Edição de 13 Junho 2008 • N.º 623 • II Série • Ano 14 • Directora: Inês Vidal

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Chamusca: resíduos perigosos começam a ser tratados
em unidades "únicas na Europa"

As indústrias portuguesas vão poder, já a partir deste mês de Junho, encaminhar os resíduos perigosos resultantes dos seus processos de fabrico para unidades de tratamento, reaproveitamento e eliminação únicas na Europa, tanto pela inovação tecnológica como pela concentração num único local. Os dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos (CIRVER) construídos no Ecoparque do Relvão, na freguesia da Carregueira, Chamusca, foram inaugurados na semana passdada pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, conforme o JT noticiou na anterior edição. "A grande inovação destes centros é não só na tecnologia como sobretudo no facto de o resíduo entrar aqui e já não sair, não precisar de andar a transitar de umas unidades para outras, o que não existe em nenhum outro país da Europa", disse à agência Lusa o director-executivo de um dos CIRVER. Frederico Santos, do consórcio ECODEAL, que integra os espanhóis da Fomento de Construcciones y Contratas (FCC), líder do sector em Espanha, considera que a ideia que presidiu à construção destes centros "pode ser exportada para países que querem começar a tratar os seus resíduos".

"Até aqui nós íamos visitar unidades de tratamento de lixos perigosos em outros países. Agora somos nós que começamos a receber visitas, porque não existe nenhuma como estas", afirmou. O CIRVER da ECODEAL (FCC, Cabelte, Quimigal e Quimitécnica Ambiente), um investimento da ordem dos 20 milhões de euros, dista apenas alguns quilómetros do construído pela SISAV, consórcio que integra a Sarp, a Sapec e a Auto-Vila, num investimento de 28 milhões de euros, ocupando cada um uma área de 30 hectares. Os dois centros vão tratar inicialmente entre 70.000 a 100.000 toneladas de Resíduos Industriais Perigosos (RIP) por ano, cada um, estimando-se que existam 300.000 toneladas anuais em produção, além do milhão de toneladas acumulados ao longo de duas a três décadas.

OS CIRVER apenas não terão capacidade para tratar resíduos radioactivos, explosivos e hospitalares, estando neste último caso prevista a construção, também no Ecoparque do Relvão, num terreno com 5 hectares, da incineradora que tratará todos os resíduos hospitalares do país. Do total de resíduos entrados, apenas 30 a 40 por cento terão por destino final o aterro, destinando-se 10 a 15 por cento à co-incineração em cimenteiras, para utilização como combustível, depois de tratados.

Carlos Cardoso, director-executivo do CIRVER da SISAV, faz questão em frisar que este centro foi "muito para além do que a lei obriga" e está dotado das "tecnologias mais avançadas", tendo sido investidos, apenas no laboratório, um milhão de euros em equipamento. Por outro lado, o CIRVER da SISAV quer apostar em projectos com universidades, tendo o edifício dos serviços administrativos sido dotado de um auditório/sala de formação destinado a acolher visitas escolares dos vários níveis de ensino.


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