Terás tu, para quem te ama; Paz, Amor, Verdade?
Opinião
» 2016-06-03
» Ricardo Jorge Rodrigues
"Eu gosto de ter uma postura discreta, daí aceitar pacatamente os conselhos. Até que percebi uma coisa: a pior censura é a autocensura."
Escrevo estas linhas ouvindo na minha cabeça as vozes das inúmeras pessoas que me vão dizendo: “não escrevas sobre política, acontece-te como a espanhola, não te metas nisso”. A espanhola,
resumidamente, enfrentou as forças governativas e foi convidada a sair de Moçambique. Não sei grandes contornos do caso, por isso não posso fazer julgamentos.
Mas o facto de o medo de escrever assombrar tantas essoas é significativo. Eu gosto de ter uma postura discreta, daí aceitar pacatamente os conselhos. Até que percebi uma coisa: a pior censura é a autocensura. E eu odeio censura. Então escreverei do que me importa escrever, sem que com isso faça julgamentos. Se o preço a pagar será ser expulso de Moçambique?
Penso que não sou assim tão importante, mas se tiver de ser, saio com a consciência limpa. O momento político em Moçambique é algo sinistro. Quem contemporizou com os tempos da Guerra Fria poderia sentir aqui algumas semelhanças. Bem sei que o que as televisões transportaram da visita presidencial do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa foi um país alegre que dança a marrabenta em cada esquina e tem as suas crianças a estudar em colégios de primeira categoria.
Mas essa não é a realidade em Moçambique. Sinto, sente-se no ar, um clima de guerra silenciosa.Tenho em mim a sensação de que um passo em falso e a bomba pode rebentar, de vez. O significativo aumento da dívida pública revelado através de negócios pouco claros da empresa pública “Ematum”, os vários empréstimos que o antigo governo moçambicano escondeu
do FMI e que levou a que a entidade cortasse o financiamento ao país e a que países europeus (como a Dinamarca, França e o Reino-Unido) se assustassem e fechassem a torneira que alimenta o orçamento de Estado de Moçambique, ou as sucessivas descobertas de valas comuns no norte do país, fazem soar os alarmes.
Estes problemas económicos fazem desvalorizar o metical perante o euro e o dólar e, consequentemente, aumentar o preço dos bens mais básicos. Isso faz pairar no ar a assombração de mais violência. Nas últimas semanas, correram nas redes sociais convocações para manifestações populares que não se concretizaram. Por agora. Mas a agitação foi notória: na rua eram constantes as patrulhas da polícia militar em carros blindados e tornou-se habitual conviver com carros da polícia a passar com as sirenes ligadas “para impor respeito”, dizem. As últimas grandes manifestações em 2010, por causa do aumento do preço do pão, fizeram 10 mortes no primeiro dia.
O povo moçambicano é cordial. É doce, pacífico e merece mais do que sobreviver. Há dias, em conversa com um senhor moçambicano na casa dos seus cinquenta anos, ele confessava-me: “Estamos cansados de guerra. Já brigámos muito tempo. Só queremos paz”. Foram 10 anos de guerra pela independência e mais 16 anos de guerra civil. Sim, é demasiado tempo. Este povo não merece isso.
Este povo merece paz, amor e verdade. Mas “terás tu, para quem te ama / paz, amor, verdade?”. São esses dois versos do poema Moçambique, de Fátima Negrão, que escolhi para título desta crónica. Porque resumindo anos de guerra, pede um destino feliz e merecido para este povo. Sim Moçambique: mereces paz, amor e verdade. Mereces ser feliz.
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Terás tu, para quem te ama; Paz, Amor, Verdade?
Opinião
» 2016-06-03
» Ricardo Jorge Rodrigues
Eu gosto de ter uma postura discreta, daí aceitar pacatamente os conselhos. Até que percebi uma coisa: a pior censura é a autocensura.
Escrevo estas linhas ouvindo na minha cabeça as vozes das inúmeras pessoas que me vão dizendo: “não escrevas sobre política, acontece-te como a espanhola, não te metas nisso”. A espanhola,
resumidamente, enfrentou as forças governativas e foi convidada a sair de Moçambique. Não sei grandes contornos do caso, por isso não posso fazer julgamentos.
Mas o facto de o medo de escrever assombrar tantas essoas é significativo. Eu gosto de ter uma postura discreta, daí aceitar pacatamente os conselhos. Até que percebi uma coisa: a pior censura é a autocensura. E eu odeio censura. Então escreverei do que me importa escrever, sem que com isso faça julgamentos. Se o preço a pagar será ser expulso de Moçambique?
Penso que não sou assim tão importante, mas se tiver de ser, saio com a consciência limpa. O momento político em Moçambique é algo sinistro. Quem contemporizou com os tempos da Guerra Fria poderia sentir aqui algumas semelhanças. Bem sei que o que as televisões transportaram da visita presidencial do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa foi um país alegre que dança a marrabenta em cada esquina e tem as suas crianças a estudar em colégios de primeira categoria.
Mas essa não é a realidade em Moçambique. Sinto, sente-se no ar, um clima de guerra silenciosa.Tenho em mim a sensação de que um passo em falso e a bomba pode rebentar, de vez. O significativo aumento da dívida pública revelado através de negócios pouco claros da empresa pública “Ematum”, os vários empréstimos que o antigo governo moçambicano escondeu
do FMI e que levou a que a entidade cortasse o financiamento ao país e a que países europeus (como a Dinamarca, França e o Reino-Unido) se assustassem e fechassem a torneira que alimenta o orçamento de Estado de Moçambique, ou as sucessivas descobertas de valas comuns no norte do país, fazem soar os alarmes.
Estes problemas económicos fazem desvalorizar o metical perante o euro e o dólar e, consequentemente, aumentar o preço dos bens mais básicos. Isso faz pairar no ar a assombração de mais violência. Nas últimas semanas, correram nas redes sociais convocações para manifestações populares que não se concretizaram. Por agora. Mas a agitação foi notória: na rua eram constantes as patrulhas da polícia militar em carros blindados e tornou-se habitual conviver com carros da polícia a passar com as sirenes ligadas “para impor respeito”, dizem. As últimas grandes manifestações em 2010, por causa do aumento do preço do pão, fizeram 10 mortes no primeiro dia.
O povo moçambicano é cordial. É doce, pacífico e merece mais do que sobreviver. Há dias, em conversa com um senhor moçambicano na casa dos seus cinquenta anos, ele confessava-me: “Estamos cansados de guerra. Já brigámos muito tempo. Só queremos paz”. Foram 10 anos de guerra pela independência e mais 16 anos de guerra civil. Sim, é demasiado tempo. Este povo não merece isso.
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