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Slow journalism: o tempo da notícia*

Opinião  »  2018-09-26  »  Inês Vidal

"O slow journalism é isso mesmo: é sobre o que acontece a seguir à notícia, é a procura das histórias não contadas,"

Há uma revolução a fazer-se. Devagarinho. Em papel e a cores. Defende o tempo e tudo o que tempo nos dá. Notícias com cabeça, tronco e membros. Princípio, meio e fim. Refuta os limites do “quem fez o quê, como, quando, onde e porquê”. Vai mais longe e exige saber que contexto levou a que o que aconteceu, acontecesse, e como irão os factos influenciar a vida de todos nós daí para a frente. Questiona, procura, vai ao centro, ao coração da notícia que já foi, mas continua a fazer os nossos dias. Saímos conhecedores, esclarecidos. Mais ricos que antes. É uma abordagem que nos informa, sem preocupações com audiências ou captação de publicidade. É a informação pela informação. O jornalismo pelo jornalismo. Nem lhe poderemos chamar jornalismo de qualidade. É jornalismo. Ponto. Aquilo que um dia nós, todos aqueles que algum dia sonharam com estas coisas dos jornais, ambicionamos. E ele está aí. A chegar. Devagarinho. Fazendo o caminho que a celeridade do fast journalism veio encurtar.

O movimento tem um nome: “slow journalism”. Um anseio de muitos que ganhou forma em 2011 com o lançamento da revista Delayed Gratification, pela mão da The Slow Journalism Company, no Reino Unido. Matthew Lee, editor da revista, esteve em Matosinhos, no Quiosque Manifesto, no sábado, 22, para falar da importância do slow journalism e de uma narrativa lenta para uma informação rigorosa.

E o slow journalism é isso mesmo: é sobre o que acontece a seguir à notícia, é a procura das histórias não contadas, é o dar tempo à notícia para que respire, amadureça, em suma, aconteça. É um jornalismo sem pressas, que questiona e faz questionar, que vai ao fundo, confirma, ouve. Um jornalismo sem ambições quantitativas, apenas qualitativas. É o trazer de volta ao palco principal o acontecimento que é notícia, contrariando o fast journalism, que se vem esquecendo do que aqui nos trouxe, em detrimento de uma empresarialização dos factos ao serviço dos números que nos sustentam.

A tendência é crescente. Devagarinho, mas vai. Vamos chegando a um ponto em que até naquilo que lemos, sentimos necessidade de abrandar. A velocidade a que as notícias nos são contadas, de imediato esquecidas exactamente pela pouca profundidade com que nos chegam, começa a não chegar.
Vai haver sempre lugar para ele, o fast journalism, as breaking news, as notícias de última hora que, potenciadas pela facilidade de correr o mundo num segundo, se dão antes que alguém se lembre de o fazer, mesmo que ainda com poucas certezas sobre o que tenha acontecido. Mas, cada vez mais pedimos uma alternativa, aquela que nos vai efectivamente explicar a notícia gritada, em letras garrafais, ao ouvido.

E é no meio de toda esta inquietação a fervilhar em mim e com uma saudável e brutal inveja do Matthew Lee, que adormece à noite fiel às suas convicções e que acorda de manhã feliz com o emprego para onde vai, que o JT entra no seu vigésimo quinto ano de vida. E os novos anos são sempre uma boa altura para pensar e repensar as nossas perspectivas e expectativas. A revolução, entretanto, vai-se fazendo. Devagarinho. E a mim, dá-me vontade de ir com ela.

*O JT com Inês Vidal, em Matosinhos, na conferência “Slow Journalism”, 22 de Setembro

 

 

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