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Mulher

Opinião  »  2019-02-21  »  Margarida Oliveira

"A mulher cidadã, que vota e é votada, tem pela frente um longo caminho para se impor em todas as dimensões da vida política, cultural e social."

Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer.
A mulher trabalhadora em funções semelhantes, ou de semelhante valor, a um par masculino, continua a ser retribuída em valor inferior, o que a obriga a trabalhar mais dias que um homem, para receber o mesmo.

É duramente pressionada a abdicar dos seus direitos legais de parentalidade, ou condicionada para os limitar ao mínimo possível, sob pena de ver ainda mais cavado o fosso de desigualdades que a persegue, traduzido em vínculos laborais precários, que lhe condicionam a progressão e valorização da carreira.
A mulher mãe é coagida a despir-se da sua condição, quer porque teve, tem ou terá filhos, ou simplesmente porque não os terá de todo.
Solitária força da natureza, cuidadora da família, perdida de si mesma.

Concretiza porque não tem outra saída. E se não, logo a sociedade trata de a colocar no devido lugar e algum rótulo lhe será cravado na pele, como uma letra escarlate.
A mulher sexual, vive ainda escondida, até de si mesma. Correndo grandes riscos, físicos e emocionais, quando se expõe, até perante quem lhe é mais próximo e tem maior responsabilidade em respeitar quem ela é.

Vítima de inomináveis violências, é um dos maiores alvos em tempos de guerra, traduzida em tortura e violação sexual de mulheres e meninas.
Já em tempos de paz, ainda tem que suportar o tráfico como se de gado se tratasse, ou a mutilação genital, como uma forma obscura de por fim à sua sexualidade.
O flagelo da prostituição, punitivo e castrador de liberdades, um perigo para a sua saúde física e mental, enfrenta ainda a complacência da sociedade, que ao invés de lutar para a erradicar, usa subterfúgios para a normalizar e enquadrar, como se trabalho fosse. Como se cada um de nós exibisse com orgulho uma filha prostituta. Como se fosse sequer aceitável exibir uma mulher.

A mulher cidadã, que vota e é votada, tem pela frente um longo caminho para se impor em todas as dimensões da vida política, cultural e social.
Tem que ser mais inteligente, mais imaculada nos valores e comportamentos, mais trabalhadora, moralmente superior e não pode ousar lutar por ser mulher.

Todas as fragilidades da sua condição social, levam a que seja a maior vítima de violência doméstica, com uma morte a cada duas semanas, às mãos de companheiros ou ex-companheiros, sem que daí surja uma inequívoca condenação social do silêncio que envolve esta realidade.
Para todas estas condicionantes não existe uma resposta imediata, o caminho é solitário e íngreme, a mulher tem que lutar mais, tem que trabalhar mais, tem que ser mais, tem que dar mais, para no fim, ser sempre menos.
A não ser que juntas, sejamos mais.

 

 

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