• SOCIEDADE  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Domingo, 28 de Maio de 2017
Pesquisar...
Qua.
 33° / 14°
Claro
Ter.
 27° / 12°
Claro
Seg.
 26° / 13°
Períodos nublados com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  28° / 14°
Períodos nublados com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Será que não damos mais que isto?

Opinião  »  2017-01-05  »  João Carlos Lopes

"Não há um plano, um desenho, um esboço, que reconfigure o que foi traçado há 40 ou há 20 anos"

Nos idos da década de oitenta do século passado, muito do que se debateu sobre Torres Novas teve lugar na velha galeria Maria Lamas. Por ali passaram arquitectos, urbanistas e ambientalistas, gente como Gonçalo Ribeiro Teles ou Carlos Pimenta marcaram presença em activas discussões sobre o futuro de Torres Novas. Ontem, como hoje, se falava na necessidade de integrar a memória no que se planeia e na urgência de planear com coerência e abandonar os tempos da navegação à vista e da gestão reactiva do território.

Nessa altura, eram tempos românticos, autarcas como Casimiro Gomes Pereira e depois Arnaldo Santos participavam frequentemente nessas tertúlias da Associação do Património, sem medo de serem contaminados por “esquerdismos” ou outras alergias. Notava-se que gostavam de aprender, de enriquecer as suas perspectivas das coisas, tinham a intuição de que todos ganhamos quando todos sabemos mais e aprendemos uns com os outros, mesmo quando em campos de opinião opostos
Foi um privilégio termos tido agora, nesta acção da ADP,  o "encontro do solstício" do passado mês de  Dezembro, gente como Paulo Durão ou o reconhecido antropólogo da Universidade do Minho Luís Cunha, mas sobretudo Luís Vassalo Rosa, um homem com fortes ligações familiares a Torres Novas e que conhece, como ninguém, a história do planeamento urbanístico de Torres Novas nos últimos 50 anos, até pelo papel interveniente que desempenhou em algumas opções que se foram colocando enquanto, como arquitecto e urbanista, colaborou directamente com o município.
Ainda recentemente, noutras circunstâncias, deu mostras do carinho que continua a devotar esta terra, a respeito da coordenação entre a família e a autarquia, da grande exposição de pintura do seu familiar José Vassalo.
Voltando ao debate da ADP, ele foi fértil como não podia deixar de ser, com Vassalo Rosa a balizar os limites cidade e as suas quatro portas (uma bela metáfora sobre o que queremos fazer desta terra, mais do que tudo) ou Jorge Salgado Simões a desenhar, com o rigor sistemático do geógrafo, as três cidades que cabem num torrão com quase nove séculos: a cidade sem rumo, a cidade dos vazios e a cidade que falta fazer.
Não há um plano, um desenho, um esboço, que reconfigure o que foi traçado há 40 ou há 20 anos: faz-se aleatoriamente a ampliação de uma quartel de bombeiros encafuado entre prédios e um teatro, que já se admite que só dá para 20 anos; fala-se em piscinas e parques urbanos aqui, depois aquaparques ali, como quem fala de instalar quiosques, tudo avulso, por impulso. Há depois o deserto repartido pela cidade, vazios em processos de vegetalização que vão durar décadas: a imensa cratera da fiação de algodão, na Bica, a própria fábrica antiga, espaços como o da antiga Nery ou dos Claras e o próprio “centro histórico”, que não passa de uma construção mental dos torrejanos. Que fazer?
É preciso pensar nisto tudo e ousar admitir a complexidade como abordagem: o espaço, a demografia, o património, o rio, as vivências e as sociabilidades, a economia local, os equipamentos e as estruturas, a real e não a imaginada capacidade e potencial das instituições locais como agentes do “desenvolvimento” e da coesão da cidade, estratégias de requalificação da cidade em construção (Silvã, Chãs, Arrábida) e não apenas da sua zona fóssil, o chamado centro histórico, como lidar com facto de, dentro de 15 ou 20 anos, muitas das nossas aldeias estarem praticamente desabitadas, se temos ou não massa crítica e ainda alguma capacidade de a fixar, enfim: um caminho. Um carreiro que nos conduza os passos.
Entre as exigências da construção de um pensamento para a cidade e o concelho e a governação assente no “selfie” em tudo quanto é festarola e patuscada, ou a mimetização, à escala paroquial, dessa grande feira da ladra tecnológica chamada web summit, tida como salvação da economia e de um futuro concreto para a vida das pessoas e de uma cidade, vai uma grande distância. É um facto. Mas até isso seria bom discutir: será que, assunto arrumado, não damos mais que isto?

 

 

 Outras notícias - Opinião


O véu ideológico »  2017-05-18  »  Jorge Carreira Maia

A reivindicação pelo PSD e CDS do mérito pelo actual desempenho da economia portuguesa é não apenas uma jogada de oportunismo político mas, o que é pior, um sinal de que a direita ainda vive sob o véu ideológico que a conduziu nos anos da troika.
(ler mais...)


O poder e a vontade de poder »  2017-05-05  »  Jorge Carreira Maia

Um artigo do jornal Público dava conta de um estudo da psicóloga experimental portuguesa Ana Guinote (University College de Londres) sobre o poder. Uma das evidências da investigação é que a correlação entre inteligência e ocupação de lugares de poder é fraca.
(ler mais...)


PEDU, novo episódio »  2017-05-04  »  António Gomes

Há dias fomos confrontados com a colocação de placards a anunciar obras em vários locais da cidade, todas por conta do PEDU. A curiosidade é que esses placards agradecem o contributo da população relativamente aos projetos apresentados.
(ler mais...)


Compreender e prevenir as alergias »  2017-05-04  »  Juvenal Silva

As alergias são reações anormais do nosso sistema imunitário a substâncias proteicas estranhas ao organismo.
Qualquer substância estranha de natureza proteica é normalmente identificada pelo nosso sistema de defesa e, a partir desse momento, controlada na maioria das vezes.
(ler mais...)


Marcelo, Marcelo »  2017-04-20  »  Jorge Carreira Maia

A imagem das pessoas e o desejo que delas sentimos são regulados pelos mesmos mecanismos que regem os mercados onde se transaccionam os bens de consumo. Sempre que um produto é escasso o preço sobe.
(ler mais...)


O clube dos escritores traídos »  2017-04-06  »  Jorge Carreira Maia

Há umas semanas noticiou-se que a editora de Agustina Bessa-Luís mandara retirar do mercado os livros desta autora. Parece que já não vendia o suficiente. Há claramente um conflito negocial, digamos assim, entre a editora e representantes da escritora.
(ler mais...)


Primavera - época de limpeza e renovação »  2017-04-05  »  Juvenal Silva

É principalmente na Primavera que se manifestam insuficiências orgânicas e alguns tipos de enfermidades, caraterizadas por cansaço e diversos tipos de toxicidade, a que normalmente chamamos impurezas no sangue.
As curas de depuração na Primavera são importantes e necessárias para reativar o metabolismo, normalizá-lo e estimulá-lo, condição para a sua força vital.
(ler mais...)


Inspiring future »  2017-03-23  »  Jorge Carreira Maia

Assisti há dias, na escola onde lecciono, a uma intervenção da Yorn Inspiring Future que, para além de trazer consigo um conjunto de sessões e workshops, onde 37 universidades e politécnicos tentaram cativar os alunos do 12º ano, explicou, numa sessão de pouco mais de uma hora, o processo de candidatura.
(ler mais...)


Aaaaaaaargh! »  2017-03-21  »  Hélder Dias

Breve reflexão sobre a origem das doenças »  2017-03-21  »  Juvenal Silva

O que origina a doença?
O organismo degrada-se, fundamentalmente, por dois motivos, pela intoxicação e pela falta de nutrientes para se constituir e renovar.
As substâncias nutritivas contidas nos alimentos servem para a elaboração das células e dos líquidos orgânicos; além disso, o nosso corpo funciona graças a elas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2017-05-18  »  Jorge Carreira Maia O véu ideológico