• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sábado, 24 Agosto 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Ter.
 26° / 17°
Períodos nublados
Seg.
 28° / 16°
Períodos nublados
Dom.
 31° / 15°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  33° / 17°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O papel dos cidadãos

Opinião  »  2018-09-27  »  Jorge Carreira Maia

"Quanto menos conscientes forem os cidadãos, mais facilmente quem ocupa o poder pode abusar. Quanto mais conscientes os cidadãos, maiores são os limites que impõem a quem os governa."

No início do ano lectivo, costumo explicar aos meus alunos de Ciência Política que a política é o lugar do mal. No seguimento da lição de Thomas Hobbes, tento mostrar-lhes que a política existe porque nós não somos moralmente irrepreensíveis e, movidos por interesses egoístas, fazemos mal uns aos outros. Sublinho, também, que a forma como o poder limita e castiga o mal é também ela uma figura do mal. O poder reprime o mal através do mal, a chamada violência legítima. Por fim, saliento que a política, vista como exercício do poder, contém em si uma possibilidade de mal ainda mais terrível que as anteriores. Trata-se da hipótese daqueles que governam o fazerem em proveito próprio, enriquecendo ilicitamente, promovendo os seus amigos, perseguindo os opositores e oprimindo a população em geral.

Refiro-lhes, depois, que apesar da política estar intrinsecamente ligada à existência do mal, o seu exercício é fundamental e nobre. Evitar que o mal se propague, destrua a paz pública e desarticule a comunidade, mesmo que isso seja feito através da violência legítima, é uma tarefa digna e que merece grande louvor. Por fim, chamo a atenção para a aparente contradição que cada um de nós, cidadãos, exibe perante o poder político. Por um lado, queremos que ele seja forte e, por outro, que seja fraco. Queremos que tenha força suficiente para defender a nossa segurança e os nossos direitos, mas, ao mesmo tempo, queremos que não tenha força para nos oprimir ou para usar o poder em proveito de quem o ocupa.

Aquilo que gosto de sublinhar é que não podemos, em democracia, olhar a política sem compreender o papel dos cidadãos na limitação do mal. A estes não cabe apenas respeitar a lei ou participar na vida política como actores políticos. Enquanto cidadãos, têm o dever de olhar para a política de forma a limitar o abuso do poder, restringir as possibilidades dos agentes políticos praticarem o mal ilegítimo. Quanto menos conscientes forem os cidadãos, mais facilmente quem ocupa o poder pode abusar. Quanto mais conscientes os cidadãos, maiores são os limites que impõem a quem os governa. E este é um dos problema da democracia portuguesa. A maioria dos cidadãos ou não se interessa pela política ou é fanática, transformando a política numa deplorável competição futebolística. Enquanto assim for, a nossa democracia será frágil, os governantes pouco respeitarão as populações e o abuso do poder será uma possibilidade real, a que dificilmente se porá travão.

 

 

 Outras notícias - Opinião


A greve dos motoristas »  2019-08-23  »  Jorge Carreira Maia

PÔR O REGIME À PROVA. Na greve dos motoristas de matérias perigosas coincidiram duas vertentes que, para os próprios interessados, não deveriam ter coincidido. A luta laboral por reivindicações que merecerão respeito e um desafio às instituições políticas e ao regime.
(ler mais...)


À mulher de César não basta ser séria… »  2019-08-09  »  António Gomes

Vem isto a propósito da aquisição de imóveis pela Câmara de Torres Novas, sitos em Riachos. Só o BE votou contra.

Os proprietários propuseram a aquisição e a Câmara comprou.
(ler mais...)


Bons Sons »  2019-08-09  »  Inês Vidal

Treze anos, dez edições, uma aldeia em manifesto. Arrancou ontem, dia 8, mais uma edição do festival Bons Sons, que anualmente traz a Cem Soldos, concelho de Tomar, milhares de pessoas e música, muita música portuguesa.
(ler mais...)


Carteiro »  2019-08-09  »  Ana Sentieiro

A genética é, de facto, uma coisa incrível! Contudo, no meu caso, a genética desempenha mais o papel de progenitor ausente, que se esquece do meu aniversário, não sabe o meu número de telemóvel e saca duas notas de vinte da carteira de pele quando está folgado e diz, “Para te divertires, mas não digas à tua mãe!”.
(ler mais...)


Livros para férias »  2019-08-09  »  Jorge Carreira Maia

COMO MORREM AS DEMOCRACIAS. Autores Steven Levitsky & Daniel Ziblatt, ambos professores em Harvard. Uma reflexão com incidência americana, mas apoiada no estudo das mortes da democracia nos anos trinta do século passado, na Europa, e nos anos 60 e 70, também do XX, na América Latina.
(ler mais...)


Balanço político da legislatura »  2019-07-20  »  Jorge Carreira Maia

Partido Socialista. Nunca, na história da democracia portuguesa, tinha havido um governo suportado por toda a esquerda parlamentar. António Costa e os socialistas foram os grandes beneficiários da inovação.
(ler mais...)


Umbigos, por Inês Vidal »  2019-07-05  »  Inês Vidal

A política sempre foi um dos assuntos que me deu mais gozo acompanhar enquanto jornalista. Não é novo, já o disse aqui muitas vezes. Encanta-me o jogo, perceber as redes, as pessoas, ver o que as move, como se movem, como a política puxa pelo melhor e revela o pior de quem se envolve.
(ler mais...)


Bloco de Esquerda, Rui Rio, União Europeia e Igreja Católica »  2019-07-05  »  Jorge Carreira Maia

O BLOCO DE ESQUERDA E OS DEPUTADOS. Parece haver divergências entre a distrital de Santarém e a direcção nacional sobre quem deve encabeçar a lista de candidatos pelo distrito às eleições legislativas.
(ler mais...)


PLANTAR ÁRVORES »  2019-07-04  »  António Gomes

As alterações climáticas a que estamos a assistir, e aquelas que nos são anunciadas por estudos científicos, devem ser para levar a sério. O equilíbrio climático a que nos habituámos está em mudança acelerada.
(ler mais...)


Autarquias, professores, padres casados e futebol »  2019-06-20  »  Jorge Carreira Maia

PODER AUTÁRQUICO. Depois da operação Teia, uma nova operação contra detentores – ou ex-detentores – do poder autárquico. Não faço ideia o que pensam presidentes de câmara e vereadores sobre a reputação das autarquias.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-08-09  »  Ana Sentieiro Carteiro
»  2019-08-09  »  Jorge Carreira Maia Livros para férias
»  2019-08-09  »  Inês Vidal Bons Sons
»  2019-08-09  »  António Gomes À mulher de César não basta ser séria…
»  2019-08-23  »  Jorge Carreira Maia A greve dos motoristas