Pão, Paz e Liberdade
Opinião
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. Sim, faz agora, por estes dias, 90 anos do triunfo histórico da Frente Popular nas legislativas de 1936. Tendo como lema “Pão, Paz e Liberdade”, a Frente Popular conquistou a maioria dos lugares do Parlamento nas eleições realizadas em 3 de Maio de 1936 e assumiu o governo da França com o socialista Léon Blum como primeiro-ministro.
Não foi pouca coisa. A vitória de Frente Popular representou para os trabalhadores franceses uma conquista de tal forma importante que logo nos dias seguintes às eleições se levantaram as famosas “greves felizes”, exigindo da Frente o cumprimento do seu programa popular. Estas greves tomaram este nome porque além de paralisarem as fábricas, os trabalhadores em luta organizavam bailes e torneios de jogos recreativos num ambiente que conjugou luta e festa, impulsionando aquele que era o seu governo! Em consequência, o governo da Frente Popular sentou de forma inédita na mesma mesa patrões e sindicatos, tendo sido celebrados os acordos de Matignon, que estabeleceram medidas populares de grande alcance e significado histórico para os trabalhadores: aumento geral geral de salários, conquista da semana das 40 horas e direito a duas semanas de férias pagas. Parecia impossível, mas há 90 anos foi possível. Celebre-se!
Em Itália, tal como cá, o fim de semana que passou também foi de festa. No 25 de Abril italiano celebrou-se a libertação do país do nazi-fascismo em 1945. Num país, em que a extrema-direita está de novo à frente do governo, milhares de italianos lembraram a sua História e mostraram a sua disposição para a defesa da democracia e da liberdade. Fizeram-no em alegria cantando a mítica Bella Ciao.
No fim de semana, aqui no nosso canto, junto da Serra de Aire, também se celebrou o Abril daquela manhã clara de 1974. Na solenidade institucional das comemorações oficiais (que também são precisas), mas também na rua e com a companhia certa e segura das canções da nossa liberdade. Afinal, ainda sabemos a cor que os cravos têm.
Assim de forma improvável, se juntam neste recanto de palavras as vozes das gentes de Paris, Roma e Torres Novas – e aqui poderíamos juntar os povos de todas as cidades do mundo onde contra todas as probabilidades e superando impossibilidades, se vai construindo teimosamente a esperança (que dá tanto trabalho) de um tempo novo. Por mais nuvens negras que tenhamos sobre nós e elas estejam a prenunciar tempestades, não esqueçamos o tanto que deixou de ser impossível em 1936, em 1945 ou em 1974.
Encontremo-nos! Estamos todos convocados para o trabalho da Esperança. Porque aquilo que um dia foi possível, será possível de novo.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Pão, Paz e Liberdade
Opinião
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. Sim, faz agora, por estes dias, 90 anos do triunfo histórico da Frente Popular nas legislativas de 1936. Tendo como lema “Pão, Paz e Liberdade”, a Frente Popular conquistou a maioria dos lugares do Parlamento nas eleições realizadas em 3 de Maio de 1936 e assumiu o governo da França com o socialista Léon Blum como primeiro-ministro.
Não foi pouca coisa. A vitória de Frente Popular representou para os trabalhadores franceses uma conquista de tal forma importante que logo nos dias seguintes às eleições se levantaram as famosas “greves felizes”, exigindo da Frente o cumprimento do seu programa popular. Estas greves tomaram este nome porque além de paralisarem as fábricas, os trabalhadores em luta organizavam bailes e torneios de jogos recreativos num ambiente que conjugou luta e festa, impulsionando aquele que era o seu governo! Em consequência, o governo da Frente Popular sentou de forma inédita na mesma mesa patrões e sindicatos, tendo sido celebrados os acordos de Matignon, que estabeleceram medidas populares de grande alcance e significado histórico para os trabalhadores: aumento geral geral de salários, conquista da semana das 40 horas e direito a duas semanas de férias pagas. Parecia impossível, mas há 90 anos foi possível. Celebre-se!
Em Itália, tal como cá, o fim de semana que passou também foi de festa. No 25 de Abril italiano celebrou-se a libertação do país do nazi-fascismo em 1945. Num país, em que a extrema-direita está de novo à frente do governo, milhares de italianos lembraram a sua História e mostraram a sua disposição para a defesa da democracia e da liberdade. Fizeram-no em alegria cantando a mítica Bella Ciao.
No fim de semana, aqui no nosso canto, junto da Serra de Aire, também se celebrou o Abril daquela manhã clara de 1974. Na solenidade institucional das comemorações oficiais (que também são precisas), mas também na rua e com a companhia certa e segura das canções da nossa liberdade. Afinal, ainda sabemos a cor que os cravos têm.
Assim de forma improvável, se juntam neste recanto de palavras as vozes das gentes de Paris, Roma e Torres Novas – e aqui poderíamos juntar os povos de todas as cidades do mundo onde contra todas as probabilidades e superando impossibilidades, se vai construindo teimosamente a esperança (que dá tanto trabalho) de um tempo novo. Por mais nuvens negras que tenhamos sobre nós e elas estejam a prenunciar tempestades, não esqueçamos o tanto que deixou de ser impossível em 1936, em 1945 ou em 1974.
Encontremo-nos! Estamos todos convocados para o trabalho da Esperança. Porque aquilo que um dia foi possível, será possível de novo.
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Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político. O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita. |
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Labregos & rufiões - acácio gouveia
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» Acácio Gouveia
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» António Mário Santos
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Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
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Obras públicas concelhias
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» António Gomes
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Todo bem vestido e sem sítio para ir
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» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
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» 2026-05-18
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