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Chamusca: resíduos perigosos começam a ser
tratados
em unidades "únicas na Europa"
As indústrias portuguesas vão poder, já a
partir deste mês de Junho, encaminhar os resíduos perigosos resultantes dos
seus processos de fabrico para unidades de tratamento, reaproveitamento e
eliminação únicas na Europa, tanto pela inovação tecnológica como pela
concentração num único local. Os dois Centros Integrados de Recuperação,
Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos (CIRVER)
construídos no Ecoparque do Relvão, na freguesia da Carregueira, Chamusca,
foram inaugurados na semana passdada pelo ministro do Ambiente, Nunes
Correia, conforme o JT noticiou na anterior edição. "A grande inovação
destes centros é não só na tecnologia como sobretudo no facto de o resíduo
entrar aqui e já não sair, não precisar de andar a transitar de umas
unidades para outras, o que não existe em nenhum outro país da Europa",
disse à agência Lusa o director-executivo de um dos CIRVER. Frederico
Santos, do consórcio ECODEAL, que integra os espanhóis da Fomento de
Construcciones y Contratas (FCC), líder do sector em Espanha, considera que
a ideia que presidiu à construção destes centros "pode ser exportada para
países que querem começar a tratar os seus resíduos".
"Até aqui nós íamos visitar unidades de
tratamento de lixos perigosos em outros países. Agora somos nós que
começamos a receber visitas, porque não existe nenhuma como estas", afirmou.
O CIRVER da ECODEAL (FCC, Cabelte, Quimigal e Quimitécnica Ambiente), um
investimento da ordem dos 20 milhões de euros, dista apenas alguns
quilómetros do construído pela SISAV, consórcio que integra a Sarp, a Sapec
e a Auto-Vila, num investimento de 28 milhões de euros, ocupando cada um uma
área de 30 hectares. Os dois centros vão tratar inicialmente entre 70.000 a
100.000 toneladas de Resíduos Industriais Perigosos (RIP) por ano, cada um,
estimando-se que existam 300.000 toneladas anuais em produção, além do
milhão de toneladas acumulados ao longo de duas a três décadas.
OS CIRVER apenas não terão capacidade para
tratar resíduos radioactivos, explosivos e hospitalares, estando neste
último caso prevista a construção, também no Ecoparque do Relvão, num
terreno com 5 hectares, da incineradora que tratará todos os resíduos
hospitalares do país. Do total de resíduos entrados, apenas 30 a 40 por
cento terão por destino final o aterro, destinando-se 10 a 15 por cento à
co-incineração em cimenteiras, para utilização como combustível, depois de
tratados.
Carlos Cardoso, director-executivo do
CIRVER da SISAV, faz questão em frisar que este centro foi "muito para além
do que a lei obriga" e está dotado das "tecnologias mais avançadas", tendo
sido investidos, apenas no laboratório, um milhão de euros em equipamento.
Por outro lado, o CIRVER da SISAV quer apostar em projectos com
universidades, tendo o edifício dos serviços administrativos sido dotado de
um auditório/sala de formação destinado a acolher visitas escolares dos
vários níveis de ensino. |