• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Sábado, 20 de Janeiro de 2018
Pesquisar...
Ter.
 17° / 6°
Períodos nublados
Seg.
 17° / 9°
Períodos nublados
Dom.
 17° / 10°
Céu nublado
Torres Novas
Hoje  16° / 7°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Será que não damos mais que isto?

Opinião  »  2017-01-05  »  João Carlos Lopes

"Não há um plano, um desenho, um esboço, que reconfigure o que foi traçado há 40 ou há 20 anos"

Nos idos da década de oitenta do século passado, muito do que se debateu sobre Torres Novas teve lugar na velha galeria Maria Lamas. Por ali passaram arquitectos, urbanistas e ambientalistas, gente como Gonçalo Ribeiro Teles ou Carlos Pimenta marcaram presença em activas discussões sobre o futuro de Torres Novas. Ontem, como hoje, se falava na necessidade de integrar a memória no que se planeia e na urgência de planear com coerência e abandonar os tempos da navegação à vista e da gestão reactiva do território.

Nessa altura, eram tempos românticos, autarcas como Casimiro Gomes Pereira e depois Arnaldo Santos participavam frequentemente nessas tertúlias da Associação do Património, sem medo de serem contaminados por “esquerdismos” ou outras alergias. Notava-se que gostavam de aprender, de enriquecer as suas perspectivas das coisas, tinham a intuição de que todos ganhamos quando todos sabemos mais e aprendemos uns com os outros, mesmo quando em campos de opinião opostos
Foi um privilégio termos tido agora, nesta acção da ADP,  o "encontro do solstício" do passado mês de  Dezembro, gente como Paulo Durão ou o reconhecido antropólogo da Universidade do Minho Luís Cunha, mas sobretudo Luís Vassalo Rosa, um homem com fortes ligações familiares a Torres Novas e que conhece, como ninguém, a história do planeamento urbanístico de Torres Novas nos últimos 50 anos, até pelo papel interveniente que desempenhou em algumas opções que se foram colocando enquanto, como arquitecto e urbanista, colaborou directamente com o município.
Ainda recentemente, noutras circunstâncias, deu mostras do carinho que continua a devotar esta terra, a respeito da coordenação entre a família e a autarquia, da grande exposição de pintura do seu familiar José Vassalo.
Voltando ao debate da ADP, ele foi fértil como não podia deixar de ser, com Vassalo Rosa a balizar os limites cidade e as suas quatro portas (uma bela metáfora sobre o que queremos fazer desta terra, mais do que tudo) ou Jorge Salgado Simões a desenhar, com o rigor sistemático do geógrafo, as três cidades que cabem num torrão com quase nove séculos: a cidade sem rumo, a cidade dos vazios e a cidade que falta fazer.
Não há um plano, um desenho, um esboço, que reconfigure o que foi traçado há 40 ou há 20 anos: faz-se aleatoriamente a ampliação de uma quartel de bombeiros encafuado entre prédios e um teatro, que já se admite que só dá para 20 anos; fala-se em piscinas e parques urbanos aqui, depois aquaparques ali, como quem fala de instalar quiosques, tudo avulso, por impulso. Há depois o deserto repartido pela cidade, vazios em processos de vegetalização que vão durar décadas: a imensa cratera da fiação de algodão, na Bica, a própria fábrica antiga, espaços como o da antiga Nery ou dos Claras e o próprio “centro histórico”, que não passa de uma construção mental dos torrejanos. Que fazer?
É preciso pensar nisto tudo e ousar admitir a complexidade como abordagem: o espaço, a demografia, o património, o rio, as vivências e as sociabilidades, a economia local, os equipamentos e as estruturas, a real e não a imaginada capacidade e potencial das instituições locais como agentes do “desenvolvimento” e da coesão da cidade, estratégias de requalificação da cidade em construção (Silvã, Chãs, Arrábida) e não apenas da sua zona fóssil, o chamado centro histórico, como lidar com facto de, dentro de 15 ou 20 anos, muitas das nossas aldeias estarem praticamente desabitadas, se temos ou não massa crítica e ainda alguma capacidade de a fixar, enfim: um caminho. Um carreiro que nos conduza os passos.
Entre as exigências da construção de um pensamento para a cidade e o concelho e a governação assente no “selfie” em tudo quanto é festarola e patuscada, ou a mimetização, à escala paroquial, dessa grande feira da ladra tecnológica chamada web summit, tida como salvação da economia e de um futuro concreto para a vida das pessoas e de uma cidade, vai uma grande distância. É um facto. Mas até isso seria bom discutir: será que, assunto arrumado, não damos mais que isto?

 

 

 Outras notícias - Opinião


Passos Coelho »  2018-01-18  »  Jorge Carreira Maia

Agora que Rui Rio tomou conta do PSD, falemos de quem sai. Passos Coelho recebeu o país das mãos de Sócrates numa situação terrível e com um programa de resgate de dureza desnecessária imposto pela troika.
(ler mais...)


Por este rio »  2018-01-18  »  João Carlos Lopes

O Rio Tejo (o vale do Tejo, a linha do Tejo, o território adjacente, o percurso português do Tejo) é porventura o recurso natural e o pedaço de território nacional potencialmente mais rico que temos, dada a diversidade dos seus elementos constitutivos: paisagísticos, pedológicos, agrários e agrícolas, hidrográficos, etnográficos, etc.
(ler mais...)


Geringonça festiva »  2018-01-17  »  Miguel Sentieiro

A indignação invadiu as hostes mais puritanas deste país ao saber-se o ministro das finanças, Mário Centeno, pediu uma borla de bilhetes para o cássico Benfica/Porto na época passada. Quando questões éticas se levantam nesta associação “bola à borla” estimulando acesas discussões repudiando esse pedido especial, sinto que tenho obrigação de prestar solidariedade para o nosso pobre, quase pobrezinho, Mário.
(ler mais...)


V de Vingança »  2018-01-17  »  José Ricardo Costa

Como não entra nas contas um livro de Pablo Neruda que me ofereceram no Natal ainda eu mal sabia ler, o meu verdadeiro baptismo poético foi com um livro de António Ramos Rosa que comprei numa feira do livro do Cine-Clube de Torres Novas.
(ler mais...)


Patos bravos »  2018-01-17  »  Denis Hickel

Os recentes processos movidos contra ambientalistas por denunciar a poluição no Rio Tejo, Ribeira da Boa Água, Almonda, entre outros, inauguram um teatro do absurdo. Temos diante de nós empresas que sabemos serem claramente poluidoras, porém protegidas por arcabouços jurídicos e contratuais e tão poderosas nas suas redes de relações que, ao invés de tomarem a iniciativa de limpar a sua imagem, não negam o estatuto e preferem manter os negócios sujos pela força da intimidação.
(ler mais...)


Como reforçar o nosso sistema imunitário »  2018-01-17  »  Juvenal Silva

O nosso sistema imunitário protege-nos a cada instante contra batalhões de vírus, bactérias, fungos e outros parasitas. Uma debilidade de saúde ou fraqueza do sistema imunitário, é uma doença que se estabelece e se instala no nosso organismo.
(ler mais...)


O menos pior?... »  2018-01-12  »  Hélder Dias

Era uma vez o alho, o remédio para quase tudo »  2018-01-05  »  Juvenal Silva

A utilização do alho remonta à própria existência da humanidade. Três mil anos a.C. já era utilizado pelos Sumérios para prevenir epidemias e tratar parasitoses e, em documentos históricos como o papiro de Ébers (1700a.
(ler mais...)


Against the weed... »  2018-01-05  »  Hélder Dias

Tabacaria Central »  2018-01-04  »  José Ricardo Costa

Ser criança será sempre ser criança e é perante um chocolate ou um brinquedo que se vê. Uma coisa como o 1.º andar da Tabacaria Central numa pequena vila dos anos 60 como era Torres Novas, só não era uma utopia porque as utopias não existem e aquele 1ºandar era tão real como o castelo mais acima.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-01-12  »  Hélder Dias O menos pior?...
»  2018-01-18  »  Jorge Carreira Maia Passos Coelho
»  2018-01-18  »  João Carlos Lopes Por este rio