06-19  »  Hélder Dias

Glifosato Man »  2019-06-19  »  Hélder Dias

Agustina, a crise na direita, a doença da social-democracia e a teia »  2019-06-07  »  Jorge Carreira Maia

AGUSTINA BESSA-LUÍS. O século XX português teve uma mão cheia de excelentes romancistas. A atribuição do Nobel a Saramago reconheceu isso. Se tivesse sido a Agustina, não teria ficado mal entregue.
(ler mais...)


Parabéns, abstenção! »  2019-06-06  »  Anabela Santos

Muito se tem falado, já tudo foi dito e é do conhecimento de todos que as eleições europeias realizadas no dia vinte e seis de Maio trouxeram uma vitória para a esquerda, excepto para o PCP, e uma acentuada derrota para a direita.
(ler mais...)


Encruzilhada »  2019-06-06  »  António Gomes

Já assim era, mas depois das últimas eleições europeias a interrogação subiu de tom: vai ou não haver geringonça após as próximas eleições legislativas? – as pessoas perguntam.
(ler mais...)


GREVE? »  2019-06-06  »  Denis Hickel

gre·ve
(francês grève)
substantivo feminino
Interrupção temporária, voluntária e colectiva de atividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação (ex.
(ler mais...)


Quando a pedra é o sapato »  2019-06-06  »  Ana Sentieiro

Ontem trajei pela primeira vez. A Noite de Serenatas enlatou a comunidade académica da Universidade do Minho no Largo da Sé. A escuridão dos trajes iluminava os corações dos presentes, aquecia os abraços e motivava as lágrimas ao som da melodia das guitarras portuguesas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-06-07  »  Jorge Carreira Maia Agustina, a crise na direita, a doença da social-democracia e a teia
»  2019-06-19  »  Hélder Dias Glifosato Man
»  2019-06-06  »  Ana Sentieiro Quando a pedra é o sapato
»  2019-06-06  »  António Gomes Encruzilhada
»  2019-06-06  »  Denis Hickel GREVE?