Cabeço do Soudo: arraial é dia 14 e espera visita do bispo de Santarém
Sociedade » 2025-09-06
Pode chegar-se pela rua da Fonte, já sem a frescura de outrora, mas logo se aproxima a rua das Flores, vaidosa, de casas alindadas e quintais floridos, a subir até ao coração da pequena aldeia: eis a capela, dir-se-ia uma capela de brincar, uma pequena casinha, fruto da acção de um habitante local, que com a ajuda de outros vizinhos a construiu e inaugurou em Outubro de 1925. Cumpre-se por estes dias o centenário da capela de Cabeço do Soudo, uma pequena povoação da freguesia de Chancelaria, concelho de Torres Novas. E são esses cem anos de história o motivo da festa aprazada para o próximo dia 14 de Setembro.
Manuel Santos Silva, de 85 anos, pessoa conhecida por muitos por ter sido, durante quase quatro décadas, funcionário da escola secundária de Torres Novas, ostenta com orgulho o “título honorário” de guarda-mor da capela, função que lhe foi confiada no ano em que o homem pisou a lua, 1969, pelo padre da freguesia de então, João Forjaz de Freitas, que na altura abanou a pacatez de uma freguesia periférica e parada no tempo. Por esses anos, realizaram-se na Rexaldia, ali a dois passos, campos de trabalho de verão para estudantes universitários, que ajudavam nos trabalhos da terra e davam aulas de alfabetização aos moradores, o sonho das utopias a chegar a uma terra sem luz e sem água canalizada, com baixa escolaridade e muito analfabetismo. Outros tempos, atrás deles outros tempos vieram, mais luminosos.
Meio século passado, juntam-se na roda de conversa Manuel Silva, a sua filha, Ana Cristina Silva, e Sílvia Costa, uma jovem mulher moradora na aldeia e animadora de uma informal “comissão” que organiza os eventos possíveis numa comunidade tão reduzida, desde as festas de arraial a favor das obras da capela (desde 2017) até à fogueira de Natal.
Ana Silva tem na cabeça a dimensão da humanidade deste pequeno mundo de fantásticas paisagens em redor, outros cabeços que fazem a topografia do mundo: “Ora, contando casa a casa, somos 31. São 31 pessoas que actualmente habitam a aldeia”, diz ela, nomeando os vizinhos um a um. Uma família alargada, portanto.
A povoação Já teve um moinho e um lagar, em tempos há muito apagados, mas nunca houve uma loja, e festas populares realizaram-se apenas umas, em 1958. Nem missa havia regularmente, “porque não havia dinheiro para mandar rezar missas”, diz, Manuel Santos Silva, que teve papel activo nas primeiras obras de restauro da capela, em 1974/75, sopravam também por ali ventos de sonhos e liberdade, a nova vida que trouxe enfim a electricidade à aldeia, corria o ano de 1977. “Quem inaugurou a luz foi o presidente Natal da Luz”, diz com graça Manuel Silva, recordando aquele que foi o primeiro autarca democraticamente eleito pelos torrejanos.
A aldeia não tem um salão, um espaço comunitário, onde as pessoas se possam reunir para organizar ou participar em actividades, lamenta Sílvia Costa, que, contudo, tem nos olhos o brilho do entusiasmo de mudar as coisas à sua volta. Com Carlos Prino, Pedro neves, Elsa Neves e outros vizinhos, a jovem moradora, que trabalha na área de marketing e escolheu para viver aquele pequeno cume de onde se vê o mundo, espelha o empenho da comissão em levar por diante o grande momento que se aproxima e que marcará os anais da terra.
A capela faz 100 anos, à festa religiosa vai comparecer o bispo de Santarém e o arraial, que entretanto ganhou fama pelas redondezas, vai ser melhorado. “Num dos arraiais tivemos aqui mais de meio milhar de pessoas”, garantem Ana Silva e Sílvia Costa, esperando que o porco no espeto, as bifanas e as doçarias atraiam desta vez mais visitantes, na festa que fechará o ciclo de festividades populares do concelho.
O Arraial do próximo vai 14 vai ser certamente um sucesso. Mas a vida vai continuar em Cabeço do Soudo e a aldeia precisa de sentir unida, ter um espaço para promover uma aula de yoga, uma reunião, um convívio, precisa de um lugar que seja de todos e que dê alma a uma terra que quer ter mais que 31 habitantes.
Não será um objectivo fácil de realizar. Mas, ali no centro da aldeia, a velha eira, o poço, as duas casinhas tradicionais alinhadas onde ressalta o velho tanque de pedra exterior, parecem pedir um olhar atento. Está ali simbolicamente o passado de uma comunidade. Quem sabe se não estará ali o seu futuro?
J.C.L.
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Cabeço do Soudo: arraial é dia 14 e espera visita do bispo de Santarém
Sociedade » 2025-09-06
Pode chegar-se pela rua da Fonte, já sem a frescura de outrora, mas logo se aproxima a rua das Flores, vaidosa, de casas alindadas e quintais floridos, a subir até ao coração da pequena aldeia: eis a capela, dir-se-ia uma capela de brincar, uma pequena casinha, fruto da acção de um habitante local, que com a ajuda de outros vizinhos a construiu e inaugurou em Outubro de 1925. Cumpre-se por estes dias o centenário da capela de Cabeço do Soudo, uma pequena povoação da freguesia de Chancelaria, concelho de Torres Novas. E são esses cem anos de história o motivo da festa aprazada para o próximo dia 14 de Setembro.
Manuel Santos Silva, de 85 anos, pessoa conhecida por muitos por ter sido, durante quase quatro décadas, funcionário da escola secundária de Torres Novas, ostenta com orgulho o “título honorário” de guarda-mor da capela, função que lhe foi confiada no ano em que o homem pisou a lua, 1969, pelo padre da freguesia de então, João Forjaz de Freitas, que na altura abanou a pacatez de uma freguesia periférica e parada no tempo. Por esses anos, realizaram-se na Rexaldia, ali a dois passos, campos de trabalho de verão para estudantes universitários, que ajudavam nos trabalhos da terra e davam aulas de alfabetização aos moradores, o sonho das utopias a chegar a uma terra sem luz e sem água canalizada, com baixa escolaridade e muito analfabetismo. Outros tempos, atrás deles outros tempos vieram, mais luminosos.
Meio século passado, juntam-se na roda de conversa Manuel Silva, a sua filha, Ana Cristina Silva, e Sílvia Costa, uma jovem mulher moradora na aldeia e animadora de uma informal “comissão” que organiza os eventos possíveis numa comunidade tão reduzida, desde as festas de arraial a favor das obras da capela (desde 2017) até à fogueira de Natal.
Ana Silva tem na cabeça a dimensão da humanidade deste pequeno mundo de fantásticas paisagens em redor, outros cabeços que fazem a topografia do mundo: “Ora, contando casa a casa, somos 31. São 31 pessoas que actualmente habitam a aldeia”, diz ela, nomeando os vizinhos um a um. Uma família alargada, portanto.
A povoação Já teve um moinho e um lagar, em tempos há muito apagados, mas nunca houve uma loja, e festas populares realizaram-se apenas umas, em 1958. Nem missa havia regularmente, “porque não havia dinheiro para mandar rezar missas”, diz, Manuel Santos Silva, que teve papel activo nas primeiras obras de restauro da capela, em 1974/75, sopravam também por ali ventos de sonhos e liberdade, a nova vida que trouxe enfim a electricidade à aldeia, corria o ano de 1977. “Quem inaugurou a luz foi o presidente Natal da Luz”, diz com graça Manuel Silva, recordando aquele que foi o primeiro autarca democraticamente eleito pelos torrejanos.
A aldeia não tem um salão, um espaço comunitário, onde as pessoas se possam reunir para organizar ou participar em actividades, lamenta Sílvia Costa, que, contudo, tem nos olhos o brilho do entusiasmo de mudar as coisas à sua volta. Com Carlos Prino, Pedro neves, Elsa Neves e outros vizinhos, a jovem moradora, que trabalha na área de marketing e escolheu para viver aquele pequeno cume de onde se vê o mundo, espelha o empenho da comissão em levar por diante o grande momento que se aproxima e que marcará os anais da terra.
A capela faz 100 anos, à festa religiosa vai comparecer o bispo de Santarém e o arraial, que entretanto ganhou fama pelas redondezas, vai ser melhorado. “Num dos arraiais tivemos aqui mais de meio milhar de pessoas”, garantem Ana Silva e Sílvia Costa, esperando que o porco no espeto, as bifanas e as doçarias atraiam desta vez mais visitantes, na festa que fechará o ciclo de festividades populares do concelho.
O Arraial do próximo vai 14 vai ser certamente um sucesso. Mas a vida vai continuar em Cabeço do Soudo e a aldeia precisa de sentir unida, ter um espaço para promover uma aula de yoga, uma reunião, um convívio, precisa de um lugar que seja de todos e que dê alma a uma terra que quer ter mais que 31 habitantes.
Não será um objectivo fácil de realizar. Mas, ali no centro da aldeia, a velha eira, o poço, as duas casinhas tradicionais alinhadas onde ressalta o velho tanque de pedra exterior, parecem pedir um olhar atento. Está ali simbolicamente o passado de uma comunidade. Quem sabe se não estará ali o seu futuro?
J.C.L.
Caminhada: “A Bom Ritmo” nas Grutas de Lapas e Tufos Calcários
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O Município de Torres Novas irá promover, no próximo dia 18 de Abril, um passeio interpretativo dedicado às Grutas de Lapas e Tufos Calcários com o objectivo de que os participantes partam à descoberta do património natural e turístico do concelho de Torres Novas. |
1 de Maio: Caminhada solidária dos Bombeiros Voluntários
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O município de Torres Novas vai ser palco, no próximo dia 1 de Maio, da “Caminhada Solidária Da Terra Farmácia.Torres Novas - Bombeiros Voluntários Torrejanos”, uma iniciativa aberta a toda a população e apoiada pela Câmara Municipal local. |
OURÉM: Albardeira recria álbum de José Afonso em espectáculo colectivo
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No âmbito das celebrações do 25 de Abril, a “Albardeira Associação Cultural” apresenta “Enquanto há força”, um concerto-espectáculo que recria integralmente o álbum homónimo de José Afonso, editado em 1978. |
Torreshopping reforça o compromisso com a sustentabilidade através do projecto “Vamos Verde”
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“Another Day in Paradise!” celebra 25 anos do Teatro Meia Via
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Cimeira “mulheres que criam” » 2026-04-08 A cimeira “Mulheres que Criam Futuro” é uma iniciativa “de âmbito regional e projecção nacional dedicada ao empreendedorismo feminino, ao desenvolvimento humano e ao impacto social”. Terá lugar a 13 de Junho na região do Médio Tejo e reúne mulheres empreendedoras, líderes e futuras criadoras de projectos, num espaço de partilha, inspiração e capacitação prática. |
Nersant lança projecto de mais de 767 mil euros para acelerar a descarbonização das empresas ribatejanas
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