• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 14 Abril 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 22° / 10°
Céu limpo
Sex.
 23° / 12°
Períodos nublados com chuva fraca
Qui.
 22° / 14°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  21° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Os velhos e os fracos - jorge carreira maia

Opinião  »  2021-01-23  »  Jorge Carreira Maia

"Quando nem a religião nem a moral são suficientes para que os indivíduos percebam o dano que condutas irresponsáveis provocam, só resta a violência"

 

É plausível afirmar que o corpo político, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, não tem estado feliz na actual situação. Refiro-me ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro e aos dirigentes das várias oposições. Todos eles não viram, ou não quiseram ver, que os portugueses, passado o medo inicial, iriam complicar as coisas e tomar o vírus como coisa sem importância. Não sei, todavia, se os esforços conjuntos de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Rui Rio, como principal líder da oposição, mesmo sem os sinais contraditórios dados, seriam suficientes para impor aos portugueses, de forma mais musculada, outro tipo de comportamentos.

 Há um problema que perpassa na forma como parte da população passou a lidar com o assunto. O vírus não é tão mortal como dizem. Mata alguns velhos e, entre os mais novos, só é problemático para os que sofrem de algumas doenças, isto é, os mais fracos. É isto que, apesar de falso e imoral, está na cabeça de muita gente, que acha que o determinado pelo poder político é apenas facultativo e um embaraço que não se deve tomar em consideração. Trata-se de uma forma de selecção natural e, por isso, justa. Eu que estou no vigor da vida – pensam – não tenho de ser cerceado nos direitos por causa de velhos e fracos. Tenho direito de facto, mesmo que contrarie a lei, a fazer o Natal e a passagem de ano como bem me aprouver, assim como conduzir a vida como entender. Mesmo que estas ideias não tivessem sido formuladas explicitamente por muitos dos que infringiram recomendações e leis, elas estavam lá a soprar-lhes aos ouvidos.

 Isto mostra como faliram nas sociedades contemporâneas conceitos como de próximo ou de dever para com os outros. A secularização da sociedade portuguesa, composta em grande parte por católicos não praticantes, conduziu a que se deixasse de ter disponível a ideia de amor ao próximo como guia dos comportamentos. Por outro lado, a ideia de dever para com o outro, uma forma laica de impor uma moral do respeito, não encontrou espaço para florescer, num ambiente marcado pela cultura do eu e dos seus interesses e prazeres. Ora quando nem a religião nem a moral são suficientes para que os indivíduos percebam o dano que condutas irresponsáveis provocam, só resta a violência legítima dos representantes do soberano, que em democracia é o povo. É para isso que serve, em primeiro lugar, o poder político, tornar a comunidade, segundo as regras do Estado de direito, um espaço seguro para todos, incluindo velhos e fracos. E isto tem falhado.

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Empréstimo »  2021-04-13  »  Hélder Dias

Sombra suspeita »  2021-04-13  »  Hélder Dias

Os 2,36 euros extra…ordinários - miguel sentieiro »  2021-04-10  »  Miguel Sentieiro

Num momento em que o sentimento generalizado sobre os chineses é de alguma desconfiança, preparo-me aqui para contrapor e dar uma oportunidade aos tipos. Eu sei que nos foram mandando com a peste bubónica, a gripe asiática, a gripe das aves, o corona vírus.
(ler mais...)


#torresnovas@weshallover.com - josé ricardo costa »  2021-04-10  »  José Ricardo Costa

É muito bom viver em Torres Novas mas também se sente o peso de estar longe do que de verdadeiramente moderno se passa no mundo, enfim, nada de #Me Too, Je suis Charlie Hebdo, vetustas estátuas transformadas em anúncios da Benetton.
(ler mais...)


Rever a revisão, já! - josé mota pereira »  2021-04-10  »  José Mota Pereira

 

 Recuemos no tempo. Entremos numa máquina do tempo e cliquemos no botão que nos leve até ao ano de 2001. Recordemos vagamente que em 2001:

 - Caíram as Torres Gémeas em Nova Yorque em 11 setembro.
(ler mais...)


Na era do ad hominem - jorge carreira maia »  2021-04-10  »  Jorge Carreira Maia

Quando a internet surgiu e, posteriormente, com a emergência dos blogues e redes sociais pensou-se que a esfera pública tinha encontrado uma fonte de renovação. Mais pessoas poderiam trocar opiniões sobre os problemas que afectam a vida comum, sem estarem controladas pelos diversos poderes, contribuindo para uma crescente participação, racionalmente educada, nos assuntos públicos.
(ler mais...)


Equilíbrio - inês vidal »  2021-04-10 

É e sempre foi uma questão de equilíbrio. Tudo. E todos o sabemos. O difícil é chegar lá, encontrá-lo, ter a racionalidade e o bom senso suficientes para o ter e para o ser. E para saber que o equilíbrio de hoje não é obrigatoriamente o de amanhã, muito menos o que era ontem.
(ler mais...)


As árvores morrem de qualquer maneira e feitio - carlos paiva »  2021-04-10  »  Carlos Paiva

Comemorou-se a 21 de Março o dia da floresta. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) resolveu assinalar a data disponibilizando 50.000 árvores gratuitamente à população. Quem as quisesse plantar, teria de se identificar, inscrever, levantar a árvore (até um máximo de dez árvores por pessoa) e, num prazo de 48 horas, declarar o local onde plantou documentando com fotos.
(ler mais...)


Rejuvenescimento político - anabela santos »  2021-04-10  »  AnabelaSantos

Hoje, como acontece diariamente, no caminho de casa até à escola, lá se deu o habitual encontro matinal entre mim e o Ananias, o meu amigo ardina. Trocámos algumas palavras, comprei o jornal e seguimos por caminhos opostos que nos levam à nossa missão do dia, o trabalho.
(ler mais...)


O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes »  2021-04-08  »  João Carlos Lopes

Durante décadas, todos os torrejanos ajudaram no que puderam o CRIT, uma obra social que granjeou a estima de todos os cidadãos e empresários, e foram muitos, que sempre disseram sim a todas e quaisquer formas de ajuda em prol da aventura iniciada em 1975.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-04-08  »  João Carlos Lopes O CRIT já não é de todos os torrejanos - joão carlos lopes
»  2021-03-23  »  João Carlos Lopes Peixes e pombos ou a civilização a andar para trás - joão carlos lopes
»  2021-03-20  »  José Ricardo Costa A Rosa do Nome - josé ricardo costa
»  2021-03-20  »  Jorge Carreira Maia A arte do possível - jorge carreira maia
»  2021-04-10  »  Miguel Sentieiro Os 2,36 euros extra…ordinários - miguel sentieiro