A ARTE NOVA E O CHURRASQUINHO PORTUGUÊS - josé alves pereira
Sociedade » 2025-08-25
A Arte Nova é um período temporal bastante curto na história da arte, que se pode delimitar entre 1890 e 1920. A sua influência estende-se pela arquitectura, escultura, pintura, joalharia, mobiliário, etc, assumindo diferentes designações conforme os países. Quem não se encanta com um candeeiro do Lalique, um cartaz do Toulouse Lautrec, uma pintura do Klimt ou os frisos de azulejos dalgumas construcções?
A Arte Nova é uma tentativa de superação do industrialismo nascente contrapondo ao racionalismo formal e frio das produções industrializadas as formas orgânicas, pela inclusão de temas florais, arredondadas e arrebicadas. É um tempo de busca e contradições estéticas, tecnológicas e produtivas assentes em novos materiais e públicos. É a utopia do regresso ao passado, do confronto entre a manufactura, o artesanato e a produção industrializada. É também o tempo dos novos movimentos designados por design em que aflora a Bauhaus. Representava o vértice do gosto estético, em muitos casos do gesto manual na execução do produto, da intervenção próxima do projectista. O predomínio do ornamento, exotismo orientalizante, vegetalismo e exploração dos arabescos florais com a sua natureza artesanal não podia, todavia, corresponder aos desafios dos novos consumos. Há como que um vocabulário ornamental que se estende pela arquitectura, artes visuais, interiores e mesmo para o espaço urbano como é o caso conhecido das entradas do metro de Paris da autoria de Guimard,
A Arte Nova estava na encruzilhada das influências francesa, alemã e inglesa assumindo um papel determinante na difusão da nova estética. Um dos seus expoentes era Victor Horta (1861-1947). Autor de muitas das obras mais representativas tendo em Bruxelas um museu com o seu nome.
Portugal não é um país pródigo em grandes exemplos, pese embora o esforço para identificar alguns casos espalhados. Apenas aqui ou ali alguns afloramentos sem marcante significado, quase sempre importados por alguns artistas e arquitectos mais viajados. Apesar disso há um museu em Aveiro que leva a cidade a designar-se Capital da Arte Nova.
A Bélgica e a sua capital, Bruxelas, é, provavelmente, a cidade em que a marca Arte Nova tem mais raízes, nomeadamente arquitectónicas : Hoteis Tassel e Savoy, Museu Horta, Edifício Old England , que acolhe o museu dos instrumentos musicais.
Foi isso que pensei em 2012. No dia 10 de Junho, dia de Portugal de Camões e das Comunidades, estava em Bruxelas; de autocarro fui até St Gilles, território nas periferias da cidade. Na rua Américaine a casa museu de Victor Horta, de fachada estreita, e vários pisos. Detalhes ornamentais, amplas superfícies envidraçadas, ferrarias, vitrais, representações curvilíneas e florais com funções definidas em formas dinâmicas inéditas. O desenho vai do minucioso detalhe dos interiores, essencialmente das madeiras aos pormenores dos puxadores de portas com protótipos em gesso. Tudo muito singular e esteticamente estudado como se fossem minúsculas esculturas.
Finda a visita e sendo ainda cedo, deambulámos pelas ruas. Estava um calor abafado. Pelas varandas bandeiras portuguesas, gente nossa, em tronco nú, aquecia o corpo e tisnava a pele no fraco sol. Na véspera começara o Campeonato da Europa de Futebol. Portugal perdera com a Alemanha por 1-0, mas recompôs-se e no final ficou pelo 3º lugar.
Ao longe uma música conhecida e um speaker bradava qualquer coisa inexpressiva. Fomos até lá. Era o largo fronteiro à Câmara Municipal (Comuna), Place Van Meenen engalanada com bandeiras portuguesas, tendas de produtos, e um em que crianças se aplicavam em actividades criativas. Rua adiante stands de comes e bebes, petiscos e fumaradas evolando-se das grelhadas, febras, chouriços e tudo o que no petisco pudesse relembrar a terra. Dias antes actuaram a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Rui Veloso e Lena de Água. Naquele dia estava programada a Adelaide Ferreira, o Grupo Tocá Rufar (Seixal) e o Só Forró (Açores). Um animador gritava e gritava num palco da CGD entusiasmando uns cantores de ocasião, clamando por um rancho folclórico e por um desfile de trajes regionais. Sorrisos estampados nos rostos, cumprimentos de quem se não via há tempos, palavras resignadas, discorrências sobre coisas da nossa terra. Cachecóis e lenços, todos se esmeravam em exibir os sinais da suas origens, do seu torrão Natal. A festa tinha a orientação da FAPB, Federação das Associações Portuguesas na Bélgica. Aquela praça, naquele dia, era Portugal.
Expressamos por vezes um sorriso complacente por algumas peculiaridades dos nossos conterrâneos na diáspora. A vivência local, a compreensão do que é ser emigrante e as saudades entranhadas nos que estão fora merecem ser olhados de outro modo. Hoje que tanto se fala de migrações, seria bom que cada um pensasse que um cidadão longe dos seus e do meio em que nasceu e cresceu mantém um cordão umbilical às suas formas de viver que dificilmente esquece.
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A ARTE NOVA E O CHURRASQUINHO PORTUGUÊS - josé alves pereira
Sociedade » 2025-08-25A Arte Nova é um período temporal bastante curto na história da arte, que se pode delimitar entre 1890 e 1920. A sua influência estende-se pela arquitectura, escultura, pintura, joalharia, mobiliário, etc, assumindo diferentes designações conforme os países. Quem não se encanta com um candeeiro do Lalique, um cartaz do Toulouse Lautrec, uma pintura do Klimt ou os frisos de azulejos dalgumas construcções?
A Arte Nova é uma tentativa de superação do industrialismo nascente contrapondo ao racionalismo formal e frio das produções industrializadas as formas orgânicas, pela inclusão de temas florais, arredondadas e arrebicadas. É um tempo de busca e contradições estéticas, tecnológicas e produtivas assentes em novos materiais e públicos. É a utopia do regresso ao passado, do confronto entre a manufactura, o artesanato e a produção industrializada. É também o tempo dos novos movimentos designados por design em que aflora a Bauhaus. Representava o vértice do gosto estético, em muitos casos do gesto manual na execução do produto, da intervenção próxima do projectista. O predomínio do ornamento, exotismo orientalizante, vegetalismo e exploração dos arabescos florais com a sua natureza artesanal não podia, todavia, corresponder aos desafios dos novos consumos. Há como que um vocabulário ornamental que se estende pela arquitectura, artes visuais, interiores e mesmo para o espaço urbano como é o caso conhecido das entradas do metro de Paris da autoria de Guimard,
A Arte Nova estava na encruzilhada das influências francesa, alemã e inglesa assumindo um papel determinante na difusão da nova estética. Um dos seus expoentes era Victor Horta (1861-1947). Autor de muitas das obras mais representativas tendo em Bruxelas um museu com o seu nome.
Portugal não é um país pródigo em grandes exemplos, pese embora o esforço para identificar alguns casos espalhados. Apenas aqui ou ali alguns afloramentos sem marcante significado, quase sempre importados por alguns artistas e arquitectos mais viajados. Apesar disso há um museu em Aveiro que leva a cidade a designar-se Capital da Arte Nova.
A Bélgica e a sua capital, Bruxelas, é, provavelmente, a cidade em que a marca Arte Nova tem mais raízes, nomeadamente arquitectónicas : Hoteis Tassel e Savoy, Museu Horta, Edifício Old England , que acolhe o museu dos instrumentos musicais.
Foi isso que pensei em 2012. No dia 10 de Junho, dia de Portugal de Camões e das Comunidades, estava em Bruxelas; de autocarro fui até St Gilles, território nas periferias da cidade. Na rua Américaine a casa museu de Victor Horta, de fachada estreita, e vários pisos. Detalhes ornamentais, amplas superfícies envidraçadas, ferrarias, vitrais, representações curvilíneas e florais com funções definidas em formas dinâmicas inéditas. O desenho vai do minucioso detalhe dos interiores, essencialmente das madeiras aos pormenores dos puxadores de portas com protótipos em gesso. Tudo muito singular e esteticamente estudado como se fossem minúsculas esculturas.
Finda a visita e sendo ainda cedo, deambulámos pelas ruas. Estava um calor abafado. Pelas varandas bandeiras portuguesas, gente nossa, em tronco nú, aquecia o corpo e tisnava a pele no fraco sol. Na véspera começara o Campeonato da Europa de Futebol. Portugal perdera com a Alemanha por 1-0, mas recompôs-se e no final ficou pelo 3º lugar.
Ao longe uma música conhecida e um speaker bradava qualquer coisa inexpressiva. Fomos até lá. Era o largo fronteiro à Câmara Municipal (Comuna), Place Van Meenen engalanada com bandeiras portuguesas, tendas de produtos, e um em que crianças se aplicavam em actividades criativas. Rua adiante stands de comes e bebes, petiscos e fumaradas evolando-se das grelhadas, febras, chouriços e tudo o que no petisco pudesse relembrar a terra. Dias antes actuaram a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Rui Veloso e Lena de Água. Naquele dia estava programada a Adelaide Ferreira, o Grupo Tocá Rufar (Seixal) e o Só Forró (Açores). Um animador gritava e gritava num palco da CGD entusiasmando uns cantores de ocasião, clamando por um rancho folclórico e por um desfile de trajes regionais. Sorrisos estampados nos rostos, cumprimentos de quem se não via há tempos, palavras resignadas, discorrências sobre coisas da nossa terra. Cachecóis e lenços, todos se esmeravam em exibir os sinais da suas origens, do seu torrão Natal. A festa tinha a orientação da FAPB, Federação das Associações Portuguesas na Bélgica. Aquela praça, naquele dia, era Portugal.
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