Democracia ou totalitarismo, eis a questão! - antónio mário santos
Opinião » 2026-02-02
O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega.
A terceira opção do centro-direita, representada pelo almirante Gouveia e Melo, uma mistura de desafortunados crónicos dos partidos neoliberais e sociais democratas, com certas franjas dum eanismo civil e militar assente na disciplina e nos resquícios duma democracia controlada, não conseguiu, pela ambiguidade da proposta e pelo saco de gatos dos proponentes, atingir a mensagem pessoana, “É a Hora», já que esse espaço estava a ser ocupado, de forma claríssima, por André Ventura.
Este último, por sua vez, não conseguiu superar a margem eleitoral das últimas legislativas, embora alargasse a sua base de apoio, no país rural e do interior, nos sectores urbanos dependentes das redes sociais e na emigração.
Curiosamente, um país de emigrantes opta por um candidato que subalterniza a imigração, sem analisar, no país que os recebe, que os partidos da extrema-direita os colocam na mesma posição que Ventura faz aos imigrantes que nos procuram, para melhorar a sua qualidade de vida e serem tratados com a dignidade que qualquer ser humano merece.
Daí que a seu grito de vitória saiba a venda de banha da cobra dum vendilhão de feiras: “Portugal despertou!”
Mas se a AD e a IL seguirem as orientações abstencionistas defendidas dos seus candidatos vencidos, correm o risco de ver as suas hostes a abandonarem o barco, em risco de naufrágio, e a serem absorvidos por um misto de Salazar e Franco, que os arredará, se vencer, das áreas do poder, sem apelo nem agravo.
O centro-esquerda social democrata, por sua vez, assustado pela ameaça da extrema-direita populista, conseguiu, também com a ajuda dalguma esquerda que preferiu, antes, defender os conceitos de liberdade e de democracia, do que apostar no programa do seu candidato natural, uma vitória eleitoral, a nível nacional, esclarecedora: o totalitarismo foi, no primeiro escrutínio, derrotado.
Abre-se, nestas três semanas, até 8 de Fevereiro, o dia da segunda volta, um dramático (não exagero no adjectivo) período, onde o futuro do país se joga
A segunda volta das eleições, entre Seguro e Ventura, ultrapassa o que, em si, ambos valem.
51 anos depois da revolução dos Cravos, que instaurou a democracia, terminando a longa noite do fascismo luso, de 1926 a 1974, surge a ameaça da destruição dos valores conquistados, que aquela representa, ainda que com avanços e recuos, nos campos do trabalho, da saúde, da educação, da reforma, da segurança e assistência sociais, da melhoria das condições de vida.
É isso que está em jogo. A opção por uma sociedade aberta, plural, assente no desenvolvimento económico, social e político, baseado na Constituição da República, nos direitos e no respeito pelo ser humano, de qualquer cor, sexo, raça, religião, na defesa da igualdade, do direito à diferença, mas também na eliminação das desigualdades, da luta contra a pobreza, da protecção do ambiente, da melhoria das condições de vida de todas as classes sociais.
Ou, uma segunda, por uma sociedade xenófoba, racista, defensora das elites e assente na exploração dos mais frágeis, onde a segurança e o poder se manifestam de forma violenta, onde a saúde, a educação, o emprego não são tidos como direitos universais, mas como benesses que distribuem consoante a aceitação ou a recusa da canga.
O exemplo dos Estados Unidos sob o mando de Trump exemplifica bem o futuro que Ventura garante, se vencesse as eleições presidenciais! A guerra, em vez de paz; a perseguição e prisão, em vez de diálogo; a desigualdade económica, assente na servidão e no medo; o fim do sistema público de saúde, da regularidade salarial, da melhoria do custo de vida, da assistência social, da educação para todos; a manipulação das mentalidades, através das redes sociais, ao serviço do poder totalitário e das elites bilionárias, que vampirizam as sociedades que controlam.
Não há, em 8 de fevereiro, qualquer escolha entre esquerda e direita.
O que está em jogo é a continuidade, em Portugal, duma sociedade democrática, ou o regresso a uma sociedade totalitária, onde só é aceite uma voz, uma opinião, uma lei: a do ditador.
Se dúvida houver, aconselho-lhe a leitura dum romance célebre: 1984, de George Orwell. Nas suas páginas pode estar contido, se se deixar levar pela cantilena do nacionalismo de servidão, o retrato do seu futuro ou dos seus descendentes.
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Democracia ou totalitarismo, eis a questão! - antónio mário santos
Opinião » 2026-02-02O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega.
A terceira opção do centro-direita, representada pelo almirante Gouveia e Melo, uma mistura de desafortunados crónicos dos partidos neoliberais e sociais democratas, com certas franjas dum eanismo civil e militar assente na disciplina e nos resquícios duma democracia controlada, não conseguiu, pela ambiguidade da proposta e pelo saco de gatos dos proponentes, atingir a mensagem pessoana, “É a Hora», já que esse espaço estava a ser ocupado, de forma claríssima, por André Ventura.
Este último, por sua vez, não conseguiu superar a margem eleitoral das últimas legislativas, embora alargasse a sua base de apoio, no país rural e do interior, nos sectores urbanos dependentes das redes sociais e na emigração.
Curiosamente, um país de emigrantes opta por um candidato que subalterniza a imigração, sem analisar, no país que os recebe, que os partidos da extrema-direita os colocam na mesma posição que Ventura faz aos imigrantes que nos procuram, para melhorar a sua qualidade de vida e serem tratados com a dignidade que qualquer ser humano merece.
Daí que a seu grito de vitória saiba a venda de banha da cobra dum vendilhão de feiras: “Portugal despertou!”
Mas se a AD e a IL seguirem as orientações abstencionistas defendidas dos seus candidatos vencidos, correm o risco de ver as suas hostes a abandonarem o barco, em risco de naufrágio, e a serem absorvidos por um misto de Salazar e Franco, que os arredará, se vencer, das áreas do poder, sem apelo nem agravo.
O centro-esquerda social democrata, por sua vez, assustado pela ameaça da extrema-direita populista, conseguiu, também com a ajuda dalguma esquerda que preferiu, antes, defender os conceitos de liberdade e de democracia, do que apostar no programa do seu candidato natural, uma vitória eleitoral, a nível nacional, esclarecedora: o totalitarismo foi, no primeiro escrutínio, derrotado.
Abre-se, nestas três semanas, até 8 de Fevereiro, o dia da segunda volta, um dramático (não exagero no adjectivo) período, onde o futuro do país se joga
A segunda volta das eleições, entre Seguro e Ventura, ultrapassa o que, em si, ambos valem.
51 anos depois da revolução dos Cravos, que instaurou a democracia, terminando a longa noite do fascismo luso, de 1926 a 1974, surge a ameaça da destruição dos valores conquistados, que aquela representa, ainda que com avanços e recuos, nos campos do trabalho, da saúde, da educação, da reforma, da segurança e assistência sociais, da melhoria das condições de vida.
É isso que está em jogo. A opção por uma sociedade aberta, plural, assente no desenvolvimento económico, social e político, baseado na Constituição da República, nos direitos e no respeito pelo ser humano, de qualquer cor, sexo, raça, religião, na defesa da igualdade, do direito à diferença, mas também na eliminação das desigualdades, da luta contra a pobreza, da protecção do ambiente, da melhoria das condições de vida de todas as classes sociais.
Ou, uma segunda, por uma sociedade xenófoba, racista, defensora das elites e assente na exploração dos mais frágeis, onde a segurança e o poder se manifestam de forma violenta, onde a saúde, a educação, o emprego não são tidos como direitos universais, mas como benesses que distribuem consoante a aceitação ou a recusa da canga.
O exemplo dos Estados Unidos sob o mando de Trump exemplifica bem o futuro que Ventura garante, se vencesse as eleições presidenciais! A guerra, em vez de paz; a perseguição e prisão, em vez de diálogo; a desigualdade económica, assente na servidão e no medo; o fim do sistema público de saúde, da regularidade salarial, da melhoria do custo de vida, da assistência social, da educação para todos; a manipulação das mentalidades, através das redes sociais, ao serviço do poder totalitário e das elites bilionárias, que vampirizam as sociedades que controlam.
Não há, em 8 de fevereiro, qualquer escolha entre esquerda e direita.
O que está em jogo é a continuidade, em Portugal, duma sociedade democrática, ou o regresso a uma sociedade totalitária, onde só é aceite uma voz, uma opinião, uma lei: a do ditador.
Se dúvida houver, aconselho-lhe a leitura dum romance célebre: 1984, de George Orwell. Nas suas páginas pode estar contido, se se deixar levar pela cantilena do nacionalismo de servidão, o retrato do seu futuro ou dos seus descendentes.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
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» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
Os nossos sonhos - joão carlos lopes |
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» 2026-08-08
» António Gomes
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» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
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» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Leituras de férias |
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» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Caderneta completa |