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VAMOS ÀS PISCINAS?

Opinião  »  2025-08-05  »  José Mota Pereira

Nos fins-de-semana de calor do Verão o pai pegava na gente de manhã e íamos até às piscinas. Geralmente ao domingo de manhã.

Quando chegávamos, a primeira etapa era comprar os bilhetes de entrada. A bilheteira ficava no exterior e quem nos atendia era o senhor Isaac - se me lembro, era assim que se chamava.

Comprado o bilhete, entrávamos pela recepção, onde recebíamos, cada um, uma pesada cruzeta numerada a que correspondia um número.

Passávamos para os balneários. Homens por um lado, mulheres pelo outro. Havia os balneários comuns e os balneários individuais. Estes eram muito mais engraçados, até porque o banco levantava e descia (assim trancando a porta).

Despidos do traje matinal e prontos com os calções de banho passávamos a estar ataviados para entrar na piscina. Atravessávamos o corredor.

Antes de entrar na zona balnear entregávamos as nossas roupas bem consertadas na tal cruzeta numerada. Connosco ficava um alfinete de ama, com o mesmo número da cruzeta, que fixávamos no fato de banho e nos permitia à saída ter acesso à nossa cruzeta.

Finalmente entrávamos na zona balnear.

Gargalhadas, gritos, vozes, eram o som que nos acompanhava.

À nossa disposição, os dois tanques principais. Do lado esquerdo de quem entrava ficava a piscina coberta - que por ter sempre uma cobertura impedia que o sol aquecesse a água, pelo que a temperatura era sempre temível e por isso mesmo sempre mais vazia.

Paralelamente, do lado direito, ficava a piscina principal. A verdadeira estrela dessas manhãs. Um rectângulo com 25 metros de comprimento e com uma profundidade que aumentava gradualmente. Sempre cheia nesses domingos!

Dava para tudo: nadar, saltar, fazer bombas e até para amonas, que era uma brincadeira meio estúpida em que se afogava subitamente a cabeça de algum amigo...

Mas antes de ir à água era fundamental primeiro escolher o sítio onde ficar. À nossa disposição pelo recinto havia cadeiras e guarda-sóis que íamos ocupando. Ao fundo, havia ainda a zona verde, um quadrado de terreno relvado junto à piscina de saltos e ao tanque dos mais pequenos.

Para entrar na piscina tínhamos que tomar um duche. Pela instalação sonora era frequente o aviso: "o duche inicial é obrigatório". Pela instalação sonora também ficávamos a saber que fora da esplanada era "proibido, comer, beber, fumar e andar calçado". Pois é!!!

Havia ainda a esplanada! Era lá que comíamos a merenda do meio da manhã. Com sorte, lá nos calhava um perna de pau ou um supermaxi. Ali se juntavam banhistas com alguns mirones que pagavam bilhete próprio para ter acesso à esplanada. Para esses, a entrada era feita por uma pequena porta junto à bilheteira.

Passávamos o tempo e ao fim da manhã regressávamos a casa. A mãe já tinha o almoço pronto e nós vínhamos com o apetite bem aguçado… As tardes eram quentes, e adormecíamos felizes numa sesta onde apenas se ouvia o barulho da ventoinha a refrescar a casa. Com sorte, talvez acordássemos a tempo de ver o Júlio Isidro na televisão.

 

 

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