Salve-se quem puder
Opinião
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". O que não evoluiu, é a total inacção após o reconhecimento do problema. Admite-se que existe, mas fica tudo na mesma, não se dá continuidade ao assunto, não se despoleta processo operacional para a resolução. Por incrível que pareça, a destruição provocada pela tempestade Kristin, ainda tem vários pendentes à espera de resolução, passado oito meses. As intervenções cosméticas na manutenção são mesmo só e apenas isso, cosmética, o desleixo e incúria prevalece nos espaços públicos. A opacidade nas decisões de governação tornou-se impenetrável. Sem maioria absoluta que permita o quero posso e mando de épocas passadas, opta-se por fechar portas e janelas, e cochicha-se o futuro em segredo. A comunicação com o público, o cidadão, continua a ser feita nas redes sociais e em publicações externas ao concelho, apesar da autarquia estar plenamente fornecida de recursos especializados. A presença online de várias instituições torrejanas continua incompreensivelmente desleixada. Os animais errantes, continuam a multiplicar-se, ora entregues à sua sorte, ora apoiados por particulares e associações sem fins lucrativos, claramente esmagados pela falta de apoio financeiro, logístico, humano. Os agentes económicos presentes, na sua esmagadora maioria proporcionam posições de salário mínimo, para indiferenciados, levando as camadas jovens que são forçadas a prosseguir os estudos noutras localidades, a não regressar quando os tiverem concluído. Mesmo sem o almejado canudo, os argumentos para um eventual regresso são ténues. Asfixiar o comércio tradicional e favorecer descaradamente as catedrais franchisadas do consumo massificado, tem sido a linha guia.
Cada vez mais a percepção de um conjunto de pessoas de costas voltadas umas para outras, concentrados exclusivamente no seu umbigo, que, por coincidência, ou infortúnio, habitam a mesma localização geográfica, formando tudo menos uma comunidade, é facilmente legível mesmo por um visitante pouco perspicaz.
Cabe à sociologia e antropologia oferecer explicações para esta realidade. Embora o tal fulano pouco perspicaz possa racionalizar uma ausência de cultura, um estímulo vincadamente inclinado para o oportunismo, um aproveitamento da minoria mais esclarecida sobre a maioria mais rústica envenena as relações sociais com um vassalismo feudal. Mas por 10,5k compra-se uma imagem pública mais conveniente. Viva-se de ilusões caridosas, para não chocar sensibilidades narcisistas. Salve-se quem puder.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Salve-se quem puder
Opinião
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". O que não evoluiu, é a total inacção após o reconhecimento do problema. Admite-se que existe, mas fica tudo na mesma, não se dá continuidade ao assunto, não se despoleta processo operacional para a resolução. Por incrível que pareça, a destruição provocada pela tempestade Kristin, ainda tem vários pendentes à espera de resolução, passado oito meses. As intervenções cosméticas na manutenção são mesmo só e apenas isso, cosmética, o desleixo e incúria prevalece nos espaços públicos. A opacidade nas decisões de governação tornou-se impenetrável. Sem maioria absoluta que permita o quero posso e mando de épocas passadas, opta-se por fechar portas e janelas, e cochicha-se o futuro em segredo. A comunicação com o público, o cidadão, continua a ser feita nas redes sociais e em publicações externas ao concelho, apesar da autarquia estar plenamente fornecida de recursos especializados. A presença online de várias instituições torrejanas continua incompreensivelmente desleixada. Os animais errantes, continuam a multiplicar-se, ora entregues à sua sorte, ora apoiados por particulares e associações sem fins lucrativos, claramente esmagados pela falta de apoio financeiro, logístico, humano. Os agentes económicos presentes, na sua esmagadora maioria proporcionam posições de salário mínimo, para indiferenciados, levando as camadas jovens que são forçadas a prosseguir os estudos noutras localidades, a não regressar quando os tiverem concluído. Mesmo sem o almejado canudo, os argumentos para um eventual regresso são ténues. Asfixiar o comércio tradicional e favorecer descaradamente as catedrais franchisadas do consumo massificado, tem sido a linha guia.
Cada vez mais a percepção de um conjunto de pessoas de costas voltadas umas para outras, concentrados exclusivamente no seu umbigo, que, por coincidência, ou infortúnio, habitam a mesma localização geográfica, formando tudo menos uma comunidade, é facilmente legível mesmo por um visitante pouco perspicaz.
Cabe à sociologia e antropologia oferecer explicações para esta realidade. Embora o tal fulano pouco perspicaz possa racionalizar uma ausência de cultura, um estímulo vincadamente inclinado para o oportunismo, um aproveitamento da minoria mais esclarecida sobre a maioria mais rústica envenena as relações sociais com um vassalismo feudal. Mas por 10,5k compra-se uma imagem pública mais conveniente. Viva-se de ilusões caridosas, para não chocar sensibilidades narcisistas. Salve-se quem puder.
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
» 2026-10-05
Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
“Forja a língua numa bigorna livre de mentiras”, Píndaro Causou algum burburinho uma espécie de workshop organizado recentemente por um conhecido infuencer antivacinas em Santarém. Dum lado, os adversários da iniciativa e críticos da passividade da autarquia, coproprietária das instalações onde teve lugar a tal sessão; do outro, os que acham que não se pode tolher a liberdade de opinião e que é contraproducente dar palco a um movimento sem expressão, onde se prega para pequena comunidade fechada de convertidos. |
Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
» 2026-10-05
» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
» 2026-10-05
Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista. |
O Princípio da Realidade
» 2026-09-19
» José Ricardo Costa
Na anterior edição do JT, não pude deixar de notar com júbilo a notícia sobre a formação de um núcleo intermunicipal Entroncamento-Torres Novas, do partido Livre. Declaração de desinteresse: não tenho partido e, para o caso, é irrelevante o partido em questão. |
Educação, PISA e cultura escolar
» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. |
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» 2026-10-05
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem! |
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» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
Educação, PISA e cultura escolar |
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» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia |
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» 2026-09-19
» António Gomes
Biometano versus solar e eólico |
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» 2026-09-19
» António Mário Santos
A liberdade de informação e o poder político |