Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
Opinião
» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
Há dias, deparei-me com um vídeo em espanhol sobre uma mudança irrevogável do Ocidente gerada por seis homens. O vídeo faz parte do conflito ideológico com o marxismo cultural. É um exemplo da linguagem que parte da direita e a extrema-direita usa na guerra cultural que desencadeou há anos. A ideia é a seguinte: o Ocidente está em profunda decadência, pois abandonou os seus valores essenciais. A causa desse abandono é o marxismo cultural. O vídeo apontava seis cavaleiros do apocalipse: Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm e Wilhelm Reich. A origem estaria na denominada primeira escola de Frankfurt. Estes seis refugiados do nazismo – eram judeus – teriam lançado as bases de tudo aquilo que é hoje wokismo, feminismo radical, libertação sexual, teoria decolonial, isto é, a decadência dos valores ocidentais.
Esta fantasia oculta um problema que partes da direita não querem enfrentar. Divinizam o capitalismo, a liberdade do mercado, a iniciativa privada, e pretendem valores conservadores, o velho papel das mulheres, a família tradicional, a vigilância da sexualidade, etc. Ora, são as revoluções industriais que destroem as comunidades, as tradições e as velhas instituições. Nem o marxismo económico nem o marxismo cultural tinham poder para desestruturar os modos de vida vindos do Antigo Regime. O capitalismo vive da destruição e da obsolescência. Vive da revolução contínua. E não destrói apenas velhos modos de produção. Destrói formas de vida, de comunidade e os valores subjacentes. Tanto o marxismo económico de Marx como o marxismo cultural são reacções ao poder destruidor do capitalismo. Querer o capitalismo, a liberdade do mercado e valores conservadores é uma contradição insanável.
Outra obscuridade neste discurso conservador está relacionada com a penetração destas ideias nos meios universitários. Ora, as revoltas estudantis dos anos sessenta, a emancipação feminina, a revolução sexual são levadas a cabo por quem? Pelos filhos família das classes altas e médias altas. Todos estes acontecimentos que horrorizam certa direita têm a origem dentro das famílias conservadoras. Querer que seis intelectuais mais ou menos obscuros traçaram um plano diabólico para destruir o Ocidente pode ser tranquilizador, mas não explica o essencial. Por que razão os filhos família se deixaram encantar pela teoria crítica, pela revolução sexual, pela emancipação da mulher, pela crítica ao colonialismo? O marxismo cultural não passa de um espantalho para ocultar o papel desestruturante e aniquilador que as famílias conservadoras e o capitalismo têm no mundo ocidental.
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Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
Opinião
» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
Há dias, deparei-me com um vídeo em espanhol sobre uma mudança irrevogável do Ocidente gerada por seis homens. O vídeo faz parte do conflito ideológico com o marxismo cultural. É um exemplo da linguagem que parte da direita e a extrema-direita usa na guerra cultural que desencadeou há anos. A ideia é a seguinte: o Ocidente está em profunda decadência, pois abandonou os seus valores essenciais. A causa desse abandono é o marxismo cultural. O vídeo apontava seis cavaleiros do apocalipse: Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm e Wilhelm Reich. A origem estaria na denominada primeira escola de Frankfurt. Estes seis refugiados do nazismo – eram judeus – teriam lançado as bases de tudo aquilo que é hoje wokismo, feminismo radical, libertação sexual, teoria decolonial, isto é, a decadência dos valores ocidentais.
Esta fantasia oculta um problema que partes da direita não querem enfrentar. Divinizam o capitalismo, a liberdade do mercado, a iniciativa privada, e pretendem valores conservadores, o velho papel das mulheres, a família tradicional, a vigilância da sexualidade, etc. Ora, são as revoluções industriais que destroem as comunidades, as tradições e as velhas instituições. Nem o marxismo económico nem o marxismo cultural tinham poder para desestruturar os modos de vida vindos do Antigo Regime. O capitalismo vive da destruição e da obsolescência. Vive da revolução contínua. E não destrói apenas velhos modos de produção. Destrói formas de vida, de comunidade e os valores subjacentes. Tanto o marxismo económico de Marx como o marxismo cultural são reacções ao poder destruidor do capitalismo. Querer o capitalismo, a liberdade do mercado e valores conservadores é uma contradição insanável.
Outra obscuridade neste discurso conservador está relacionada com a penetração destas ideias nos meios universitários. Ora, as revoltas estudantis dos anos sessenta, a emancipação feminina, a revolução sexual são levadas a cabo por quem? Pelos filhos família das classes altas e médias altas. Todos estes acontecimentos que horrorizam certa direita têm a origem dentro das famílias conservadoras. Querer que seis intelectuais mais ou menos obscuros traçaram um plano diabólico para destruir o Ocidente pode ser tranquilizador, mas não explica o essencial. Por que razão os filhos família se deixaram encantar pela teoria crítica, pela revolução sexual, pela emancipação da mulher, pela crítica ao colonialismo? O marxismo cultural não passa de um espantalho para ocultar o papel desestruturante e aniquilador que as famílias conservadoras e o capitalismo têm no mundo ocidental.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
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» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
Os nossos sonhos - joão carlos lopes |
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» 2026-08-08
» António Gomes
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades? |
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» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
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» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-08-08
» Carlos Paiva
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