Da evolução das espécies - carlos paiva
Opinião
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. Como em tudo que é novidade, houve cépticos a par de entusiastas. Muito antes das redes sociais se insidiarem nos hábitos quotidianos, existia uma boa fatia da população que já não vivia sem internet. As potencialidades de um meio de comunicação a tempo real, foram desde cedo instrumentalizadas para abreviar distâncias, tempos de espera e intermediários. O choque que provocou nos meios de comunicação social ainda não terminou. Uma revolução em curso.
Como Darwin pensou, não é o mais forte que sobrevive. É o que se adapta melhor. E mais rápido.
A presença on-line passou a ser obrigatória para a generalidade das instituições. Se não está na Internet, é porque não existe. A face visível das empresas deixou de ser a loja, a oficina ou o escritório e passou a ser um website. Este facto tornou-se ainda mais relevante para os órgãos de comunicação social, todos eles. Televisão rádio e jornais, adaptaram-se ao novo meio, dando continuidade ao cumprimento da sua função. A turbulência que persiste, prende-se com a monetização dos conteúdos. Como obter retorno financeiro de algo cujo acesso é pago pelo cliente ao operador (ISP, Internet Service Provider) e não a quem produz os conteúdos? O café é mais caro se o cliente ler o jornal que está em cima do balcão? Como adaptar os modelos de sustentabilidade tradicionais, patrocínios e publicidade, a esta nova realidade? Como assegurar direitos de autor? Como garantir a segurança e idoneidade de operadores e utilizadores? Como aplicar legislação nacional num universo internacional, sem fronteiras? Como impedir a subversão de um meio que se pretendia, na sua génese, verdadeiramente livre? Algumas destas perguntas já vão tendo resposta, mas, no seu todo, os métodos e processos permanecem muito dinâmicos e fluídos. Frágeis. Nada é definitivo.
Uma rápida consulta a alguns dos websites de instituições torrejanas é deveras esclarecedora acerca da importância atribuída à presença na Internet cá pelo burgo.
A julgar pelo seu website, a Banda Operária Torrejana (BOT) é, aparentemente, uma escola de música em exclusivo. Rigorosamente informação nenhuma acerca da história e actividade, passado presente e futuro, da banda em si. Apenas e só, a escola de música.
A rádio local, Torres Novas FM (TNFM), revela que a grelha de programação inclui programas produzidos e/ou apresentados por colaboradores já falecidos. Um desrespeito incrível pela memória de colaboradores que, provavelmente, deveriam ser homenageados ao invés de insultados. Na secção de notícias, a notícia mais recente data de 2019. Manter a posse da frequência não constitui definição para uma rádio.
A presença on-line da biblioteca municipal (Gustavo Pinto Lopes) é... curiosa. Existe no instagram, existe no facebook, em duplicado. Um perfil activo, outro sem actividade visível, há anos. É referenciada na rede nacional de bibliotecas (link para o catálogo da rede municipal de bibliotecas), é referenciada no website da câmara municipal (o mesmo link para o catálogo da rede municipal de bibliotecas) mas não possui domínio próprio. Não existe um website proprietário para a biblioteca. Numa instituição cuja actividade não se resume a disponibilizar livros à população, hospedando vários eventos públicos por ano, é no mínimo curioso. Alguém tem a opinião que a vida virtual se resume às redes sociais.
O rancho folclórico de Torres Novas não tem website próprio. Está presente no facebook e tem um blog. Onde a mais recente publicação data de 2012. Se calhar é melhor ir lá alguém ver se estão bem.
Os websites do museu municipal (Carlos Reis) e da Central do Caldeirão são... exactamente o mesmo. E está hospedado num subdomínio da câmara municipal. A Central do Caldeirão aparenta assim ser a mesma coisa que o museu municipal. E ambos aparentam ser meros departamentos da câmara municipal. Coisa que não acontece com o Teatro Virgínia, por exemplo.
O Clube Desportivo de Torres Novas (CDTN) tem presença no facebook, no instagram e tem website próprio. "Em construção" desde 2016. Sem qualquer alteração entretanto e sem qualquer tipo de informação institucional além da data da fundação do clube. História, actividade, passada presente futura, palmarés, modalidades, calendário, captação... nicles. Aqui, também alguém é de opinião que a vida virtual se resume às redes sociais. Se calhar, o mesmo alguém.
Terminei o périplo por aqui, não fui verificar as funcionalidades dos sites nem fui validar links. O impacto de uma imagem pública caracterizada pelo desmazelo, um desdém óbvio pelos utilizadores, afastou-me. Se quem tem o dever de cuidar, não cuida, não é ambiente onde me sinta confortável. Esta é, resumidamente, a imagem institucional on-line de Torres Novas.
A iliteracia digital não justifica tudo. A presença on-line atamancada de várias instituições torrejanas, na soma das partes, configuram um cenário de negação da realidade, que se vem afincadamente afirmando nesta geografia. Incompetência, desleixo, falta de carácter, não são só bem-vindos, são premiados. Darwin estava errado, só a subserviência importa. A evolução das espécies também nos presenteou com uma espécie de peixe baptizada de Peixe Palhaço (Amphiprion). Animal decorativo.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Da evolução das espécies - carlos paiva
Opinião
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. Como em tudo que é novidade, houve cépticos a par de entusiastas. Muito antes das redes sociais se insidiarem nos hábitos quotidianos, existia uma boa fatia da população que já não vivia sem internet. As potencialidades de um meio de comunicação a tempo real, foram desde cedo instrumentalizadas para abreviar distâncias, tempos de espera e intermediários. O choque que provocou nos meios de comunicação social ainda não terminou. Uma revolução em curso.
Como Darwin pensou, não é o mais forte que sobrevive. É o que se adapta melhor. E mais rápido.
A presença on-line passou a ser obrigatória para a generalidade das instituições. Se não está na Internet, é porque não existe. A face visível das empresas deixou de ser a loja, a oficina ou o escritório e passou a ser um website. Este facto tornou-se ainda mais relevante para os órgãos de comunicação social, todos eles. Televisão rádio e jornais, adaptaram-se ao novo meio, dando continuidade ao cumprimento da sua função. A turbulência que persiste, prende-se com a monetização dos conteúdos. Como obter retorno financeiro de algo cujo acesso é pago pelo cliente ao operador (ISP, Internet Service Provider) e não a quem produz os conteúdos? O café é mais caro se o cliente ler o jornal que está em cima do balcão? Como adaptar os modelos de sustentabilidade tradicionais, patrocínios e publicidade, a esta nova realidade? Como assegurar direitos de autor? Como garantir a segurança e idoneidade de operadores e utilizadores? Como aplicar legislação nacional num universo internacional, sem fronteiras? Como impedir a subversão de um meio que se pretendia, na sua génese, verdadeiramente livre? Algumas destas perguntas já vão tendo resposta, mas, no seu todo, os métodos e processos permanecem muito dinâmicos e fluídos. Frágeis. Nada é definitivo.
Uma rápida consulta a alguns dos websites de instituições torrejanas é deveras esclarecedora acerca da importância atribuída à presença na Internet cá pelo burgo.
A julgar pelo seu website, a Banda Operária Torrejana (BOT) é, aparentemente, uma escola de música em exclusivo. Rigorosamente informação nenhuma acerca da história e actividade, passado presente e futuro, da banda em si. Apenas e só, a escola de música.
A rádio local, Torres Novas FM (TNFM), revela que a grelha de programação inclui programas produzidos e/ou apresentados por colaboradores já falecidos. Um desrespeito incrível pela memória de colaboradores que, provavelmente, deveriam ser homenageados ao invés de insultados. Na secção de notícias, a notícia mais recente data de 2019. Manter a posse da frequência não constitui definição para uma rádio.
A presença on-line da biblioteca municipal (Gustavo Pinto Lopes) é... curiosa. Existe no instagram, existe no facebook, em duplicado. Um perfil activo, outro sem actividade visível, há anos. É referenciada na rede nacional de bibliotecas (link para o catálogo da rede municipal de bibliotecas), é referenciada no website da câmara municipal (o mesmo link para o catálogo da rede municipal de bibliotecas) mas não possui domínio próprio. Não existe um website proprietário para a biblioteca. Numa instituição cuja actividade não se resume a disponibilizar livros à população, hospedando vários eventos públicos por ano, é no mínimo curioso. Alguém tem a opinião que a vida virtual se resume às redes sociais.
O rancho folclórico de Torres Novas não tem website próprio. Está presente no facebook e tem um blog. Onde a mais recente publicação data de 2012. Se calhar é melhor ir lá alguém ver se estão bem.
Os websites do museu municipal (Carlos Reis) e da Central do Caldeirão são... exactamente o mesmo. E está hospedado num subdomínio da câmara municipal. A Central do Caldeirão aparenta assim ser a mesma coisa que o museu municipal. E ambos aparentam ser meros departamentos da câmara municipal. Coisa que não acontece com o Teatro Virgínia, por exemplo.
O Clube Desportivo de Torres Novas (CDTN) tem presença no facebook, no instagram e tem website próprio. "Em construção" desde 2016. Sem qualquer alteração entretanto e sem qualquer tipo de informação institucional além da data da fundação do clube. História, actividade, passada presente futura, palmarés, modalidades, calendário, captação... nicles. Aqui, também alguém é de opinião que a vida virtual se resume às redes sociais. Se calhar, o mesmo alguém.
Terminei o périplo por aqui, não fui verificar as funcionalidades dos sites nem fui validar links. O impacto de uma imagem pública caracterizada pelo desmazelo, um desdém óbvio pelos utilizadores, afastou-me. Se quem tem o dever de cuidar, não cuida, não é ambiente onde me sinta confortável. Esta é, resumidamente, a imagem institucional on-line de Torres Novas.
A iliteracia digital não justifica tudo. A presença on-line atamancada de várias instituições torrejanas, na soma das partes, configuram um cenário de negação da realidade, que se vem afincadamente afirmando nesta geografia. Incompetência, desleixo, falta de carácter, não são só bem-vindos, são premiados. Darwin estava errado, só a subserviência importa. A evolução das espécies também nos presenteou com uma espécie de peixe baptizada de Peixe Palhaço (Amphiprion). Animal decorativo.
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança?
» 2026-06-20
» António Mário Santos
Tenho, no ano que corre, seguido com a maior atenção as sessões públicas, quer do executivo camarário, quer da Assembleia Municipal, algo que nunca fiz nas duas últimas décadas. A maioria absoluta do Partido Socialista, no município, criara uma mentalidade de arrogância autoritária, geradora, por um lado, dum distanciamento entre governantes e governados, e, por outro, na formação duma coorte de lambebotismo acéfalo, cujos interesses próprios ou familiares assentavam na oportunidade de emprego nos quadros do pessoal municipal, nas bem aventuranças de subsídios, na aprovação de projectos de obras nunca bem clarificados, em festas e publicidade a esmo, num despesismo rotineiro não fiscalizado, que deixava um rasto de dúvidas sobre a legalidade de muitos actos de gestão. |
CH4
» 2026-06-20
» Carlos Paiva
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Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
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A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
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Minudências que consomem - carlos paiva
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» Carlos Paiva
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» 2026-06-23
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» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
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» Carlos Paiva
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» António Mário Santos
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» 2026-06-20
» António Gomes
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