CHEGA, UMA DAS CABEÇAS DA HIDRA - josé alves pereira
Opinião
» 2025-09-20
» José Alves Pereira
Para o Chega, os problemas com que se debatem a sociedade e os portugueses só interessam na medida em que podem ser utilizados para produzir ruído de contornos populistas, explorando os ressentimentos e desconfianças, dando corda ao escarcéu mediático.
O facto de ter um grupo parlamentar, obtido através do voto popular, não o limpa de possuir na ourela a marca de ser uma organização politicamente mafiosa, atentatória da higiene pública e da decência democrática. Erigindo em slogan “Limpar Portugal”, bem se pode dizer que poderiam começar pela própria casa.
Denunciar a corrupção quando dentro de portas ela campeia, dizendo num dia e desdizendo no seguinte, vociferando a esmo numa berraria de quem parece combater algo importante, fazendo da arruaça, manipulação e mentira o seu modus vivendi.
Esbracejando para parecer que os poderosos não gostam deles, é no seu regaço que encontram o aconchego e o apoio financeiro e mediático que escondem.
Desde o grupo do Observador, ninho encubador do reaccionarismo intelectualizado, até aos canais televisivos sedentos de fait divers que lhe aumentem as audiências não olhando a meios para dar palco ao gauleiter, afirmando-se de anti-sistema mas sendo dele e para ele que trabalha. Em 2025, até ao final de julho, Ventura foi entrevistado, em exclusivo, 52 vezes nos vários canais de TV. No dia 19 de Agosto entrevista e comentários de 2 horas e 10 minutos no NOW; ainda no dia 28, na SIC Notícias foram 42 minutos; em 9 Setembro na CNN mais 50 minutos. E todos os dias sob qualquer pretexto as TVs amigas lhe concedem tempo de antena. Os registos de Agosto e Setembro foram ocasionais. É obra! Na guerra das audiências, as TVs quando precisam de um número circense, convocam o Ventura para largar umas intrujices e dar umas piruetas verbais.
O Chega explora medos, ressentimentos e frustrações sociais de sectores que devido às políticas de direita, com múltiplos enlaces e responsáveis, não vêem os seus problemas resolvidos; em contrapartida, silencia-se e dá cobertura às manobras dos predadores da riqueza produzida pelos trabalhadores portugueses e também pelos imigrantes, que os cheguistas perseguem.
O Chega nada tem para apresentar de substantivo para obstar a essas políticas. Racismo, xenofobia, ódio antidemocrático contra sectores socialmente mais débeis ou marginalizados. Não nos iludamos. O Chega é a guarda avançada da tropa fandanga dos poderes políticos, económicos, financeiros, ideológicos e mediáticos que pretendem rever a história, fazendo-nos retroceder aos negros tempos de má memória, num ajuste de contas com os segmentos sociais que se revêem no 25 de Abril de 1974.
Com uma simulada ingenuidade interrogava-se um conhecido comentador: “O que quer o Chega?” Independentemente dos resultados imediatos, a vozearia radicalizada empurra o discurso para os limites da irracionalidade, aprofundando a erosão social, descentrando o cerne dos problemas com que os cidadão se debatem. Este comportamento serve os sectores da direita para representarem o papel de responsáveis e moderados. A cedência política e ideológica de franjas da direita tradicional, caso do PSD e do CDS, com adaptação ao discurso do Chega, prenuncia não uma resistência à deriva reaccionária, mas uma capitulação a essa deriva. Se nalguns casos essa acção parece a contragosto, noutros é evidente um comprazimento pelo alinhamento. Outro elemento negativo reporta a elementos do PS que por ambições pessoais estão a engrossar as hostes cheguistas em listas eleitorais.
O Chega é a cabeça mais visível da hidra filofascista albergando no seu seio arrivistas políticos e sociais desavindos com os seus partidos.
São múltiplos os sinais que se vão manifestando sob diversos disfarces, de forma clara ou subliminar. Isso é perceptível nas declarações de alguns juízes com assento no TC para quem os votos de não apoio, de outros juízes, a uma medida governamental só pode ter motivações ideológicas. Motivações que, evidentemente, são apenas dos outros. O fascismo de antes de Abril também tinha os seus juízes e os seus julgadores não ideológicos. A forma como os argumentos de alguns sectores responsáveis vão escorregando para a lengalenga do Chega é preocupante.
Ventura é um farsolas habilidoso, tresandando ao fedor fascistóide, fabricante de rábulas, manipulador contumaz, intriguista e mentiroso, não olhando a meios para atingir os fins, desprezando as mais elementares regras de convivência cívica. A Assembleia da República assistiu há dias ao espectáculo grotesco, pela iniciativa dos cheguistas, de uma votação em rebanho daqueles parlamentares em apoio a uma declarada aldrabice do Ventura.
Mais cedo que tarde, muitos dos seus seguidores, sejam eleitores ou simples apoiantes de algumas das suas posições populistas, vão perceber o quanto de perigoso encerra este conto do vigário político que é o Chega.
Ventura é um trumpezinho em versão caseira, comandando uma hoste de gente destituída de moral e carácter democrático. O Chega é o ovo onde incuba o embrião da serpente fascista.
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CHEGA, UMA DAS CABEÇAS DA HIDRA - josé alves pereira
Opinião
» 2025-09-20
» José Alves Pereira
Para o Chega, os problemas com que se debatem a sociedade e os portugueses só interessam na medida em que podem ser utilizados para produzir ruído de contornos populistas, explorando os ressentimentos e desconfianças, dando corda ao escarcéu mediático.
O facto de ter um grupo parlamentar, obtido através do voto popular, não o limpa de possuir na ourela a marca de ser uma organização politicamente mafiosa, atentatória da higiene pública e da decência democrática. Erigindo em slogan “Limpar Portugal”, bem se pode dizer que poderiam começar pela própria casa.
Denunciar a corrupção quando dentro de portas ela campeia, dizendo num dia e desdizendo no seguinte, vociferando a esmo numa berraria de quem parece combater algo importante, fazendo da arruaça, manipulação e mentira o seu modus vivendi.
Esbracejando para parecer que os poderosos não gostam deles, é no seu regaço que encontram o aconchego e o apoio financeiro e mediático que escondem.
Desde o grupo do Observador, ninho encubador do reaccionarismo intelectualizado, até aos canais televisivos sedentos de fait divers que lhe aumentem as audiências não olhando a meios para dar palco ao gauleiter, afirmando-se de anti-sistema mas sendo dele e para ele que trabalha. Em 2025, até ao final de julho, Ventura foi entrevistado, em exclusivo, 52 vezes nos vários canais de TV. No dia 19 de Agosto entrevista e comentários de 2 horas e 10 minutos no NOW; ainda no dia 28, na SIC Notícias foram 42 minutos; em 9 Setembro na CNN mais 50 minutos. E todos os dias sob qualquer pretexto as TVs amigas lhe concedem tempo de antena. Os registos de Agosto e Setembro foram ocasionais. É obra! Na guerra das audiências, as TVs quando precisam de um número circense, convocam o Ventura para largar umas intrujices e dar umas piruetas verbais.
O Chega explora medos, ressentimentos e frustrações sociais de sectores que devido às políticas de direita, com múltiplos enlaces e responsáveis, não vêem os seus problemas resolvidos; em contrapartida, silencia-se e dá cobertura às manobras dos predadores da riqueza produzida pelos trabalhadores portugueses e também pelos imigrantes, que os cheguistas perseguem.
O Chega nada tem para apresentar de substantivo para obstar a essas políticas. Racismo, xenofobia, ódio antidemocrático contra sectores socialmente mais débeis ou marginalizados. Não nos iludamos. O Chega é a guarda avançada da tropa fandanga dos poderes políticos, económicos, financeiros, ideológicos e mediáticos que pretendem rever a história, fazendo-nos retroceder aos negros tempos de má memória, num ajuste de contas com os segmentos sociais que se revêem no 25 de Abril de 1974.
Com uma simulada ingenuidade interrogava-se um conhecido comentador: “O que quer o Chega?” Independentemente dos resultados imediatos, a vozearia radicalizada empurra o discurso para os limites da irracionalidade, aprofundando a erosão social, descentrando o cerne dos problemas com que os cidadão se debatem. Este comportamento serve os sectores da direita para representarem o papel de responsáveis e moderados. A cedência política e ideológica de franjas da direita tradicional, caso do PSD e do CDS, com adaptação ao discurso do Chega, prenuncia não uma resistência à deriva reaccionária, mas uma capitulação a essa deriva. Se nalguns casos essa acção parece a contragosto, noutros é evidente um comprazimento pelo alinhamento. Outro elemento negativo reporta a elementos do PS que por ambições pessoais estão a engrossar as hostes cheguistas em listas eleitorais.
O Chega é a cabeça mais visível da hidra filofascista albergando no seu seio arrivistas políticos e sociais desavindos com os seus partidos.
São múltiplos os sinais que se vão manifestando sob diversos disfarces, de forma clara ou subliminar. Isso é perceptível nas declarações de alguns juízes com assento no TC para quem os votos de não apoio, de outros juízes, a uma medida governamental só pode ter motivações ideológicas. Motivações que, evidentemente, são apenas dos outros. O fascismo de antes de Abril também tinha os seus juízes e os seus julgadores não ideológicos. A forma como os argumentos de alguns sectores responsáveis vão escorregando para a lengalenga do Chega é preocupante.
Ventura é um farsolas habilidoso, tresandando ao fedor fascistóide, fabricante de rábulas, manipulador contumaz, intriguista e mentiroso, não olhando a meios para atingir os fins, desprezando as mais elementares regras de convivência cívica. A Assembleia da República assistiu há dias ao espectáculo grotesco, pela iniciativa dos cheguistas, de uma votação em rebanho daqueles parlamentares em apoio a uma declarada aldrabice do Ventura.
Mais cedo que tarde, muitos dos seus seguidores, sejam eleitores ou simples apoiantes de algumas das suas posições populistas, vão perceber o quanto de perigoso encerra este conto do vigário político que é o Chega.
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