• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Segunda, 20 de Novembro de 2017
Pesquisar...
Qui.
 22° / 12°
Períodos nublados
Qua.
 21° / 8°
Céu nublado
Ter.
 21° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  22° / 8°
Claro
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Marcelo, Marcelo

Opinião  »  2017-04-20  »  Jorge Carreira Maia

"O perigo reside em começar a haver excesso de oferta de Marcelo. A sua imagem banaliza-se cada vez que ele surge sem que se vislumbre a necessidade da sua presença."

A imagem das pessoas e o desejo que delas sentimos são regulados pelos mesmos mecanismos que regem os mercados onde se transaccionam os bens de consumo. Sempre que um produto é escasso o preço sobe. Quando existe em excesso, relativamente à procura, o preço desce. Aplicar esta estrutura de fixação do valor das mercadorias à imagem de uma pessoa – por exemplo, de um político – não é inadequado. É verdade que um político não é uma coisa, um bem transaccionável (ou pelo menos não deveria ser). No entanto, a chamada lei da oferta e da procura está assente não na mercadoria e no dinheiro, mas no desejo. Uma coisa torna-se valiosa porque é escassa para o desejo que ela ateia entre os seres humanos.

É aqui que o actual Presidente da República corre o maior dos riscos. Não é por, até aqui, ter suportado o governo de esquerda ou por, amanhã, deixar de o suportar e apoiar um governo de direita que ele corre riscos. Com Marcelo Rebelo de Sousa isso deixou de ser essencial. O perigo reside em começar a haver excesso de oferta de Marcelo. A sua imagem banaliza-se cada vez que ele surge sem que se vislumbre a necessidade da sua presença. Esta vulgarização da imagem presidencial está a degradá-la. Uma chacota contínua abate-se já sobre as suas múltiplas e inusitadas aparições. Não é aquela chacota raivosa que os adversários políticos faziam cair sobre Mário Soares ou Cavaco Silva. O escárnio não contém raiva mas um cada vez maior desprezo. Ora esta zombaria tem o poder de diminuir nos eleitores o desejo de escutar o Presidente.

Atrás da diminuição do desejo dos cidadãos vem o decréscimo da autoridade política. E um Presidente da República, no quadro constitucional português, precisa de uma clara e inequívoca autoridade política. Ele não é um adereço da República. É um jogador com uma legitimidade própria e com um papel central na regulação do sistema. Se a sua palavra e imagem se gastam nos assuntos mais corriqueiros ou afastados da função presidencial, isso acabará por desvalorizar a palavra política quando esta for necessária. Quem tem opinião sobre tudo, não tem opinião que mereça ser escutada. Quem está em todo o lado, acaba por tornar a sua presença uma irrelevância. E o país, com as dificuldades que enfrenta precisa de tudo menos de um Presidente irrelevante. O Presidente deveria saber que a máxima “nada em excesso” é um dos grandes princípios de sabedoria que os gregos da antiguidade nos legaram. Terá Marcelo Rebelo de Sousa tempo para a meditar?

http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/

 

 

 Outras notícias - Opinião


Escola, religião e cidadania »  2017-11-17  »  Jorge Carreira Maia

Por motivos profissionais estou a fazer formação na área da Filosofia da Religião. As reorientações que o programa de Filosofia do ensino secundário está a sofrer implicam, entre outras coisas, que a área dos valores religiosos se torne obrigatória e não seja, como até aqui, uma opção, a qual, por norma, é preterida pela dos valores estéticos.
(ler mais...)


Odores a granel: marketing olfativo ou cascomia? »  2017-11-15  »  Maria Augusta Torcato

Afinal, tenho uma boa justificação, científica até,  para a constância desta minha zanga e para este estado de cansaço e ausência de vontade que teimam em desaparecer e me têm feito a vida negra, nestes últimos tempos, além de muito mal cheirosa.
(ler mais...)


Os anos de seca vieram para ficar. »  2017-11-15  »  Nuno Curado

8 de Novembro de 2017: “Poderá não haver colheita de arroz no Vale do Sado [em 2018]”. Esta região é a maior produtora de arroz em Portugal. 06/11/2017: “A nascente do Rio Douro está seca”.
(ler mais...)


QUE FUTURO PARA TORRES NOVAS? »  2017-11-15  »  Denis Hickel

Há poucos anos atrás facilitei diversas oficinas junto à comunidade escolar do concelho e que trazia o questionamento de como seria a escola diante de todos os problemas globais que enfrentamos. A gravidade destes temas são difíceis de abordar em toda a sua amplitude por trazerem uma complexidade e uma interdependência difíceis para nossa forma linear de pensamento; o que invariavelmente leva os interlocutores à visões muito negativas sobre o futuro.
(ler mais...)


Solidariedade »  2017-11-14  »  Inês Vidal

Vivemos uma época em que somos todos um bocadinho, e cada vez mais, individualistas. Pensamos em nós e nos nossos, no que temos ou vamos precisar e alargamos a esfera da preocupação a quem nos pode ajudar a isso. Regra geral, somos assim.
(ler mais...)


A melhor opinião »  2017-11-14  »  Carlos Tomé

Olha lá, não estou nada de acordo quando eles dizem que têm a melhor opinião. Melhor opinião em quê? Há melhores e piores opiniões? Ou há só opiniões? Para além de estarem a puxar lustro aos galões, toda a gente sabe que a melhor opinião é a do Marques Mendes, o grilo falante, o tipo sabe as calhandrices todas do PSD e casca na geringonça à má-fila que até dá gosto.
(ler mais...)


Ir à Praça »  2017-11-14  »  José Ricardo Costa

Qualquer jovem de Lisboa sabe que ir “ao bairro” é Bairro Alto. No Porto, ir “ao palácio” é Palácio de Cristal. Em Torres Novas “ir à praça” é Praça 5 de Outubro.
(ler mais...)


Diabetes uma doença em plena expansão - II »  2017-11-14  »  Juvenal Silva

Os efeitos adversos da diabetes aumentam 20 vezes mais os riscos de problemas cardíacos e são responsáveis por 25% das operações cardíacas, 40% dos casos de insuficiência renal, 50% das amputações não traumáticas, ou seja, as que não resultam de acidente e 75% de mortes por doenças cardiovasculares.
(ler mais...)


Centralistas »  2017-11-07  »  Jorge Salgado Simões

Quando muitos pensavam que a única coisa positiva da recente tragédia dos incêndios era que finalmente o país ia olhar de outra forma para a interior, para o espaço rural e para fora das grandes áreas metropolitanas, as notícias que vão sendo conhecidas sobre a reprogramação dos fundos comunitários desfazem qualquer réstia de dúvidas.
(ler mais...)


O velho PS »  2017-11-02  »  Jorge Carreira Maia

Aquando da formação do actual governo, não faltaram maus agoiros sobre o descalabro da economia, o descontrolo do défice e a desmedida loucura da extrema-esquerda, isto é, do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2017-11-15  »  Denis Hickel QUE FUTURO PARA TORRES NOVAS?
»  2017-11-15  »  Maria Augusta Torcato Odores a granel: marketing olfativo ou cascomia?
»  2017-11-14  »  José Ricardo Costa Ir à Praça