• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 13 Agosto 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 27° / 15°
Períodos nublados
Sáb.
 27° / 15°
Períodos nublados
Sex.
 28° / 15°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  30° / 15°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Talvez desse um livro, talvez...

Opinião  »  2014-10-10  »  Adelino Pires

Nascera em Moçambique, nos confins do antigo Império Colonial Português. Lá, onde viera ao mundo, próximo de Tete nas margens do Zambeze, o seu pai (meu avô) havia sido chefe de posto. Homem bom, justo, a quem os nativos recorriam para ouvir conselhos, dirimir contendas ou apenas desabafar.

Naqueles anos 30 do passado século, Moçambique estava salpicada por portugueses, britânicos e indianos e ainda por indo-britânicos e indo-portugueses. Era o tempo das monoculturas do sisal e do açúcar e também do êxodo de mão de obra negra, rumo às explorações mineiras da África do Sul.

O meu avô Adelino foi o quarto de oito irmãos nascidos no Codes, Sardoal, e o primeiro a partir para África. Por lá casou com uma mestiça, filha de mãe negra e pai inglês. Maria Smith. Um nome simples que lhe assentava que nem uma luva. Maria, nome de mulher e Smith, apelido de colono. Assim como que uma chancela para a posteridade. Lembro-me bem da avó Maria e guardo dela as melhores memórias. Do afecto pelos seus netos, dos quais eu era o primeiro e, como tal, o mais mimado. Das missangas com que entretinha a sua arte. Da sua cozinha com sabor a África. África dela, África minha.

Morreu novo o meu avô, em 1941, com quarenta e poucos anos. O meu pai, nessa altura com apenas onze, veio então de Moçambique. Estava-se em plena II Guerra Mundial. Por cá cresceu e se fez homem, em casa de um bom tio, capitão do exército, por quem tinha uma enorme gratidão. E onde conheceu a minha mãe.

Queria falar-vos do meu pai que nascera nos confins do antigo Império e morreu também novo, há mais de vinte anos, com alguns sonhos por cumprir. Percebi agora que, para falar dele, teria de falar de muito mais gente, de muitos mais sítios, de muitas mais coisas. Teria de dizer que nós portugueses somos assim, cidadãos do mundo, de todos os mundos. Que ser português é ser bom, justo e tolerante. É saber estar, onde e com quem quer que seja. E que, afinal, falar do meu pai, talvez desse um livro, talvez...

 

 

 Outras notícias - Opinião


As nossas vozes - josé mota pereira »  2020-07-27  »  José Mota Pereira

Muitas vezes, a comunicação social local é acusada de ser um instrumento ao serviço do caciquismo.

 Outras tantas vezes, também não é difícil de desmentir que a comunicação social local e regional (jornais e rádios) é apenas páginas de jornais ou horas de rádio vazias desprovidas de conteúdo ou interesse.
(ler mais...)


E se António Rodrigues? »  2020-07-18  »  Jorge Carreira Maia

Se António Rodrigues não se candidatar à presidência do Município, Pedro Ferreira será, sem dificuldade, reeleito. A entrada de António Rodrigues na corrida poderá, contudo, perturbar o passeio dos socialistas.
(ler mais...)


TORRES NOVAS EM 1985: parabéns, cidade! - josé mota pereira »  2020-07-18  »  José Mota Pereira

Em 1985, as pessoas da zona alta vinham à vila. E diziam-no quando vinham ao centro! Ainda hoje, passados 35anos, vem-se à vila. Eram bem diferentes os limites físicos. A vila terminava junto à capela de Santo António e todas as urbanizações circundantes à Av.
(ler mais...)


530 mil - rui anastácio »  2020-07-18  »  Rui Anastácio

É o número de jovens que abandonaram o país nos últimos 10 anos.

Perante este número, é impossível não concluir que somos um país falhado. Não somos só um país falhado.
(ler mais...)


Zona industrial em Riachos - antónio gomes »  2020-07-18  »  António Gomes

As zonas industriais são espaços de ordenamento do território. Só com a sua implementação se consegue evitar a construção de empresas em locais que se destinam a outros fins e que não estão minimamente preparados para receber determinado tipo de actividades.
(ler mais...)


Refugiados: cooperação e sentido de humanidade - mariana varela »  2020-07-18  »  Mariana Varela

No passado dia 7 de julho, chegaram a Portugal 25 jovens menores não acompanhados, oriundos de campos de refugiados da Grécia, onde viviam, naturalmente em condições de extrema precariedade. No meio do caos que tem sido a situação pandémica, o problema dos refugiados não deixa de existir, adquirindo mesmo maior relevância e dimensão, uma vez que grande parte dos países fecharam a suas fronteiras como medida de prevenção.
(ler mais...)


Por onde ir? - acácio gouveia »  2020-07-18  »  Acácio Gouveia

É gratificante apercebermo-nos de que há jovens que canalizam a sua irrequietude para o pensamento crítico e para opinar sobre política. O texto da jovem Mariana Varela é um bom ponto de partida para discussão sobre perspectivas de alternativas ao caminho actual do mundo.
(ler mais...)


Uma cidade à espera de si própria - joão carlos lopes »  2020-07-18  »  João Carlos Lopes

1. Ser cidade não vale um caracol, não acrescenta uma vírgula a nenhum campeonato. Em Portugal, “cidade” não é nenhuma categoria político-administrativa, tratando-se de um título meramente honorífico.
(ler mais...)


Os municípios e as respostas locais e excepcionais a uma situação de excepção »  2020-07-03  »  Ana Lúcia Cláudio

Lisboa e Porto são, naturalmente, as cidades portuguesas mais viradas para o turismo. Por isso mesmo, são também elas as mais penalizadas com os respectivos danos colaterais nas vidas de todos os que aí vivem e trabalham.
(ler mais...)


Tudo vale a pena se a alma não é pequena - anabela santos »  2020-07-03  »  AnabelaSantos

Tanto empenho, tanto sofrimento, tantos sacrifícios, tanta luta para alcançar objectivos e pergunta Fernando Pessoa se terá valido a pena, ao que o poeta responde: sim. Se a alma não é pequena, isto é, se é dotada de um espírito bravo, forte e sonhador, nada do que se faz é em vão.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-07-18  »  Jorge Carreira Maia E se António Rodrigues?
»  2020-07-18  »  José Mota Pereira TORRES NOVAS EM 1985: parabéns, cidade! - josé mota pereira
»  2020-07-18  »  João Carlos Lopes Uma cidade à espera de si própria - joão carlos lopes
»  2020-07-27  »  José Mota Pereira As nossas vozes - josé mota pereira
»  2020-07-18  »  Mariana Varela Refugiados: cooperação e sentido de humanidade - mariana varela