• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sábado, 19 Setembro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Ter.
 26° / 16°
Céu nublado com chuva fraca
Seg.
 26° / 14°
Períodos nublados
Dom.
 25° / 17°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  24° / 16°
Períodos nublados com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Alcanena – o arquivo que não existe

Opinião  »  2015-10-16  »  Gabriel Feitor

"As novas gerações têm o direito de questionar sobre a documentação de Alcanena como concelho. Têm o direito de a poder querer ler, investigar, dissecar, fazer-lhe perguntas.»Este é o meu apelo para que a Câmara Municipal tome a iniciativa de prever este assunto no orçamento do próximo ano. A memória agradece. "

É um apelo. Um apelo à necessidade de haver um arquivo municipal em Alcanena. As comemorações do primeiro centenário do concelho de Alcanena passaram, em grande parte, por uma estratégia política enviesada. Fez-se tudo, menos o essencial: preservar a memória de um concelho recente e que urge, definitivamente, ter a sua marca. Pela primeira vez, lançaram-se estudos historiográficos sobre a ânsia de autonomia dos alcanenenses.

As bases que Joaquim Guilherme Ramos e Joaquim Inácio Bento Júnior lançaram na década de 80 e 90 do século passado, deram, finalmente, frutos. Mas isso não basta. Se, por um lado, a história de Alcanena até 1914 está diluída na história de Torres Novas cuja a busca passa pelos arquivos nacionais e, principalmente, o municipal de Torres Novas, a de 1914 até aos nossos dias muda completamente nesse aspecto.

O que se sabe do concelho de Alcanena nos anos da I República entre 1914 e 1926? Quais foram os confrontos entre as duas linhas políticas de então – democráticos e unionistas – nos órgãos do poder local? E do Estado Novo? Qual foi a linha traçada no projecto de desenvolvimento de Alcanena de que tanto se falava na época? São estas questões, no meio de tantas outras, que urgem responder à memória concelhia.

Surgem, portanto, as seguintes questões: na I República, onde estão os livros de actas da Comissão Executiva e do Senado Municipal? E os copiadores de correspondência da Administração do Concelho? Na Ditadura Militar e Estado Novo, onde estão os livros das reuniões da Câmara Municipal, do Conselho Municipal e das várias comissões? Para além desta documentação, importantíssima para o estudo dos órgãos do poder local e da vida concelhia, outra deverá existir.

Outras ideias, como a agregação da documentação histórica das antigas juntas de paróquia e de freguesia, documentação paroquial, jornais, arquivos privados, entre outros, deverão constar naquilo a que se poderá chamar de arquivo municipal. Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto – já o fiz nos meus dois livros e noutras intervenções. É hora da Câmara Municipal tomar este assunto como sério, favorável até na sua gestão documental contemporânea.

A solução pode não ser imediata, mas é necessário inventariar e catalogar a documentação mais importante e coloca-la à disposição do público – como por exemplo na Biblioteca Municipal. Como refere  António Mário Lopes dos Santos no prefácio do meu último trabalho, «Alcanena pode ser radiografada até 1914.

Mas como concelho, qual a sua história? A urgência de recuperar num arquivo concelhio todo o disperso documental impõe-se, em nome da dignidade dum concelho que, ao ganhar a sua autonomia com esforço ao longo de séculos, se desmemorizou. E depois? O que foi até os nosso dias? As novas gerações têm o direito de questionar sobre a documentação de Alcanena como concelho. Têm o direito de a poder querer ler, investigar, dissecar, fazer-lhe perguntas.»Este é o meu apelo para que a Câmara Municipal tome a iniciativa de prever este assunto no orçamento do próximo ano. A memória agradece.  

 

 

 Outras notícias - Opinião


A mesa - rui anastácio »  2020-09-12  »  Rui Anastácio

Tenho um certo fascínio por mesas. Ao longo da minha vida já mandei fazer algumas. Quase sempre mesas grandes e robustas. Onde se possam sentar muitas pessoas. Onde se possa beber um bom vinho, comer muito, conversar muito, discutir muito, praguejar, gritar, lutar por ideias e ideais.
(ler mais...)


Aventurazinha no Comboio Fantasma - miguel sentieiro »  2020-09-12  »  Miguel Sentieiro

Hoje apetece-me escrever uma história baseada em factos verídicos com algumas notas ficcionadas para se conseguir tornar a narrativa menos densa e nauseabunda. Um indivíduo com 80 anos entra na urgência do Hospital de Torres Novas com fortes dores abdominais.
(ler mais...)


Democracia e representatividade - mariana varela »  2020-09-12  »  Mariana Varela

A democracia é, essencialmente, um sistema político que assenta na soberania popular, isto é, um regime em que a legitimidade do poder político emana do povo. Definir ou explicar a noção de democracia não é difícil.
(ler mais...)


A ruptura do discurso - jorge carreira maia »  2020-09-12  »  Jorge Carreira Maia

Nos últimos tempos três assuntos têm concentrado os interesses das redes sociais que dão atenção ao fenómeno político. O racismo, a festa do Avante e a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento no ensino não superior.
(ler mais...)


As cabras do reino - carlos paiva* »  2020-09-12  »  Carlos Paiva

Era uma vez um reino. O rei tomou conhecimento que uma república aliada doava dinheiro a quem quisesse criar cabras com o intuito de limpeza do mato nas serras, de modo a diminuir o risco de incêndios. Uma solução barata, neste caso de borla, e acima de tudo não poluente, amiga do ambiente, tema muito em voga entre os gentios.
(ler mais...)


Fabrióleo: ir até ao fim - antónio gomes »  2020-09-12  »  António Gomes

O encerramento da Fabrióleo é um facto. O sofrimento das pessoas e o atentado ao ambiente estão agora mais próximos do fim. Quem não luta, não alcança.
Durante muitos anos, a poluição dos solos e das linhas de água foram a marca daqueles poluidores, nunca se importando com as consequências dos seus actos.
(ler mais...)


Agricultores - rui anastácio »  2020-09-01  »  Rui Anastácio

Falámos em Inglês. Não sei de onde vinham, vinham de bicicleta de bem longe, pela sua tez seriam originários do centro da Europa. Uma das bicicletas estava furada, com o pneu destroçado. Ofereci-lhes o meu spray antifuro.
(ler mais...)


O debate e a ditadura de pensamento - mariana varela »  2020-09-01  »  Mariana Varela

Nós, seres humanos, habitamos e partilhamos este mesmo Mundo, algo que nos une enquanto Humanidade. Ainda que todos façamos parte de uma realidade universal, possuímos uma identidade baseada nas nossas próprias experiências pessoais e características únicas.
(ler mais...)


O outro somos nós - margarida trindade »  2020-09-01  »  Margarida Trindade

Numa muito recente viagem de família, a dada altura e já próximos do destino, a fim de sabermos qual o caminho a tomar, parámos numa bomba de gasolina e baixados os vidros das janelas, lançámos às três pessoas sentadas na mesa da esplanada a demanda pela estrada a seguir.
(ler mais...)


O rio do fururo - josé mota pereira »  2020-09-01  »  José Mota Pereira

Nos diferentes modelos de desenvolvimento para o concelho, há que reconhecê-lo, os poderes municipais estão muitas vezes limitados nos seus poderes de decisão. Mas, as suas decisões – ou não decisões – e aquilo que consideram estratégico, tem reflexos e consequências para o futuro dos concelhos.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-09-01  »  José Mota Pereira O rio do fururo - josé mota pereira
»  2020-09-01  »  Rui Anastácio Agricultores - rui anastácio
»  2020-09-01  »  Mariana Varela O debate e a ditadura de pensamento - mariana varela
»  2020-09-12  »  Mariana Varela Democracia e representatividade - mariana varela
»  2020-09-01  »  Jorge Carreira Maia Saudades da ditadura - jorge carreira maia