• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Sexta, 27 de Abril de 2018
Pesquisar...
Seg.
 15° / 6°
Períodos nublados com chuva fraca
Dom.
 14° / 8°
Períodos nublados com chuva fraca
Sáb.
 16° / 8°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  18° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Um sidonismo suave

Opinião  »  2018-01-04  »  Jorge Carreira Maia

"O Presidente, sem questionar a constituição, está, pelo seu talento pessoal e pela inabilidade dos partidos políticos e do governo, a construir um presidencialismo não de direito mas de facto."

Apesar da situação actual ser radicalmente diferente daquela que, durante a I República, conduziu Sidónio Pais ao poder, o país caiu, sem dar por isso, num novo sidonismo. Sidónio, de forma turbulenta, tal como eram os tempos de então, liquidou o parlamentarismo republicano e instaurou um regime presidencialista. Marcelo Rebelo de Sousa, sem questionar a constituição, está, pelo seu talento pessoal e pela inabilidade dos partidos políticos e do governo, a construir um presidencialismo não de direito mas de facto. À primeira vista tudo se mantém igual ao que sempre foi. O primeiro-ministro é o responsável pela governação,  a Assembleia pelo processo legislativo e o Presidente da República continua com os mesmos poderes limitados dos seus antecessores. Aparentemente.

Percebe-se, desde muito cedo, que Marcelo Rebelo de Sousa tem como projecto determinar a governação do país. Fá-lo não pela subversão do regime, mas dentro do quadro constitucional, tirando partido da ambivalência do semipresidencialismo. A relação directa com os cidadãos, o clima de cumplicidade e de tutoria do povo que ele, mal eleito, começou a construir dão-lhe legitimidade suficiente para aniquilar qualquer desafio que um qualquer governo lhe lance. O momento decisivo em que o regime se torna efectivamente presidencial é o da tragédia dos incêndios. Se até aí o governo já tinha pouca margem de manobra, a partir da segunda vaga de incêndios deixou de ter qualquer independência relativamente aos desejos políticos de Marcelo Rebelo de Sousa. O governo começou por ser uma iniciativa da esquerda maioritária no parlamento. Hoje, ao perder a autonomia face a Belém, é o governo do Presidente da República.

Presidencialismo e uma relação directa com o povo foram características centrais do sidonismo. Também a actual relação da população com os partidos políticos é semelhante à existente no tempo de Sidónio. Perante as inabilidade e maquinações dos partidos e a cada vez menor consideração que a população lhes vota, o Presidente, pai e pastor do povo, trata-os de forma professoral e condescendente, exercendo um nunca confessado poder executivo real. Sem sujar as mãos, Marcelo Rebelo de Sousa realiza o seu velho sonho de governar, embora por interposta pessoa. As próximas eleições legislativas não têm já a ver com quem os portugueses escolherão para governar. Elas vão decidir através de quem, pessoas e partidos, Marcelo Rebelo de Sousa irá continuar a governar o país. Um novo sidonismo. Suave, cheio de afectos e de paternalismo.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O desafio »  2018-04-20  »  Jorge Carreira Maia

Tenho estado a ler The Benedict Option: A Strategy for Christians in a post-Christian Nation, um livro do conservador Rod Dreher. O autor, um cristão ortodoxo americano, defende que os Estados Unidos são já uma sociedade pós-cristã.
(ler mais...)


ATIVIDADE FÍSICA É UM MEIO DE PREVENÇÃO REGULADOR DA VIDA »  2018-04-20  »  Juvenal Silva

Cada vez se verifica mais que grande parte das pessoas se poderia tratar e curar, exercitando-se todos os dias ao ar puro. Podemos citar, entre outros tipos de doenças a obesidade, diabetes, colesterol, depressão, sistema cardiovascular, respiratório, etc.
(ler mais...)


Caros Riachenses (I) »  2018-04-20  »  António Gomes

O processo de decisão sobre a rede viária de acesso às zonas industriais de Riachos e Entroncamento chegou ao fim. A decisão tomada pelo governo (Infraestruturas de Portugal IP), câmaras municipais do Entroncamento e Torres Novas e com o apoio da junta de freguesia de Riachos (com os votos contra do BE) é a proposta que liga a A23, Torreshoping, à rotunda dos boieiros e esta à zona do terminal de contentores junto à linha férrea.
(ler mais...)


O Janota nunca entrou na Abidis »  2018-04-20  »  Carlos Tomé

Quando saiu de casa, o Janota ia com a intenção de finalmente ter coragem de beber um chá e comer um duchese na Abidis, a pastelaria mais fina do burgo. Especialista em navalhas de ponta e mola, limpa-unhas, bilhetes falsos, ilusões cheias e carteiras vazias, as suas relações sociais e profissionais subiam até às subcaves de Alcântara e aos vendedores de vigésimos premiados.
(ler mais...)


Angústia no Supermercado »  2018-04-20  »  José Ricardo Costa

Resolvi fazer há dias um risoto. Precisava por isso de queijo parmesão ralado. Tudo na vida há-de ter um sentido e se na ordem universal das coisas coube ao parmesão a grata missão de dar alma ao risoto, a ordem lá terá as suas razões.
(ler mais...)


A história da gente »  2018-04-20  »  Anabela Santos

Sem saber muito sobre o assunto, tenho a certeza de que para entendermos melhor o mundo e a nós próprios, é muito importante conhecermos a história da gente e a gente da história.

É o passado que temos em comum que nos serve como referência e nos ajuda a compreender o presente e a preparar o futuro.
(ler mais...)


PERDER EM CASA »  2018-04-20  »  Eduarda Gameiro

Sou uma vítima do fanatismo pelo futebol e como tal, não preciso de estar a ver um jogo para saber se o Benfica perdeu ou ganhou, porque assim que uma bola atinge a baliza, os meus ouvidos fazem questão de me avisar que há ruído na sala e, das duas, uma: ou algo está correr muito bem, ou algo está a correr muito mal.
(ler mais...)


Escola...escola, quem és tu? »  2018-04-20  »  Maria da Luz Lopes

Quase a terminar mais um ano letivo, muitos e grandes desafios se colocam à Escola Pública no próximo ano. Flexibilização Curricular ou a Educação Inclusiva são apenas alguns. Abraçá-los, exige um compromisso e um envolvimento de todos há muito reclamado.
(ler mais...)


A anemia democrática »  2018-04-05  »  Jorge Carreira Maia

Se olharmos para as três principais ideologias políticas que estruturaram as democracias representativas, conservadorismo, liberalismo e socialismo (cada uma delas com diversas nuances), descobrimos que resultaram da implosão da visão cristã do mundo.
(ler mais...)


Um sobreiro em Águas de Moura, ondas na Nazaré e eucaliptos em Riachos »  2018-04-04  »  Carlos Tomé

Sempre me arrependi de não ter aceitado o convite, faz agora 40 anos, do Victor Silvino para irmos à Nazaré na sua Vespa ver uma onda enorme que estava a chamar curiosos. Mas na altura a imagem que me apareceu de imediato à frente dos olhos, não foi a do mar em polvorosa, foi a do pendura da motorizada a esbardalhar-se todo pela serra abaixo quando o mais célebre chofer da biblioteca itinerante da Gulbenkian fizesse as curvas de Porto de Mós mais direito do que um fuso, e isso deu razão à nega.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-04-20  »  Eduarda Gameiro PERDER EM CASA
»  2018-04-20  »  Jorge Carreira Maia O desafio
»  2018-04-20  »  José Ricardo Costa Angústia no Supermercado