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Aterro do aeródromo continua perante a passividade da maioria socialista

Sociedade  »  2019-06-09 

Toneladas de pedra continuam a invadir reserva ecológica do concelho

Aquilo que poderá ser um enorme atentado ecológico contra o território do concelho, continua como se nada fosse. Num mês, mais algumas toneladas foram acrescentadas ao aterro do alegado aeródromo de Pias Longas.

O avanço dos aterros, segundo os limites administrativos entre Torres Novas e Ourém, entrou agora muito mais de 200m no concelho de Torres Novas, perfazendo uma área de implantação de mais de 20 000 metros quadrados. Milhares de toneladas de pedra e entulho continuam a ser deitadas sobre a zona de maior potencial paisagístico do concelho, nos baldios da Chancelaria.

Confrontada com os acontecimentos desde que o assunto foi denunciado há meses, a câmara de Torres Novas limitou-se a mandar ao local a fiscalização, que confirmou que os aterros invadiram o território do concelho, quer considerando o cadastro, quer a própria linha divisória fixada pelo mapa militar que, para os efeitos, não tem validade jurídica. Mas até segundo esse mapa, como se vê, os limites foram ultrapassados, ao contrário do que era assobiado dos lados de Ourém.

Assistindo à devastação do seu território, a maioria socialista instalada em Torres Novas faz-se de morta. Perante as questões que lhe têm sido colocadas pelo Bloco de Esquerda e pelo PSD, a equipa de Pedro Ferreira chuta para canto perante um atentado desta natureza.

Sempre que a oposição pergunta pelo estado da situação, a maioria instalada limita-se a dar respostas evasivas, desconhecendo-se se a Junta de Freguesia de Nossas Senhora das Misericórdias ou a empresa a operar no local receberam alguma notificação da câmara de Torres Novas. A verdade é que no dia 21 de Abril, a reportagem do JT deu-se com camiões a operar no recinto, tendo verificado que desde Fevereiro tinham sido efectuados grandes trabalhos de movimentação de terras no topo sul do aterro. E agora, em Maio, as consequências estão à vista.

Haja ou não haja aeródromo, e mesmo que ele seja o que sempre esteve previsto (recreio de aeroleves, o resto é delírio de dementes), o empreendimento interessa aos industriais de pedreiras, que têm escoamento fácil para os milhares de toneladas de desperdício das suas extracções, mesmo à custa do património natural e do território dos outros, sem serem confrontados, num equipamento, registe-se, que está sob a alçada de uma autarquia, a junta de freguesia local. Esta freguesia está, na prática, administrar a seu bel-prazer o território do concelho de Torres Novas, ao que a maioria socialista que gere o concelho faz a devida vénia.

Toda esta história começou, registe-se, com um pequeno aeródromo para fins recreativos, no lugar de Pias Longas, junto ao Sobral, concelho de Ourém, próximo do limite administrativo de Torres Novas e Ourém. Um empreendimento de “génese ilegal”, ligado à colectividade da terra e com o apoio da junta de freguesia. Disto, sobrou uma pista de 400m, cujo destino era a utilização por ultra-leves de recreio. Diremos que é o “Pias Longas 1”.

Quando vieram as torres eólicas para aquele local, houve necessidade de relocalizar o empreendimento, desviando-o para nascente, onde se encontra agora. Essa boa vontade dos promotores, de um e de outro lado, levou a que o “projecto” do aeródromo encaixasse uma valente maquia de euros. Foi com esse dinheiro que se iniciaram as obras do aeródromo de “Pias Longas 2” (chamemos-lhe assim), com a construção do edifício de apoio e das primeiras terraplanagens, num local situado praticamente em cima da fronteira entre Torres Novas e Ourém, em terrenos de reserva ecológica nacional e fora de qualquer enquadramento legal e de planeamento urbanístico aprovado oficialmente.

Por volta de 2012, já os aterros tinham passado a linha administrativa do território de Torres Novas umas dezenas de metros, mas a invasão de grande alcance teve lugar até 2015, mais 140m de avanço, traduzidos em milhares e milhares de toneladas de pedra e terra a entrar por aquela que é a parcela mais rica do concelho em termos paisagísticos e de maior potencial para actividades de natureza.

Nos últimos dois anos, à medida das necessidades das pedreiras da região, que precisam como do pão para a boca de depositar os seus inertes, o aterro foi avançando. Actualmente, o avanço dos aterros entrou mais de 200 metros no concelho de Torres Novas, perfazendo uma área de implantação de 20 000m2, sempre entendendo válida a fronteira administrativa, baseada no cadastro, numa uma acção que, com estrondo, invade administrativamente outro território, com a agravante de se tratar de terrenos do domínio público e, mais ainda, de uma área de reserva ecológica nacional que, no caso torrejano, é um dos seus santuários ecológicos.

Do “aeroporto internacional de Fátima” e dos milhões nunca mais se ouviu falar. Mas esse já existe: uma pista com 1600 metros e já preparada para receber vôos internacionais de pequena escala. Localiza-se na Giesteira, junto a Fátima, mas a sua legalização e adequação, que se arrastaram mais de uma dezena de anos, foram dadas como inconsequentes. Havia outras alternativas, como Tancos ou Monte Real, mas houve sobretudo um entrave de monta: o reitor do Santuário falou grosso contra o “aeroporto internacional de Fátima”, por achar que iria perturbar a tranquilidade do local. Hoje, serve para perícias de automóveis. É questão de os aviões aterrarem com jeitinho. Talvez se chegue a um entendimento.

 

 

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