Palmira Godinho Maurício: um adeus aos 99 anos
Sociedade » 2026-01-08
No declinar da década de 60 do século passado já não era nada vulgar encontrar uma mulher com quinze filhos, ou mesmo dez. Mas só essa singularidade estatística fazia da família Maurício (casal Palmira e Joaquim) uma das mais conhecidas da vila de Torres Novas, até pela sua inserção numa zona de comunidades assentes, ainda, em visíveis laços vicinais de relacionamento social, como era o caso do bairro de São Domingos e toda a área do Rossio, de Santo António ou da Arrábida.
Natural da freguesia de Olalhas do vizinho concelho de Tomar, onde nasceu em 29 de Outubro de 1926, escassos meses após a queda da Primeira República, Palmira do Carmo Godinho veio para Torres Novas com um ano de idade, acompanhando a sua família, pais e irmãos, que aqui se fixariam. O pai trabalhava na agricultura e era também construtor, tendo acabado por comprar um terreno fronteiro do Colégio de Santa Maria e um outro em São Domingos, então ainda um pequeno aglomerado de meia dúzia de casas a espreitar a estrada de saída vila na ponta poente do Rossio de São Sebastião. E foi aí, no emergente bairro de São Domingos, que seria construída a casa de família.
A pequena Palmira estudara no Colégio de Santa Maria e lá cresceu, pois cursou até ao antigo sexto ano (hoje 10.º) o curso liceal que aquele colégio ministrava. Católica praticante desde jovem, foi catequista, participou em peças teatrais e escreveu para o semanário local “O Almonda”, assinando PC (Palmira do Carmo). Pertenceu também à JOC (Juventude Operária Católica), da qual foi presidente local e foi nas actividades dessa organização que conheceu Joaquim Maurício, natural da Caveira (Santa Maria, Torres Novas), dois anos e um dia mais velho que ela.
Aos vinte e dois anos, acabara a II Guerra Mundial há apenas três, casou-se com Joaquim Maurício. As gémeas Maria Teresa e Teresa Maria foram as primeiras filhas a nascer. Sucederam-se, até 1966, Luís, Margarida, Fátima, Carlos, Filomena, Victor, Isabel, Rosário, João, Joaquim, Paulo, Jorge e Fernando. Ao todo, 15 filhos: 7 raparigas e 8 rapazes.
O percurso de vida e conhecimentos empíricos resultantes do seu saber e da criação de tantas crianças, granjearam-lhe uma certa auréola de matriarca da sua enorme família e também a simpatia e apreço da vizinhança. Palmira era o primeiro socorro da criançada da rua para tratamento de arranhadelas e pequenas maleitas de circunstância.
Depois de uma vida cheia, também como espectadora do rodar do mundo – já praticamente adulta assistiu à II Guerra Mundial, às dificuldades e também às promessas do pós-guerra, viveu os tempos ásperos do Estado Novo, militou na esperança do movimento jocista, foi tocada pela guerra colonial portuguesa que lhe mobilizou um filho, assistiu à chegada do homem à Lua e cinco anos mais tarde à restauração da liberdade em Portugal, pôde ainda admirar os mistérios e maravilhas dos computadores e das novas tecnologias nunca sonhadas, nem mesmo quando em Portugal foi contemporânea da afirmação da rádio e anos mais tarde, tinha ela cerca de trinta anos, do aparecimento da televisão – Palmira nunca desistiu da vida: com 90 anos, ainda se deslocava ao Mercado Municipal para orientar as compras da semana.
Palmira do Carmo Godinho Maurício faleceu no passado dia 27 de Dezembro de 2025, com 99 anos. Uma vida maior que o século que a viu nascer. J.C.L.
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Palmira Godinho Maurício: um adeus aos 99 anos
Sociedade » 2026-01-08
No declinar da década de 60 do século passado já não era nada vulgar encontrar uma mulher com quinze filhos, ou mesmo dez. Mas só essa singularidade estatística fazia da família Maurício (casal Palmira e Joaquim) uma das mais conhecidas da vila de Torres Novas, até pela sua inserção numa zona de comunidades assentes, ainda, em visíveis laços vicinais de relacionamento social, como era o caso do bairro de São Domingos e toda a área do Rossio, de Santo António ou da Arrábida.
Natural da freguesia de Olalhas do vizinho concelho de Tomar, onde nasceu em 29 de Outubro de 1926, escassos meses após a queda da Primeira República, Palmira do Carmo Godinho veio para Torres Novas com um ano de idade, acompanhando a sua família, pais e irmãos, que aqui se fixariam. O pai trabalhava na agricultura e era também construtor, tendo acabado por comprar um terreno fronteiro do Colégio de Santa Maria e um outro em São Domingos, então ainda um pequeno aglomerado de meia dúzia de casas a espreitar a estrada de saída vila na ponta poente do Rossio de São Sebastião. E foi aí, no emergente bairro de São Domingos, que seria construída a casa de família.
A pequena Palmira estudara no Colégio de Santa Maria e lá cresceu, pois cursou até ao antigo sexto ano (hoje 10.º) o curso liceal que aquele colégio ministrava. Católica praticante desde jovem, foi catequista, participou em peças teatrais e escreveu para o semanário local “O Almonda”, assinando PC (Palmira do Carmo). Pertenceu também à JOC (Juventude Operária Católica), da qual foi presidente local e foi nas actividades dessa organização que conheceu Joaquim Maurício, natural da Caveira (Santa Maria, Torres Novas), dois anos e um dia mais velho que ela.
Aos vinte e dois anos, acabara a II Guerra Mundial há apenas três, casou-se com Joaquim Maurício. As gémeas Maria Teresa e Teresa Maria foram as primeiras filhas a nascer. Sucederam-se, até 1966, Luís, Margarida, Fátima, Carlos, Filomena, Victor, Isabel, Rosário, João, Joaquim, Paulo, Jorge e Fernando. Ao todo, 15 filhos: 7 raparigas e 8 rapazes.
O percurso de vida e conhecimentos empíricos resultantes do seu saber e da criação de tantas crianças, granjearam-lhe uma certa auréola de matriarca da sua enorme família e também a simpatia e apreço da vizinhança. Palmira era o primeiro socorro da criançada da rua para tratamento de arranhadelas e pequenas maleitas de circunstância.
Depois de uma vida cheia, também como espectadora do rodar do mundo – já praticamente adulta assistiu à II Guerra Mundial, às dificuldades e também às promessas do pós-guerra, viveu os tempos ásperos do Estado Novo, militou na esperança do movimento jocista, foi tocada pela guerra colonial portuguesa que lhe mobilizou um filho, assistiu à chegada do homem à Lua e cinco anos mais tarde à restauração da liberdade em Portugal, pôde ainda admirar os mistérios e maravilhas dos computadores e das novas tecnologias nunca sonhadas, nem mesmo quando em Portugal foi contemporânea da afirmação da rádio e anos mais tarde, tinha ela cerca de trinta anos, do aparecimento da televisão – Palmira nunca desistiu da vida: com 90 anos, ainda se deslocava ao Mercado Municipal para orientar as compras da semana.
Palmira do Carmo Godinho Maurício faleceu no passado dia 27 de Dezembro de 2025, com 99 anos. Uma vida maior que o século que a viu nascer. J.C.L.
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O Clube Amador de Desportos do Entroncamento entra num fim de semana decisivo da época 2025/2026, com três equipas a iniciarem a 2.ª fase dos respectivos campeonatos nacionais, reafirmando a presença do clube nos principais palcos da formação nacional. |
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