Caderneta completa
Opinião
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. Mas pronto... no fim, perdemos a guerra.
Parece a selecção nacional de futebol. Promete-se, exulta-se, elevam-se os espíritos, e no fim nunca ganha. O município criou condições para que os desempregados e falidos do comércio tradicional tenham uma hipótese de emprego nas grandes superfícies. A malta aplaude e dá palmadinhas nas costas uns do outros. O que seria de nós sem os políticos a zelar pelos nossos interesses? Como dizia o ébrio Vasco Santana, chapéus há muitos, ó palerma.
Como metade dos conformados está a regressar de férias, antes que se entusiasmem a comparar os escaldões com pedigree do Algarve com os escaldões rafeiros da costa oeste, convém domesticá-los para o regresso ao rengo-rengo da rotina, onde vão existir durante mais um ano. Nesse sentido, a autarquia preparou dois workshops de regresso à normalidade: as piscinas que não abriram como prometido e as obras do largo do Virgínia que não arrancaram como prometido. Assim, o pessoal habitua-se imediatamente à rotina, aos velhos hábitos.
Quando a outra metade dos conformados, a ir de férias agora, regressar, haverá novos workshops preparados. Muito provavelmente os mesmos. Porque a equidade também é palavra frequente nas campanhas e discursos. Há que cumprir com o prometido.
Entretanto, para quem não participou no êxodo sazonal e ficou por cá, além de manter o lugar na fila para tirar ticket habilitador a melanoma, porque rodeado de ingleses genuínos e franceses falsos na praia, ou a comer pó, beber minis e a levar cornadas no campo, o sol é o mesmo, a festarola riachense meteu um visto nos quadradinhos todos.
Num golpe de brilhantismo, o presidente da Câmara achincalhou duramente quem teve a ousadia de criticar o evento, de onde resultaram 4 feridos. Pagar bilhete para servir de objecto de diversão de um touro bravo, num evento apoiado financeiramente e institucionalmente pela Câmara, é incriticável, na opinião dele.
Não satisfeito com este brilhantismo, decidiu incrementar lúmenes e ofuscar tudo e todos com a proposta de submeter a Festa da Bênção do Gado de Riachos à UNESCO como património imaterial da humanidade. Até à presente data, nunca nenhum país submeteu à UNESCO um evento onde estivesse incluído uma componente tauromáquica. A acontecer, esta será a primeira vez. De notar: nem Espanha, nem México, nem... NINGUÉM, teve a ousadia de submeter algo do género à UNESCO. Tinha de ser um cromo torrejano. Incrível.
Apesar de a UNESCO não ter uma posição definida em relação ao tema, grandemente porque nunca foram confrontados com tal coisa, a rejeição de todos os argumentos da causa animal, pactuar com a barbárie, ocupar a cadeira de pária num espectáculo/diversão que, à sua frente, enviou quatro seres humanos, um em risco de vida, para o hospital, é considerado boa ideia.
Percebem agora ao que me referia no início? Aquela injecção de adrenalina quando ao abrir a saqueta sai de lá um cromo raríssimo que completa a colecção? Tah dah!
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Caderneta completa
Opinião
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. Mas pronto... no fim, perdemos a guerra.
Parece a selecção nacional de futebol. Promete-se, exulta-se, elevam-se os espíritos, e no fim nunca ganha. O município criou condições para que os desempregados e falidos do comércio tradicional tenham uma hipótese de emprego nas grandes superfícies. A malta aplaude e dá palmadinhas nas costas uns do outros. O que seria de nós sem os políticos a zelar pelos nossos interesses? Como dizia o ébrio Vasco Santana, chapéus há muitos, ó palerma.
Como metade dos conformados está a regressar de férias, antes que se entusiasmem a comparar os escaldões com pedigree do Algarve com os escaldões rafeiros da costa oeste, convém domesticá-los para o regresso ao rengo-rengo da rotina, onde vão existir durante mais um ano. Nesse sentido, a autarquia preparou dois workshops de regresso à normalidade: as piscinas que não abriram como prometido e as obras do largo do Virgínia que não arrancaram como prometido. Assim, o pessoal habitua-se imediatamente à rotina, aos velhos hábitos.
Quando a outra metade dos conformados, a ir de férias agora, regressar, haverá novos workshops preparados. Muito provavelmente os mesmos. Porque a equidade também é palavra frequente nas campanhas e discursos. Há que cumprir com o prometido.
Entretanto, para quem não participou no êxodo sazonal e ficou por cá, além de manter o lugar na fila para tirar ticket habilitador a melanoma, porque rodeado de ingleses genuínos e franceses falsos na praia, ou a comer pó, beber minis e a levar cornadas no campo, o sol é o mesmo, a festarola riachense meteu um visto nos quadradinhos todos.
Num golpe de brilhantismo, o presidente da Câmara achincalhou duramente quem teve a ousadia de criticar o evento, de onde resultaram 4 feridos. Pagar bilhete para servir de objecto de diversão de um touro bravo, num evento apoiado financeiramente e institucionalmente pela Câmara, é incriticável, na opinião dele.
Não satisfeito com este brilhantismo, decidiu incrementar lúmenes e ofuscar tudo e todos com a proposta de submeter a Festa da Bênção do Gado de Riachos à UNESCO como património imaterial da humanidade. Até à presente data, nunca nenhum país submeteu à UNESCO um evento onde estivesse incluído uma componente tauromáquica. A acontecer, esta será a primeira vez. De notar: nem Espanha, nem México, nem... NINGUÉM, teve a ousadia de submeter algo do género à UNESCO. Tinha de ser um cromo torrejano. Incrível.
Apesar de a UNESCO não ter uma posição definida em relação ao tema, grandemente porque nunca foram confrontados com tal coisa, a rejeição de todos os argumentos da causa animal, pactuar com a barbárie, ocupar a cadeira de pária num espectáculo/diversão que, à sua frente, enviou quatro seres humanos, um em risco de vida, para o hospital, é considerado boa ideia.
Percebem agora ao que me referia no início? Aquela injecção de adrenalina quando ao abrir a saqueta sai de lá um cromo raríssimo que completa a colecção? Tah dah!
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |