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Morreu Joaquim da Piedade Venâncio, o "professor Venâncio"

Sociedade  »  2022-03-06 

Professor, antigo autarca, cidadão torrejano, Joaquim da Piedade Venâncio morreu hoje, 6 de Março, aos 90 anos de idade. Residia actualmente na Brogueira, sua terra natal.

O antigo professor nasceu em 1931, diplomou-se pela Escola do Magistério Primário de Lisboa e ensinou em Algés, Ulme, Alpiarça e Torres Novas, tendo leccionado também na antiga escola do magistério primário de Torres Novas. Como professor, destacou-se pelo seu humanismo e bonomia, traduzidos por um grande respeito pelos alunos, em oposição a professores que, na mesma época, usaram a violência mais abjecta que deixou marcas tenebrosas em muitas crianças da vila. Aliás, o prefácio do livro que Joaquim Venâncio escreveu há cerca de cinco anos, era nem mais nem menos uma crónica publicada por José Ricardo Costa, no JORNAL TORREJANO, em que o cronista, seu aluno da escola primária em finais dos anos 60, evidenciava o grande carácter de Joaquim Venâncio como professor.

Em 1974, meses antes do 25 de Abril, Joaquim da Piedade Venâncio integrou o último executivo municipal no regime anterior, mas foi depois da revolução que se evidenciou como autarca, sendo eleito por três vezes vereador em executivos liderados por Casimiro Gomes Pereira (1979, 1982 e 1985), sempre como vice-presidente da Câmara, mantendo o mesmo cargo nas eleições seguintes (1988) sob a liderança autárquica de Arnaldo Santos. Foi também presidente da assembleia Municipal e tinha sido, logo em 1974, fundador local do PSD.

Foi colaborador de O ALMONDA e cronista do JORNAL TORREJANO durante muitos anos. Arredado das lides políticas, dedicou-se ao voluntariado na Liga dos Amigos do Hospital, de que foi co-fundador.Em finais dos anos 90, em entrevista ao JT, Joaquim Venâncio explicava que não tinha escolhido ser professor como primeira opção, porque queria ser advogado, mas como o pai era cavador e a mãe camponesa, e o dinheiro não abundava, “as sardinhas eram partidas ao meio, às vezes em três”, não tinha tido outra hipótese. “O meu pai era um homem com recursos muito limitados, mas como eu, fisicamente era muito franzinito, não possuía aptidões para trabalhar no campo, ele mandou-me para o (colégio) Andrade Corvo”, contava, para acrescentar que tinha tido uma vida dura de início: “Houve uns anos da minha vida que rebentaram comigo. Corria da escola primária para o Andrade Corvo, depois ia dar aulas na Telescola, em Riachos, e à noite tinha um curso de alfabetização de adultos. Fiz isto durante anos seguidos. Os filhos estavam a estudar, os vencimentos eram escassos e, para conseguirmos ter uma vida mais ou menos, tinha de ser assim”.

Na mesma entrevista contava como nunca foi partidário do anterior regime e sofreu consequências disso: “Na altura das eleições de 1958, era professor em Ulme, o presidente da Câmara da Chamusca era o dr. Amaral Neto, que chegou a presidir à então Assembleia Nacional. Ele convocou algumas pessoas de Ulme, entre elas eu, para uma sessão de esclarecimento. Depois da palestra, pediu-nos que distribuíssemos as listas de Américo Tomás. Recusei, desculpando-me de que não conhecia as pessoas. Custou-me um pouco cara esta atitude. Como ainda por cima me chamavam o sr. Delgado, por eu ser da Brogueira, o tesoureiro das finanças aconselhou-me a pedir uma audiência ao presidente. Fui recebido e ele só me respondeu que assumisse os meus actos. Passados poucos dias, bateram-me à porta dois homens, com certeza da Pide. Confirmaram o meu nome e perguntaram-me onde morava o médico. Não sei o que se passou, mas algum tempo depois o dr. Pereira Vaz foi para Pontével e eu, no fim do ano, fui colocado em Alpiarça. Em 1960 ou 61 vim, então, para Torres Novas”

Depois do 25 de Abril, diz que optou por entra para o PSD por ser socialista não marxista e o PS afirmava-se marxista: “Verifiquei que, por exemplo, Maria de Lurdes Pintasilgo ou Pereira de Moura, que tinham sido procuradores à Câmara Corporativa, eram pessoas de esquerda. Eu nunca tinha sido nada disso e queria intervir politicamente, pelo menos enquanto era mais novo, agora já estou um pouco cansado. Comecei por ler os programas partidários. Li Marx, “O Manifesto do Partido Comunista” e ainda peguei n’ “O Capital”, mas era muito complicado. Marx era um filósofo e estes a escrever são uma coisa diabólica. Inteirei-me daquilo tudo e conclui que marxista não era, embora concorde com algumas posições. Não fui para o PS porque inicialmente ele era um partido socialista marxista, agora se calhar estava tão bem no PS como no PSD, mas naquela altura não era assim. O PPD afirmava-se como socialista não marxista. Ora, se era e sempre fui uma pessoa humilde, os meus pais eram pobres, eu não poderia ser um indivíduo de direita. Então, o PPD agradou-me, os filiados também e inscrevi-me.

Sobre a sua participação na gestão camarária, recorda que foram feitas duas escolas secundárias, a Artur Gonçalves e a de Riachos, a Escola Profissional, as primárias em Lapas, o Museu Municipal na Casa Mogo, a residência de estudantes, as primeira e segunda fases da despoluição do Almonda, obras estas que foram fundamentais para a reabilitação do rio.

O funeral de Joaquim da Piedade Venâncio ainda não está marcado. À família, o JT envia sentidas condolências.

 

 

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