Leituras de férias
Opinião
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. Os dois primeiros livros, são seis, do Ciclo Terramar, de Ursula K. Le Guin, Um Feiticeiro de Terramar e Os Túmulos de Atuan. Estão ambos publicados pela Relógio d’Água. Por vezes, indicado como literatura juvenil ou de fantasia, o ciclo é muito mais do que isso, e a imaginação da autora é prodigiosa. A editora Cavalo de Ferro está a publicar os chamados Romances Duros, do grande Georges Simenon. Não são romances com o inspector Maigret, mas são, na caracterização do mundo humano, excepcionais. Estão quatro disponíveis: A Neve Estava Suja; A Casa dos Krull; As Janelas Defronte; O Círculo dos Mahé.
Duas obras francesas que acabei de ler. Publicado em 2014, O Reino, de Emmanuel Carrère, foi traduzido para Português pela Tinta-da-China. A classificação da obra não é fácil. Pode ser considerado um romance, mas por norma é incluído na categoria de narrativa (récit). É, ao mesmo tempo, uma narrativa ficcional do nascimento do Cristianismo e um confronto do autor com a fé. Teve-a inflamada, mas perdeu-a. A segunda obra é o romance de 2010, O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq, traduzido pela Alfaguara. Ganhou o Prémio Goncourt. O romance gira em torno de três personagens: o pintor Jed Martin, Michel Houellebecq, ele mesmo, e o Inspector-Chefe da polícia, comissário Jasselin. É ao mesmo tempo um romance de formação de artista (Künstlerroman), uma autobiografia imaginada do autor, um romance policial e ainda um romance de antecipação, devido ao recurso a cenas que se passam em anos posteriores a 2010.
Para concluir, duas obras de poesia. Em primeiro lugar, Crepúsculo de Outono – poesia completa, de Georg Trakl (1887-1914), com tradução, introdução e notas de João Barrento. Publicou a Assírio & Alvim, em 2026. A primeira quadra do poema A Floresta em Agonia: “Um tecto de ramos, pétreo cinzento, / Na confusão de folhas raras, ressequidas, / Lampejam borboletas, raras e perdidas. / No azul ecoam golpes de machado ao vento.” A segunda obra é Velas de Ignição, de Durs Grünbein (1962), traduzida por Maria Teresa Dias Furtado, para as Edições do Saguão, em 2026. Os três primeiros versos do poema Anúncios Qualificados: “Troco: coração grande a funcionar mal, / Alimentado a pilhas, tipo relógio de cuco da floresta negra, / Por torradeira para bronzear o tórax, palavra-passe Mónaco.”
Boas leituras, estas ou outras, e boas-férias.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Leituras de férias
Opinião
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. Os dois primeiros livros, são seis, do Ciclo Terramar, de Ursula K. Le Guin, Um Feiticeiro de Terramar e Os Túmulos de Atuan. Estão ambos publicados pela Relógio d’Água. Por vezes, indicado como literatura juvenil ou de fantasia, o ciclo é muito mais do que isso, e a imaginação da autora é prodigiosa. A editora Cavalo de Ferro está a publicar os chamados Romances Duros, do grande Georges Simenon. Não são romances com o inspector Maigret, mas são, na caracterização do mundo humano, excepcionais. Estão quatro disponíveis: A Neve Estava Suja; A Casa dos Krull; As Janelas Defronte; O Círculo dos Mahé.
Duas obras francesas que acabei de ler. Publicado em 2014, O Reino, de Emmanuel Carrère, foi traduzido para Português pela Tinta-da-China. A classificação da obra não é fácil. Pode ser considerado um romance, mas por norma é incluído na categoria de narrativa (récit). É, ao mesmo tempo, uma narrativa ficcional do nascimento do Cristianismo e um confronto do autor com a fé. Teve-a inflamada, mas perdeu-a. A segunda obra é o romance de 2010, O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq, traduzido pela Alfaguara. Ganhou o Prémio Goncourt. O romance gira em torno de três personagens: o pintor Jed Martin, Michel Houellebecq, ele mesmo, e o Inspector-Chefe da polícia, comissário Jasselin. É ao mesmo tempo um romance de formação de artista (Künstlerroman), uma autobiografia imaginada do autor, um romance policial e ainda um romance de antecipação, devido ao recurso a cenas que se passam em anos posteriores a 2010.
Para concluir, duas obras de poesia. Em primeiro lugar, Crepúsculo de Outono – poesia completa, de Georg Trakl (1887-1914), com tradução, introdução e notas de João Barrento. Publicou a Assírio & Alvim, em 2026. A primeira quadra do poema A Floresta em Agonia: “Um tecto de ramos, pétreo cinzento, / Na confusão de folhas raras, ressequidas, / Lampejam borboletas, raras e perdidas. / No azul ecoam golpes de machado ao vento.” A segunda obra é Velas de Ignição, de Durs Grünbein (1962), traduzida por Maria Teresa Dias Furtado, para as Edições do Saguão, em 2026. Os três primeiros versos do poema Anúncios Qualificados: “Troco: coração grande a funcionar mal, / Alimentado a pilhas, tipo relógio de cuco da floresta negra, / Por torradeira para bronzear o tórax, palavra-passe Mónaco.”
Boas leituras, estas ou outras, e boas-férias.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |