O PSD e Ourém
Opinião
» 2008-11-20
» Santana-Maia Leonardo
1. Alguns militantes e presidentes de Câmara do PSD ficaram muito melindrados com a minha intervenção em Ourém na qual considerei inadmissível o silêncio da direcção do partido face à gravidade dos factos ocorridos na Assembleia Regional da Madeira. Infelizmente os partidos políticos enfermam hoje dos mesmos vícios das famílias modernas. Ou seja, quando se trata de criticar os filhos dos outros, ninguém os cala, mas, quando se trata dos seus filhos, ninguém os ouve falar, a não ser para justificar as suas tropelias. Por alguma razão, isto está como está.
Eu não penso assim. Pelo contrário, considero que um partido, para ter credibilidade, não pode exigir aos outros aquilo que ele próprio não é capaz de exigir aos seus e de pôr em prática.
Todos nós sabemos, por experiência própria, que o Partido Socialista é um partido com vocação de poder terceiro-mundista que tem, na democracia de Hugo Chávez, a sua grande referência programática e ideológica. Ora, se o PSD é um partido que defende a democracia liberal e os valores a ela inerentes, não pode aceitar que um seu militante ou que uma sua estrutura desenvolva práticas que não respeitem estes valores ou os ponham em causa. Ou seja, não pode aceitar que um governante ou um presidente da Câmara do PSD se comporte como um verdadeiro socialista (de que José Sócrates é, aliás, o melhor exemplo). E a verdade é que, não só na Madeira mas também nalgumas câmaras do continente, não se consegue distinguir a governação social-democrata, defensora dos valores das democracias liberais, das governações autocráticas socialistas, que espezinham e perseguem todos aqueles que não veneram o seu poder.
Não adianta um partido andar a propor reformas aos portugueses se não tem capacidade sequer para se reformar a si próprio e de pôr em prática os valores que defende. Os valores da democracia liberal (ou seja, a liberdade de expressão e de imprensa, os direitos das minorias e da oposição, etc.) não podem ser usados apenas como arma de arremesso quando o PSD está na oposição. Pelo contrário, devem ser uma bandeira hasteada e empunhada por todos os governantes e autarcas sociais-democratas, no exercício das suas funções. E se o PSD não percebe isso, o melhor será deixar cair o «D».
2. O actual modelo de avaliação dos professores tem, pelo menos, a virtude de avaliar o grau de dureza das cabecinhas que nos governam, expondo à saciedade todos os vícios do sistema. Em primeiro lugar, o seu total desconhecimento do que é uma escola, para que serve e como funciona. Em segundo lugar, o seu total desconhecimento do que é uma empresa, como se organiza e quais são os seus objectivos.
Deste duplo desconhecimento, nasceu um projecto de avaliação que, se fosse aplicado numa empresa, levava ao seu encerramento num ápice. Qual era a empresa que aguentaria ter a linha de produção parada vários meses todos os anos para que os trabalhadores, em vez de trabalhar, passassem os dias a inventar e discutir grelhas para se avaliarem uns aos outros? E qual era o trabalhador que aceitaria ser avaliado por um igual (ou pior)?
Além disso, basta conhecer o nosso funcionalismo público para saber que qualquer linha que seja deixada nas suas mãos se transforma rapidamente num novelo que ninguém consegue desenlear. E esta cultura de complicar o que é fácil está tão entranhada no nosso funcionalismo público que não se pode deixar ao seu critério a implementação do que quer que seja. Basta, aliás, ler um regulamento interno de uma escola para se ficar logo elucidado. Só gente com um espírito muito tortuoso e complicado é que consegue transformar um regulamento interno que devia caber numa página num autêntico e intragável código civil, com centenas de artigos e de alíneas, que ninguém, no seu perfeito juízo, consegue ler.
http://sol.sapo.pt/blogs/contracorrente
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O PSD e Ourém
Opinião
» 2008-11-20
» Santana-Maia Leonardo
1. Alguns militantes e presidentes de Câmara do PSD ficaram muito melindrados com a minha intervenção em Ourém na qual considerei inadmissível o silêncio da direcção do partido face à gravidade dos factos ocorridos na Assembleia Regional da Madeira. Infelizmente os partidos políticos enfermam hoje dos mesmos vícios das famílias modernas. Ou seja, quando se trata de criticar os filhos dos outros, ninguém os cala, mas, quando se trata dos seus filhos, ninguém os ouve falar, a não ser para justificar as suas tropelias. Por alguma razão, isto está como está.
Eu não penso assim. Pelo contrário, considero que um partido, para ter credibilidade, não pode exigir aos outros aquilo que ele próprio não é capaz de exigir aos seus e de pôr em prática.
Todos nós sabemos, por experiência própria, que o Partido Socialista é um partido com vocação de poder terceiro-mundista que tem, na democracia de Hugo Chávez, a sua grande referência programática e ideológica. Ora, se o PSD é um partido que defende a democracia liberal e os valores a ela inerentes, não pode aceitar que um seu militante ou que uma sua estrutura desenvolva práticas que não respeitem estes valores ou os ponham em causa. Ou seja, não pode aceitar que um governante ou um presidente da Câmara do PSD se comporte como um verdadeiro socialista (de que José Sócrates é, aliás, o melhor exemplo). E a verdade é que, não só na Madeira mas também nalgumas câmaras do continente, não se consegue distinguir a governação social-democrata, defensora dos valores das democracias liberais, das governações autocráticas socialistas, que espezinham e perseguem todos aqueles que não veneram o seu poder.
Não adianta um partido andar a propor reformas aos portugueses se não tem capacidade sequer para se reformar a si próprio e de pôr em prática os valores que defende. Os valores da democracia liberal (ou seja, a liberdade de expressão e de imprensa, os direitos das minorias e da oposição, etc.) não podem ser usados apenas como arma de arremesso quando o PSD está na oposição. Pelo contrário, devem ser uma bandeira hasteada e empunhada por todos os governantes e autarcas sociais-democratas, no exercício das suas funções. E se o PSD não percebe isso, o melhor será deixar cair o «D».
2. O actual modelo de avaliação dos professores tem, pelo menos, a virtude de avaliar o grau de dureza das cabecinhas que nos governam, expondo à saciedade todos os vícios do sistema. Em primeiro lugar, o seu total desconhecimento do que é uma escola, para que serve e como funciona. Em segundo lugar, o seu total desconhecimento do que é uma empresa, como se organiza e quais são os seus objectivos.
Deste duplo desconhecimento, nasceu um projecto de avaliação que, se fosse aplicado numa empresa, levava ao seu encerramento num ápice. Qual era a empresa que aguentaria ter a linha de produção parada vários meses todos os anos para que os trabalhadores, em vez de trabalhar, passassem os dias a inventar e discutir grelhas para se avaliarem uns aos outros? E qual era o trabalhador que aceitaria ser avaliado por um igual (ou pior)?
Além disso, basta conhecer o nosso funcionalismo público para saber que qualquer linha que seja deixada nas suas mãos se transforma rapidamente num novelo que ninguém consegue desenlear. E esta cultura de complicar o que é fácil está tão entranhada no nosso funcionalismo público que não se pode deixar ao seu critério a implementação do que quer que seja. Basta, aliás, ler um regulamento interno de uma escola para se ficar logo elucidado. Só gente com um espírito muito tortuoso e complicado é que consegue transformar um regulamento interno que devia caber numa página num autêntico e intragável código civil, com centenas de artigos e de alíneas, que ninguém, no seu perfeito juízo, consegue ler.
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ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
» 2026-10-05
Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
“Forja a língua numa bigorna livre de mentiras”, Píndaro Causou algum burburinho uma espécie de workshop organizado recentemente por um conhecido infuencer antivacinas em Santarém. Dum lado, os adversários da iniciativa e críticos da passividade da autarquia, coproprietária das instalações onde teve lugar a tal sessão; do outro, os que acham que não se pode tolher a liberdade de opinião e que é contraproducente dar palco a um movimento sem expressão, onde se prega para pequena comunidade fechada de convertidos. |
Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
» 2026-10-05
» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
» 2026-10-05
Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista. |
Salve-se quem puder
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". |
O Princípio da Realidade
» 2026-09-19
» José Ricardo Costa
Na anterior edição do JT, não pude deixar de notar com júbilo a notícia sobre a formação de um núcleo intermunicipal Entroncamento-Torres Novas, do partido Livre. Declaração de desinteresse: não tenho partido e, para o caso, é irrelevante o partido em questão. |
Educação, PISA e cultura escolar
» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. |
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» 2026-10-05
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem! |
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» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
Educação, PISA e cultura escolar |
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» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia |
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» 2026-09-19
» António Gomes
Biometano versus solar e eólico |
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» 2026-09-19
» António Mário Santos
A liberdade de informação e o poder político |